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Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEpidemiologia
Código
qg483122
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Um novo medicamento antifibrótico foi aprovado para o tratamento da fibrose pulmonar idiopática. Ensaios clínicos demonstraram que, embora o fármaco não previna o aparecimento da doença, ele reduz a velocidade de progressão e aumenta significativamente o tempo de sobrevida dos pacientes após o diagnóstico. Considerando esse cenário, qual seria a consequência epidemiológica mais provável após a ampla implementação do novo tratamento?
  1. APrevalência aumentada, com incidência diminuída.
  2. BPrevalência aumentada, com incidência inalterada.
  3. CPrevalência diminuída, com incidência aumentada.
  4. DPrevalência diminuída, com incidência diminuída.
  5. EPrevalência inalterada, com incidência aumentada.
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GabaritoB — Prevalência aumentada, com incidência inalterada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epidemiologia: relação entre prevalência e incidência

Gabarito: letra B. Quando um tratamento não previne o aparecimento da doença (incidência inalterada) mas prolonga a sobrevida dos pacientes, a prevalência aumenta, pois os indivíduos permanecem doentes por mais tempo. A relação fundamental é: Prevalência = Incidência × Duração da doença.

O conceito central aqui é a diferença entre incidência e prevalência. A incidência mede a velocidade com que novos casos surgem em uma população durante um período — é uma medida de risco. A prevalência mede a proporção de indivíduos que estão doentes em um determinado momento — é uma medida de carga da doença na população. A relação entre elas é expressa pela fórmula:

Prevaleˆncia=Incideˆncia×Durac¸a˜o meˊdia da doenc¸a\text{Prevalência} = \text{Incidência} \times \text{Duração média da doença}

Essa fórmula é a chave para entender o efeito de intervenções. Se uma intervenção reduz a incidência (previne novos casos), a prevalência tende a cair. Se ela aumenta a duração da doença (prolonga a sobrevida sem curar), a prevalência tende a subir, mesmo que a incidência permaneça constante. É exatamente o caso do enunciado: o fármaco antifibrótico não previne o aparecimento da fibrose pulmonar idiopática (FPI), mas reduz a velocidade de progressão e aumenta o tempo de sobrevida. Ou seja, os pacientes vivem mais tempo com a doença, o que aumenta o número de pessoas doentes em um dado momento — a prevalência aumenta — enquanto o número de novos casos por ano (incidência) não muda.

Um exemplo concreto: imagine uma população com 100 novos casos de FPI por ano (incidência = 100/ano). Se a sobrevida média era de 2 anos, a prevalência seria de aproximadamente 200 casos. Se o novo tratamento aumenta a sobrevida média para 4 anos, a prevalência passará a ser de aproximadamente 400 casos, mesmo que a incidência continue em 100/ano. O tratamento não impede que novas pessoas adoeçam, mas mantém as pessoas doentes por mais tempo, acumulando casos na população.

A distinção que importa é entre intervenções que atuam na incidência (prevenção primária, como vacinas) e intervenções que atuam na duração da doença (tratamento que prolonga a vida sem curar). No primeiro caso, a prevalência cai; no segundo, a prevalência sobe. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que um tratamento "bom" sempre reduz a prevalência, mas isso só ocorre se ele prevenir novos casos ou curar a doença. Quando o tratamento apenas prolonga a sobrevida, o efeito é o oposto.

Guarde a fórmula Prevalência = Incidência × Duração e o efeito de cada tipo de intervenção sobre cada componente: é exatamente nessa relação que as alternativas se dividem.

Prevalência = Incidência × Duração
  • 1Incidência (novos casos)
    • Prevenção primária (vacinas) → [-] reduz prevalência
    • Tratamento não previne → inalterada
  • 2Duração (tempo com a doença)
    • Tratamento prolonga sobrevida → [+] aumenta prevalência
    • Cura → [-] reduz prevalência
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a incidência diminuiria. O enunciado é explícito: o fármaco "não previne o aparecimento da doença". Portanto, a incidência permanece inalterada. A prevalência aumentada está correta, mas a incidência diminuída não.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete exatamente a relação Prevalência = Incidência × Duração. Como o tratamento não previne novos casos, a incidência fica inalterada. Como prolonga a sobrevida, a duração média da doença aumenta, elevando a prevalência. É a consequência epidemiológica mais provável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma prevalência diminuída e incidência aumentada. Ambos os efeitos estão invertidos: o tratamento não aumenta a incidência (não causa novos casos) e não diminui a prevalência (prolonga a doença, não a cura).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma prevalência diminuída e incidência diminuída. A incidência não diminui (o fármaco não previne a doença). A prevalência também não diminui — pelo contrário, aumenta com a maior sobrevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma prevalência inalterada e incidência aumentada. A incidência não aumenta (o tratamento não causa novos casos). A prevalência não permanece inalterada — ela aumenta porque os pacientes vivem mais tempo com a doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a intuição de que "tratamento bom reduz a doença". Mas isso só vale se o tratamento prevenir novos casos ou curar. Aqui, o tratamento apenas prolonga a vida com a doença — o efeito é o aumento da prevalência. Lembre-se: prevalência mede a carga da doença na população, e ela sobe quando as pessoas permanecem doentes por mais tempo.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver uma questão sobre efeito de intervenção em epidemiologia, pergunte-se: a intervenção atua na incidência (previne novos casos) ou na duração (prolonga a doença)? Se atua na duração, a prevalência aumenta. Se atua na incidência, a prevalência diminui. A fórmula Prevalência = Incidência × Duração resolve a maioria dessas questões.

Gabarito: letra B

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