Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg483123
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Um teste para detecção de estenose carotídea utiliza níveis séricos de uma proteína inflamatória como marcador. Com o ponto de corte de 10 ng/mL, a sensibilidade é 95% e a especificidade, 60%. Ao elevar o ponto de corte para 20 ng/mL, espera-se:
AAumento de sensibilidade e aumento de falsos positivos.
BRedução de sensibilidade e aumento de especificidade.
CRedução de especificidade e aumento de sensibilidade.
DRedução tanto de sensibilidade quanto de especificidade.
EManutenção dos parâmetros, já que o ponto de corte não altera essas métricas.
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GabaritoB — Redução de sensibilidade e aumento de especificidade.
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Sensibilidade e especificidade: o efeito do ponto de corte
Gabarito: letra B. Ao elevar o ponto de corte de um teste diagnóstico de 10 ng/mL para 20 ng/mL, o teste se torna mais exigente para classificar um resultado como positivo: espera-se redução da sensibilidade (menos doentes detectados) e aumento da especificidade (menos falsos positivos entre os sadios). Essa é a relação inversa clássica entre sensibilidade e especificidade, que se move em direções opostas quando se altera o limiar de positividade.
O ponto de corte (ou limiar) é o valor a partir do qual o resultado do teste é considerado positivo. Ele define a fronteira entre o que chamamos de "doente" e "não doente" para fins do teste. Quando esse limiar é elevado, o teste passa a exigir um nível mais alto do marcador para dar positivo. Isso tem duas consequências diretas:
Sensibilidade (capacidade de detectar verdadeiros doentes) diminui: alguns doentes com níveis intermediários do marcador (entre 10 e 20 ng/mL) deixam de ser detectados, tornando-se falsos negativos.
Especificidade (capacidade de excluir os sadios) aumenta: como o teste agora só dá positivo com níveis mais altos, menos pessoas sadias (que poderiam ter níveis entre 10 e 20 ng/mL) serão classificadas como positivas, reduzindo os falsos positivos.
Essa relação inversa é um dos pilares da epidemiologia clínica e da avaliação de testes diagnósticos. Ela é explorada em provas de residência e concursos justamente porque inverte o raciocínio intuitivo: muita gente pensa que "aumentar a exigência" melhora tudo, mas na verdade há um trade-off — você ganha em especificidade e perde em sensibilidade.
Um exemplo concreto: imagine um teste de rastreio para uma doença grave. Com ponto de corte baixo (10 ng/mL), o teste é muito sensível (95%) — quase todos os doentes são pegos — mas pouco específico (60%), gerando muitos falsos positivos (pessoas sadias que precisarão de exames complementares). Se elevarmos o corte para 20 ng/mL, o teste "segura" mais a mão: só positivar com níveis bem altos. Isso reduz os falsos positivos (aumenta a especificidade), mas deixa passar alguns doentes com níveis intermediários (reduz a sensibilidade).
A pegadinha da banca está em inverter essa lógica: as alternativas A e C afirmam que a sensibilidade aumentaria, o que é o oposto do que ocorre. A alternativa E nega qualquer efeito, o que contraria o próprio conceito de ponto de corte. A alternativa D afirma que ambos os parâmetros caem, o que também é incorreto — eles se movem em direções opostas.
Guarde a regra de ouro: ponto de corte ↑ → sensibilidade ↓ e especificidade ↑ (e vice-versa). É exatamente essa relação que separa a alternativa correta das demais.
1Ponto de corte ↑
2Teste mais exigente
3Sensibilidade ↓
4Especificidade ↑
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que haveria aumento de sensibilidade e aumento de falsos positivos. Está duplamente errada: elevar o ponto de corte reduz a sensibilidade (não aumenta) e reduz os falsos positivos (não aumenta). O raciocínio correto é o inverso: com um limiar mais alto, o teste fica mais "exigente", detectando menos doentes (menor sensibilidade) e classificando menos sadios como positivos (menos falsos positivos).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente o que ocorre: redução de sensibilidade e aumento de especificidade. Ao elevar o ponto de corte de 10 para 20 ng/mL, o teste passa a exigir níveis mais altos do marcador para ser positivo. Isso faz com que alguns doentes com níveis intermediários (entre 10 e 20 ng/mL) deixem de ser detectados — reduzindo a sensibilidade — e que menos sadios sejam classificados como positivos — aumentando a especificidade. É a relação inversa clássica entre os dois parâmetros.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma redução de especificidade e aumento de sensibilidade, exatamente o oposto do que ocorre. Elevar o ponto de corte aumenta a especificidade (não reduz) e reduz a sensibilidade (não aumenta). A banca inverteu a direção da relação: quem aumenta com o limiar mais alto é a especificidade; quem diminui é a sensibilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma redução tanto de sensibilidade quanto de especificidade. Isso não ocorre: os dois parâmetros se movem em direções opostas quando se altera o ponto de corte. Enquanto a sensibilidade cai, a especificidade sobe. A alternativa erra ao supor que ambos cairiam juntos, o que contraria a relação inversa fundamental entre eles.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma manutenção dos parâmetros, já que o ponto de corte não alteraria essas métricas. Isso é falso: o ponto de corte é justamente o principal determinante dos valores de sensibilidade e especificidade. Alterá-lo sempre modifica ambos — um aumenta enquanto o outro diminui. A alternativa nega o próprio conceito de ponto de corte, que existe exatamente para calibrar o trade-off entre sensibilidade e especificidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da relação: em vez de "aumentar o corte → cai a sensibilidade e sobe a especificidade", ela oferece alternativas que invertem os sentidos (A e C) ou negam o efeito (E). O candidato que decora a regra sem entender o mecanismo cai na armadilha. Lembre-se sempre: limiar mais alto = teste mais exigente = menos positivos = menos sensível e mais específico.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, pense no extremo: se o ponto de corte fosse altíssimo (ex.: 1000 ng/mL), quase ninguém seria positivo — a sensibilidade despencaria (muitos doentes escapariam) e a especificidade ficaria próxima de 100% (quase nenhum sadio positivo). Se fosse baixíssimo (ex.: 0 ng/mL), todos seriam positivos — sensibilidade 100% e especificidade 0%. O ponto de corte é o dial que ajusta esse equilíbrio.