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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg483135
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 20 anos, previamente hígida, sexualmente ativa, procura a emergência com dor forte em baixo ventre iniciada há uma hora e vômitos. Refere ter tido sangramento vaginal intermitente há dois dias. É usuária de DIU de cobre há um ano e tabagista. Não sabe a data da última menstruação. Ao exame, regular estado geral, sudorética, PA – 70x40 mmHg, FC – 128 bpm, temperatura axilar de 36,5 °C. Apresenta dor à palpação em baixo ventre com descompressão brusca positiva em fossa ilíaca direita. Realizada ultrassonografia transvaginal, que evidenciou útero com DIU normoposicionado, massa heterogênea de 4,0 cm em topografia de anexo direito e presença de grande quantidade de líquido livre. Qual é a conduta imediata indicada?
  1. ARessuscitação volêmica e solicitação de β-hcg.
  2. BRessuscitação volêmica e laparotomia.
  3. CVideolaparoscopia.
  4. DAntibioticoterapia intravenosa e retirada do DIU.
  5. EAntibioticoterapia intravenosa.
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GabaritoB — Ressuscitação volêmica e laparotomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abdome agudo ginecológico: choque hemorrágico e conduta cirúrgica

Gabarito: letra B. A paciente apresenta choque hemorrágico (PA 70x40 mmHg, FC 128 bpm, sudorese) com abdome agudo e massa anexial à direita, sendo a hipótese mais provável a de gravidez ectópica rota — a conduta imediata é ressuscitação volêmica e laparotomia de urgência, sem aguardar exames complementares. O quadro de instabilidade hemodinâmica sobrepõe-se a qualquer outra medida diagnóstica ou terapêutica, e a cirurgia é o tratamento definitivo para controle do sangramento.

O caso descreve uma mulher jovem, sexualmente ativa, usuária de DIU de cobre, com dor abdominal súbita, sangramento vaginal intermitente, sinais de choque e massa anexial heterogênea com líquido livre abundante na ultrassonografia. Esse conjunto de achados é clássico de gravidez ectópica rota — o DIU de cobre não impede a concepção ectópica, e o sangramento intra-abdominal leva ao choque hipovolêmico. A presença de líquido livre em grande quantidade, associada à instabilidade, indica hemoperitônio significativo, exigindo intervenção cirúrgica imediata.

A ressuscitação volêmica com cristaloides é a primeira medida para estabilizar a paciente, mas não resolve a causa do sangramento. A laparotomia é o acesso cirúrgico de escolha na urgência, pois permite rápido controle do foco hemorrágico (salpingectomia ou salpingostomia, conforme o caso). A videolaparoscopia, embora menos invasiva, é contraindicada em pacientes instáveis, pois o pneumoperitônio pode agravar a hipotensão e o tempo cirúrgico é maior. A antibioticoterapia isolada ou com retirada do DIU não trata o sangramento ativo e seria indicada apenas para doença inflamatória pélvica, que não é o quadro apresentado.

A pegadinha central desta questão é o diagnóstico diferencial entre gravidez ectópica rota e doença inflamatória pélvica (DIP). A DIP pode cursar com dor pélvica, massa anexial e até abscesso tubo-ovariano, mas raramente causa choque hemorrágico com líquido livre abundante. A febre, presente na DIP, está ausente aqui (36,5 °C). O sangramento vaginal e o choque apontam fortemente para a ectópica rota. Além disso, a torção anexial, outro diagnóstico diferencial, causa dor súbita, mas não cursa com choque hemorrágico dessa magnitude.

A conduta correta segue o princípio de que, em paciente instável com abdome agudo e suspeita de hemorragia, a cirurgia não pode ser adiada para exames complementares. O β-hCG, embora útil para confirmar a gestação, não deve retardar a laparotomia em um cenário de choque. A prioridade é o controle do sangramento e a reposição volêmica simultânea.

  1. 1Ressuscitação volêmica
  2. 2Laparotomia de urgência
  3. 3Controle do sangramento
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressuscitação volêmica é correta, mas solicitar β-hCG antes da cirurgia atrasa o tratamento definitivo. Em paciente instável, a laparotomia é imediata; o β-hCG pode ser coletado, mas não condiciona a conduta cirúrgica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente está em choque hemorrágico por provável gravidez ectópica rota. A conduta imediata é ressuscitação volêmica com cristaloides e laparotomia de urgência para controle do sangramento. A cirurgia é o tratamento definitivo e não pode ser adiada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A videolaparoscopia é contraindicada em paciente hemodinamicamente instável. O pneumoperitônio pode agravar a hipotensão e o tempo cirúrgico é maior, o que é inaceitável em um cenário de choque. A laparotomia é o acesso de escolha na urgência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Antibioticoterapia e retirada do DIU são condutas para doença inflamatória pélvica, não para choque hemorrágico. A paciente não tem febre e apresenta sinais claros de hemoperitônio, não de infecção. Essa alternativa confunde os dois diagnósticos diferenciais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Antibioticoterapia isolada não trata o sangramento ativo. A paciente está em choque e necessita de cirurgia imediata, não de antibióticos. Essa conduta seria inadequada e potencialmente fatal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre gravidez ectópica rota e doença inflamatória pélvica (DIP). A DIP pode causar dor pélvica, massa anexial e até abscesso, mas não causa choque hemorrágico com líquido livre abundante. A ausência de febre e a instabilidade hemodinâmica são os diferenciais-chave. Fique atento: em paciente jovem com DIU, dor abdominal e choque, pense primeiro em ectópica rota.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de abdome agudo ginecológico, avalie primeiro a estabilidade hemodinâmica. Se instável, a conduta é cirúrgica imediata (laparotomia). Se estável, você pode investigar com exames de imagem e laboratório. Essa hierarquia resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra B

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