Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg483139
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 60 anos, relata a ocorrência de cinco episódios de cistite não complicada no último ano. Refere ardor vaginal, desconforto vulvar e dispareunia. Menopausa aos 50 anos, sem uso de terapia hormonal. Nega fogachos ou outros sintomas. Nega doenças crônicas ou uso de medicamentos. Exame físico sem alterações, exame ginecológico evidencia parede vaginal fina, hipocorada, atrófica, sem secreções. O diagnóstico e a conduta adequada são, respectivamente:
ASíndrome geniturinária da menopausa – estrogênio tópico.
BAtrofia urogenital – lubrificante vaginal.
CSíndrome geniturinária da menopausa – estradiol e progestogênio sistêmicos.
DAtrofia urogenital – estradiol sistêmico.
ESíndrome geniturinária da menopausa – estradiol oral.
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GabaritoA — Síndrome geniturinária da menopausa – estrogênio tópico.
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Síndrome geniturinária da menopausa: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra A. A paciente apresenta quadro clássico de síndrome geniturinária da menopausa (SGM) — sintomas vaginais (ardor, desconforto, dispareunia) e urinários (cistites de repetição) associados a exame ginecológico com mucosa atrófica — e a conduta de primeira linha para sintomas exclusivamente geniturinários é o estrogênio tópico, que age localmente com mínima absorção sistêmica. A alternativa A é a única que acerta tanto o diagnóstico quanto o tratamento.
A síndrome geniturinária da menopausa é o termo atualmente preferido para o que antes se chamava de atrofia urogenital ou vaginite atrófica. Ela engloba o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da deficiência estrogênica após a menopausa, que afeta a vulva, a vagina e o trato urinário inferior. Os sintomas vaginais incluem ressecamento, ardor, prurido e dispareunia; os sintomas urinários incluem disúria, urgência, polaciúria e infecções urinárias de repetição. No exame físico, a mucosa vaginal se apresenta fina, pálida, com perda de rugosidades e, por vezes, petéquias — exatamente o que o enunciado descreve.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame ginecológico, não sendo necessários exames complementares de rotina. A paciente do caso tem 60 anos, está na pós-menopausa há 10 anos, não usa terapia hormonal e apresenta cinco episódios de cistite não complicada no último ano — um padrão típico de ITU de repetição associada à atrofia urogenital. É importante destacar que ela nega fogachos, ou seja, não há sintomas vasomotores, o que direciona o tratamento para a via tópica, sem necessidade de terapia sistêmica.
A conduta de primeira linha para a SGM isolada é o estrogênio tópico (creme, comprimido vaginal ou anel). Ele é eficaz para aliviar os sintomas vaginais e urinários, com absorção sistêmica mínima e baixo risco de efeitos adversos. A terapia hormonal sistêmica (estrogênio oral ou transdérmico, com ou sem progestogênio) é indicada principalmente para sintomas vasomotores moderados a graves, e não é necessária quando o quadro é exclusivamente geniturinário. Lubrificantes e hidratantes vaginais podem ser usados como adjuvantes ou em casos leves, mas não tratam a causa — a atrofia — e não são a conduta de primeira linha quando há sintomas significativos e ITUs de repetição.
A pegadinha da questão está em distinguir o diagnóstico correto (SGM, e não apenas "atrofia urogenital", embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos) e, principalmente, a via de administração do estrogênio: tópica para sintomas locais, sistêmica para sintomas vasomotores. A banca explora a confusão entre "atrofia urogenital" e "SGM" (que são a mesma entidade, mas o termo atual é SGM) e entre estrogênio tópico e sistêmico. Guarde essa fronteira: sintomas exclusivamente geniturinários → estrogênio tópico; sintomas vasomotores → estrogênio sistêmico (com progestogênio se útero presente).
Síndrome geniturinária da menopausa
1Sintomas
Vaginais (ardor, dispareunia)
Urinários (ITU de repetição)
2Diagnóstico
Clínico (história + exame)
Mucosa atrófica
3Conduta
Estrogênio tópico (1ª linha)
Lubrificante (só adjuvante)
Estrogênio sistêmico (só p/ fogachos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Diagnóstico: síndrome geniturinária da menopausa — correto, pois a paciente tem sintomas vaginais e urinários típicos com mucosa atrófica ao exame. Conduta: estrogênio tópico — correto, pois é o tratamento de primeira linha para SGM isolada, sem sintomas vasomotores. A via tópica é preferida por agir localmente, com mínima absorção sistêmica e menor risco.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico "atrofia urogenital" é aceitável como sinônimo, mas a conduta "lubrificante vaginal" é insuficiente. Lubrificantes e hidratantes aliviam o ressecamento e a dispareunia, mas não revertem a atrofia da mucosa nem tratam as ITUs de repetição. Para sintomas significativos e infecções recorrentes, o estrogênio tópico é a conduta adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diagnóstico está correto (SGM), mas a conduta "estradiol e progestogênio sistêmicos" é inadequada para este caso. A terapia sistêmica é indicada para sintomas vasomotores moderados a graves; a paciente nega fogachos e tem apenas sintomas geniturinários. Além disso, a adição de progestogênio só é necessária quando há útero intacto e se usa estrogênio sistêmico — aqui, a via tópica já resolve sem necessidade de progestogênio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diagnóstico "atrofia urogenital" é sinônimo aceitável, mas a conduta "estradiol sistêmico" é errada para sintomas exclusivamente geniturinários. Estrogênio sistêmico é reservado para sintomas vasomotores ou para prevenção de osteoporose quando indicado; para SGM isolada, a via tópica é a primeira escolha, com menor risco e mesma eficácia local.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diagnóstico está correto (SGM), mas "estradiol oral" é via sistêmica, inadequada para este caso. A paciente não tem sintomas vasomotores, e o estrogênio oral expõe a mulher a riscos sistêmicos desnecessários (tromboembolismo, eventos cardiovasculares) sem benefício adicional sobre a via tópica para tratar a atrofia vaginal e as ITUs de repetição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a via de administração do estrogênio: para sintomas geniturinários isolados, o correto é o tópico; o sistêmico (oral, adesivo) é para sintomas vasomotores. A paciente nega fogachos — esse é o gatilho para descartar as alternativas C, D e E. Além disso, "atrofia urogenital" e "síndrome geniturinária da menopausa" são a mesma entidade, mas o termo atual e preferido é SGM — a banca pode usar ambos, mas a conduta é o que realmente diferencia as alternativas.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com uma mulher pós-menopausa com sintomas vaginais e/ou urinários, monte o raciocínio em dois passos: (1) diagnóstico — SGM se houver atrofia ao exame e sintomas compatíveis; (2) conduta — se houver sintomas vasomotores, pense em terapia sistêmica; se forem apenas geniturinários, estrogênio tópico. Lembre-se: lubrificantes são coadjuvantes, não tratamento de primeira linha.