Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg483146
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Um lactente de 9 meses é levado ao pronto atendimento com febre (38,5 °C), irritabilidade e recusa alimentar há 48 horas. Ao exame otoscópico, a membrana timpânica está abaulada e hiperemiada. Ausência de secreção otorreica visível, não há sinais sistêmicos de gravidade e não há outra alteração no exame físico. Considerando as diretrizes atualizadas, qual é a conduta inicial mais apropriada?
APrescrever antibiótico imediatamente, preferencialmente amoxicilina, devido à idade e sinais clínicos compatíveis com otite média aguda.
BOptar por conduta expectante e prescrever analgésicos e anti-inflamatórios, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente.
CSolicitar timpanocentese e cultura, pois a confirmação etiológica é necessária antes de iniciar tratamento.
DPrescrever corticoide oral para reduzir o edema da tuba auditiva e analgésicos para aliviar os sintomas.
EEncaminhar para avaliação otorrinolaringológica urgente, dado o risco elevado de complicações nessa faixa etária.
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GabaritoA — Prescrever antibiótico imediatamente, preferencialmente amoxicilina, devido à idade e sinais clínicos compatíveis com otite média aguda.
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Otite Média Aguda em Lactente: conduta inicial
Gabarito: letra A. Em lactente de 9 meses com quadro clínico clássico de otite média aguda (OMA) — febre, irritabilidade, recusa alimentar e membrana timpânica abaulada e hiperemiada —, a conduta inicial apropriada é a antibioticoterapia imediata, preferencialmente com amoxicilina. A diretriz atual (AAO-HNS 2013) indica tratamento antibiótico para crianças menores de 2 anos com OMA, pois nessa faixa etária o benefício é maior e a resolução espontânea é menos frequente.
A otite média aguda é a infecção mais comum na infância, caracterizada pela inflamação aguda da orelha média, geralmente de etiologia viral ou bacteriana (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na otoscopia: a membrana timpânica (MT) abaulada é o sinal de maior valor preditivo positivo (razão de verossimilhança de 51,0), seguida da hiperemia intensa (8,4) e da opacidade (34,0). No caso apresentado, o lactente tem 9 meses, febre de 38,5 °C, irritabilidade e recusa alimentar — sintomas inespecíficos, mas que, associados ao exame otoscópico típico, fecham o diagnóstico de OMA.
A grande questão aqui é a conduta: tratar com antibiótico ou observar? As diretrizes atuais (AAO-HNS 2013) estratificam a conduta por idade e gravidade. Para crianças menores de 2 anos, a recomendação é antibioticoterapia imediata para OMA, pois o benefício é maior e a taxa de resolução espontânea é menor. Já para crianças maiores de 2 anos, a observação clínica (watchful waiting) por 48-72 horas é uma opção válida em casos não graves (otalgia leve, febre < 39 °C, sem otorreia). No caso, o lactente tem 9 meses — claramente abaixo de 2 anos —, portanto, a conduta expectante (alternativa B) está incorreta.
A escolha do antibiótico de primeira linha é a amoxicilina, na dose de 80-90 mg/kg/dia, dividida em 2-3 doses, por 10 dias (para menores de 2 anos). A amoxicilina é eficaz contra os principais patógenos e tem boa penetração na orelha média. A alternativa A está correta ao prescrever antibiótico imediato e preferir amoxicilina.
A timpanocentese (alternativa C) é um procedimento invasivo, reservado para casos de OMA complicada (falha terapêutica, complicações supurativas, imunossupressão) ou para coleta de material em pesquisa. Não é indicada rotineiramente antes do tratamento inicial. O corticoide oral (alternativa D) não tem papel no tratamento da OMA aguda; seu uso é controverso e não reduz a taxa de falha terapêutica. O encaminhamento urgente ao otorrinolaringologista (alternativa E) não é necessário, pois não há sinais de complicação (mastoidite, paralisia facial, meningite) — o caso é de OMA não complicada, manejável na atenção primária/emergência.
A pegadinha da banca está em explorar a confusão entre as faixas etárias: o candidato pode lembrar que a observação é uma opção, mas esquecer que ela se aplica apenas a crianças maiores de 2 anos. O lactente de 9 meses está no grupo de maior benefício com antibiótico, e a conduta expectante seria inadequada.
OMA em lactente (9 meses)
1Diagnóstico clínico
MT abaulada (LR+ 51)
Hiperemia intensa (LR+ 8,4)
Opacidade (LR+ 34)
2Conduta por idade
Menores de 2 anos
Antibiótico imediato
Amoxicilina 80-90 mg/kg/dia
Maiores de 2 anos
Observação (48-72h) se não grave
Antibiótico se grave
3Procedimentos invasivos
Timpanocentese: só complicações
Corticoide: sem papel
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta inicial apropriada é prescrever antibiótico imediatamente, preferencialmente amoxicilina. O lactente tem 9 meses (< 2 anos), com OMA confirmada por otoscopia (MT abaulada e hiperemiada). As diretrizes atuais recomendam antibioticoterapia imediata para crianças menores de 2 anos com OMA, pois o benefício é maior e a resolução espontânea é menos frequente. A amoxicilina é o antibiótico de primeira linha, na dose de 80-90 mg/kg/dia, por 10 dias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A conduta expectante (observação) é uma opção apenas para crianças maiores de 2 anos com OMA não grave (otalgia leve, febre < 39 °C, sem otorreia). No caso, o lactente tem 9 meses, portanto, está no grupo em que a antibioticoterapia imediata é recomendada. A observação nessa faixa etária aumenta o risco de complicações e falha terapêutica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A timpanocentese e a cultura não são indicadas rotineiramente antes do tratamento inicial da OMA. O diagnóstico é clínico, e a confirmação etiológica não é necessária para iniciar antibiótico. A timpanocentese é reservada para casos de OMA complicada (falha terapêutica, complicações supurativas, imunossupressão) ou para pesquisa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O corticoide oral não tem papel no tratamento da OMA aguda. Não há evidência de que reduza a taxa de falha terapêutica ou acelere a resolução. O tratamento sintomático da dor deve ser feito com analgésicos (paracetamol ou ibuprofeno), mas o corticoide não é indicado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O encaminhamento urgente ao otorrinolaringologista não é necessário, pois não há sinais de complicação (mastoidite, paralisia facial, meningite). O caso é de OMA não complicada, manejável na atenção primária ou emergência. O encaminhamento seria indicado em casos de falha terapêutica, complicações ou OMA recorrente.