Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Dermatologia
Código
qg483147
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Em uma criança de 12 anos, observa-se placas hipocrômicas, discretamente escamosas, com leve prurido no tronco, que tendem a agrupar-se mais em dias de calor ou com transpiração acentuada. O diagnóstico clínico mais provável é de pitiríase versicolor. Considerando esse diagnóstico, qual das seguintes afirmações NÃO está de acordo com as características epidemiológicas, diagnósticas ou terapêuticas esperadas dessas micoses superficiais?
AOs fatores de risco incluem temperaturas quentes, alta umidade, imunossupressão, má nutrição, pele oleosa, excesso de suor e uso de corticosteroides.
BNo exame micológico direto, pode-se identificar pseudo-hifas e leveduras.
CA cultura do fungo em meio comum de dermatófitos é sempre necessária para confirmar o diagnóstico.
DA denominação “versicolor” provém da variedade de cores que as lesões podem assumir, como hipopigmentadas, acastanhadas ou eritematosas.
ERecorrências são comuns, exigindo frequentemente medidas preventivas de higiene e controle de fatores predisponentes.
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GabaritoC — A cultura do fungo em meio comum de dermatófitos é sempre necessária para confirmar o diagnóstico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pitiríase versicolor: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra C. A cultura do fungo em meio comum de dermatófitos não é sempre necessária para confirmar o diagnóstico de pitiríase versicolor — o diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser confirmado pelo exame micológico direto (raspado da lesão com hidróxido de potássio), que evidencia as estruturas fúngicas características. A alternativa C afirma exatamente o contrário, tornando-a a única incorreta entre as apresentadas.
A pitiríase versicolor é uma micose superficial causada pela levedura lipofílica do gênero Malassezia, que faz parte da microbiota normal da pele, mas que, sob condições favoráveis — como calor, umidade, transpiração excessiva e imunossupressão —, torna-se infectante em indivíduos suscetíveis. A doença acomete exclusivamente a camada mais superficial da pele (estrato córneo) e se manifesta por lesões ovaladas, pequenas e finamente descamativas, distribuídas principalmente no tórax, pescoço, ombros e face. As lesões podem assumir diferentes colorações (róseas, hipocrômicas, acastanhadas), daí o nome "versicolor". O quadro costuma ser assintomático ou com prurido discreto, e as lesões tornam-se mais evidentes no verão, quando o contraste com a pele bronzeada aumenta.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado na morfologia e distribuição típicas das lesões. Quando há dúvida, o exame micológico direto do raspado da lesão, preparado com hidróxido de potássio (KOH), é simples e confirmatório, permitindo a visualização de pseudo-hifas e leveduras agrupadas — o aspecto clássico de "macarrão com almôndegas". A cultura em meio de Sabouraud, embora possível, não é rotineiramente necessária, pois a levedura é lipofílica e cresce lentamente, e o diagnóstico clínico-micológico direto já é suficiente na grande maioria dos casos. O tratamento é simples, mas as recorrências são frequentes, exigindo medidas preventivas de higiene e controle dos fatores predisponentes.
A banca explora a confusão entre o papel da cultura e o do exame direto: enquanto a cultura é fundamental para identificar a espécie de dermatófitos em tinhas (como tinea corporis), na pitiríase versicolor o exame direto é o método de confirmação mais prático e suficiente. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Exame micológico direto (KOH) — visualização de pseudo-hifas e leveduras ("macarrão com almôndegas")
Cultura em meio de Sabouraud é mais utilizada para identificação da espécie
Papel da cultura
Não é rotineiramente necessária; meio comum de dermatófitos não é adequado (exige meio enriquecido com lipídios)
Fundamental para identificação da espécie
Local de acometimento
Estrato córneo (camada mais superficial)
Pele, pelos e unhas (dependendo da espécie)
Pitiríase versicolor
1Diagnóstico
Clínico (essencial)
Exame direto (KOH)
Pseudo-hifas e leveduras
Cultura (não rotineira)
2Etiologia
Malassezia (levedura lipofílica)
Microbiota normal da pele
3Fatores de risco
Calor e umidade
Transpiração excessiva
Imunossupressão
Pele oleosa
4Características
Lesões versicolor (várias cores)
Estrato córneo (superficial)
Recorrências frequentes
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Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa A está correta ao listar os fatores de risco da pitiríase versicolor. Temperaturas quentes, alta umidade, imunossupressão, má nutrição, pele oleosa, excesso de suor e uso de corticosteroides são condições que favorecem a transformação da levedura comensal Malassezia em forma patogênica. O texto de apoio confirma que "sob certas condições como calor, umidade, transpiração excessiva e estados de imunodepressão, torna-se infectante em indivíduos mais suscetíveis". A pele oleosa e o uso de corticoides também são reconhecidos como fatores predisponentes, pois alteram o microambiente cutâneo e a imunidade local.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa B está correta. No exame micológico direto do raspado da lesão, preparado com hidróxido de potássio (KOH), é possível identificar pseudo-hifas e leveduras, o aspecto característico da Malassezia spp. Esse achado é descrito classicamente como "macarrão com almôndegas" (spaghetti and meatballs). O exame direto é simples, rápido e confirmatório, sendo o método de escolha na prática clínica quando há dúvida diagnóstica.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa C é a incorreta, pois afirma que a cultura do fungo em meio comum de dermatófitos é sempre necessária para confirmar o diagnóstico. Isso é falso por dois motivos: primeiro, o diagnóstico de pitiríase versicolor é essencialmente clínico, e o exame micológico direto já é confirmatório na maioria dos casos; segundo, a Malassezia é uma levedura lipofílica que não cresce bem em meios comuns de cultura de dermatófitos, exigindo meios enriquecidos com lipídios (como o meio de Dixon) e suplementação de azeite de oliva. Portanto, a cultura não é rotineiramente necessária nem é o método de escolha para confirmação diagnóstica. A banca explora a confusão com as dermatofitoses (tinhas), em que a cultura em meio de Sabouraud é mais utilizada para identificação da espécie.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa D está correta. A denominação "versicolor" provém da variedade de cores que as lesões podem assumir, como hipopigmentadas, acastanhadas ou eritematosas. O texto de apoio confirma: "assumindo diferentes colorações (róseas, hipocrômicas, acastanhadas) – por isso o nome versicolor". Essa variação cromática ocorre porque a levedura produz ácido azelaico, que inibe a tirosinase e interfere na melanogênese, resultando em hipopigmentação; além disso, a resposta inflamatória e a espessura do estrato córneo podem gerar tons acastanhados ou eritematosos.
Alternativa E — ✅ Correta
A alternativa E está correta. As recorrências são comuns na pitiríase versicolor, pois a Malassezia faz parte da microbiota normal da pele e não é eliminada definitivamente. O texto de apoio afirma que "o tratamento é simples, mas as recorrências são frequentes". Por isso, medidas preventivas de higiene e controle dos fatores predisponentes (como evitar calor e transpiração excessiva, usar roupas leves e, em alguns casos, antifúngicos tópicos profiláticos) são frequentemente necessárias para reduzir a frequência das recidivas.
Gabarito: letra C — a única afirmação que NÃO está de acordo com as características esperadas da pitiríase versicolor.