Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg483149
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Durante atendimento de rotina na Unidade Básica de Saúde (UBS), são avaliadas duas crianças em consulta de puericultura: Otávio, com 1 ano e 2 meses, e Ruth, com 3 anos e 6 meses, ambos em bom estado geral e com desenvolvimento dentro dos padrões esperados. Na realização do exame físico e na avaliação antropométrica, é necessário obter corretamente os dados de peso e estatura das crianças, conforme as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Considerando a idade e o desenvolvimento motor de Otávio e de Ruth, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta para a obtenção das medidas antropométricas.
ARuth deve ter a estatura obtida em pé, com postura adequada; já Otávio deve ter o comprimento aferido em decúbito dorsal, com o auxílio de infantômetro.
BA obtenção do comprimento deve ser feita com ambos os bebês em pé, devido à marcha desenvolvida.
CDevem ser utilizadas balanças de adulto para ambos, em pé, pois já caminham de forma independente.
DA estatura de Ruth deve ser medida em pé, mas sem necessidade de apoio ou orientação de posicionamento corporal.
EOtávio pode ser pesado em balança de adulto e sua estatura deve ser aferida em decúbito dorsal.
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GabaritoA — Ruth deve ter a estatura obtida em pé, com postura adequada; já Otávio deve ter o comprimento aferido em decúbito dorsal, com o auxílio de infantômetro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Antropometria na puericultura: comprimento × estatura
Gabarito: letra A. A regra que decide a questão é a faixa etária e o desenvolvimento motor: crianças menores de 2 anos devem ter o comprimento medido em decúbito dorsal (com infantômetro), enquanto crianças a partir de 2 anos devem ter a estatura medida em pé (com estadiômetro). Otávio tem 1 ano e 2 meses (comprimento em decúbito) e Ruth tem 3 anos e 6 meses (estatura em pé) — exatamente o que a alternativa A descreve.
A avaliação antropométrica é um dos pilares da puericultura, pois permite acompanhar o crescimento e o estado nutricional da criança ao longo do tempo. O Ministério da Saúde e a OMS padronizam não apenas as curvas de referência, mas também a técnica de medição, que varia conforme a idade e a capacidade de a criança permanecer em pé. Essa distinção não é burocrática: medir comprimento em pé ou estatura deitada gera erros sistemáticos que comprometem a interpretação dos índices (comprimento/idade, estatura/idade, peso/idade, IMC/idade).
A regra prática adotada internacionalmente é: até os 2 anos de idade, mede-se o comprimento em decúbito dorsal; a partir dos 2 anos, mede-se a estatura em pé. Isso se deve ao fato de que, antes dessa idade, a criança ainda não tem marcha estável e não consegue manter a postura ereta necessária para a medição em pé, o que introduziria variações. Além disso, o comprimento em decúbito tende a ser ligeiramente maior que a estatura em pé (cerca de 0,7 a 1 cm), por isso as curvas da Caderneta da Criança são separadas: comprimento/idade para 0–2 anos e estatura/idade para 2–5 anos e 5–10 anos.
Na prática, o procedimento correto é:
Comprimento (0 a 2 anos): criança deitada em decúbito dorsal sobre o infantômetro, com a cabeça apoiada na parte fixa do equipamento, pernas estendidas e pés em ângulo reto contra a parte móvel. O profissional deve garantir que a criança esteja alinhada e imóvel.
Estatura (a partir de 2 anos): criança em pé, descalça, com calcanhares, nádegas e ombros encostados no estadiômetro, cabeça no plano de Frankfurt (linha imaginária que passa pela borda inferior da órbita e pelo meato acústico externo, paralela ao chão). O cursor é abaixado até tocar o topo da cabeça.
A banca explora exatamente a confusão entre os dois termos e as duas técnicas. O candidato que sabe que "comprimento" é medido deitado e "estatura" é medida em pé resolve a questão sem hesitar. A pegadinha está em alternativas que misturam as idades ou os instrumentos, como usar balança de adulto para uma criança de 1 ano ou dispensar o posicionamento adequado.
Guarde o critério decisivo: idade de 2 anos como marco — antes, comprimento em decúbito; depois, estatura em pé. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Critério
Otávio (1 ano e 2 meses)
Ruth (3 anos e 6 meses)
Medida a ser obtida
Comprimento
Estatura
Posição para medição
Decúbito dorsal (deitado)
Em pé
Instrumento adequado
Infantômetro
Estadiômetro
Faixa etária de referência
Menor de 2 anos
A partir de 2 anos
Medida antropométrica: Comprimento (0 a 2 anos) (Decúbito dorsal, Infantômetro); Estatura (a partir de 2 anos) (Em pé, Estadiômetro, Plano de Frankfurt); Peso (Balança pediátrica (lactente), Balança de adulto (maiores))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque aplica corretamente a técnica para cada idade: Ruth, com 3 anos e 6 meses, deve ter a estatura medida em pé, com postura adequada (calcanhares, nádegas e ombros encostados no estadiômetro, cabeça no plano de Frankfurt); Otávio, com 1 ano e 2 meses, deve ter o comprimento aferido em decúbito dorsal, com o auxílio do infantômetro. Essa é exatamente a recomendação do Ministério da Saúde e da OMS para crianças menores de 2 anos (comprimento deitado) e maiores de 2 anos (estatura em pé).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que "ambos os bebês" devem ter o comprimento obtido em pé. Otávio tem 1 ano e 2 meses — ainda não completou 2 anos —, portanto deve ser medido em decúbito dorsal, não em pé. Além disso, o termo "comprimento" é usado para a medição deitada; quando a criança está em pé, o termo correto é "estatura". A alternativa confunde os dois conceitos e a técnica adequada para a idade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está errada ao sugerir o uso de balanças de adulto para ambas as crianças. Otávio, com 1 ano e 2 meses, deve ser pesado em balança pediátrica (ou balança de plataforma com capacidade para lactentes), não em balança de adulto. Além disso, a medição em pé não se aplica a Otávio, que ainda não tem marcha estável e deve ter o comprimento medido deitado. A alternativa ignora a necessidade de equipamentos adequados à faixa etária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que a estatura de Ruth pode ser medida "sem necessidade de apoio ou orientação de posicionamento corporal". A medição da estatura exige técnica rigorosa: a criança deve estar descalça, com calcanhares, nádegas e ombros encostados no estadiômetro, e a cabeça posicionada no plano de Frankfurt. Sem esse posicionamento, a medida fica imprecisa e compromete a avaliação do crescimento. A alternativa contraria as recomendações do Ministério da Saúde.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está parcialmente correta ao afirmar que a estatura de Otávio deve ser aferida em decúbito dorsal, mas erra ao sugerir que ele pode ser pesado em balança de adulto. Otávio, com 1 ano e 2 meses, deve ser pesado em balança pediátrica, adequada para lactentes, e não em balança de adulto. Além disso, o termo correto para a medição deitada é "comprimento", não "estatura". A alternativa mistura os conceitos e o equipamento adequado.