Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg483150
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
A hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPN) é uma condição clínica grave associada a diversas patologias cardiopulmonares, caracterizada por pressão vascular pulmonar elevada e vasorreatividade alterada, resultando em desvio (shunt) direita-esquerda do fluxo sanguíneo através de estruturas fetais, como o ducto arterioso (canal arterial – CA) e o Forame Oval (FO). Com base nisso, analise as assertivas a seguir sobre o diagnóstico da HPPN:I. A oximetria de pulso, com sensores colocados em local pré-ductal (mão direita) e pós-ductal (membros inferiores), é útil. Quando a saturação de oxigênio no membro pós-ductal for maior que no pré-ductal em pelo menos 5%, isso indica possível shunt direita-esquerda pelo canal arterial.II. Os pacientes apresentam quadro de desconforto respiratório com taquipneia e cianose progressiva, muitas vezes desproporcional ao grau de comprometimento pulmonar visível em exames de imagem.III. É comum observar labilidade acentuada da oxigenação, especialmente durante manipulação ou choro, refletindo a instabilidade da vasorreatividade pulmonar.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas III.
DApenas I e III.
EApenas II e III.
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GabaritoE — Apenas II e III.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPN)
Gabarito: letra E (corretos os itens II e III). A assertiva I está incorreta porque inverte a relação esperada na oximetria pré/pós-ductal: na HPPN, com shunt direita-esquerda pelo canal arterial, a saturação pós-ductal (membros inferiores) é menor que a pré-ductal (mão direita), e não o contrário. Os itens II e III descrevem corretamente o quadro clínico e a labilidade da oxigenação, características marcantes da doença.
A HPPN é uma síndrome de falência da circulação fetal em fazer a transição para o padrão adulto após o nascimento. No feto, a resistência vascular pulmonar (RVP) é alta e o sangue desvia do pulmão através do canal arterial e do forame oval. Ao nascer, com a expansão pulmonar e o aumento da PaO₂, a RVP cai abruptamente. Na HPPN, essa queda não ocorre — a RVP permanece elevada, mantendo o padrão fetal de shunt direita-esquerda. Isso gera hipoxemia grave, que por sua vez perpetua a vasoconstrição pulmonar, criando um ciclo vicioso.
O diagnóstico é essencialmente clínico, complementado por exames. A oximetria de pulso diferencial é uma ferramenta valiosa: o sensor pré-ductal (mão direita, que recebe sangue do tronco braquiocefálico antes do canal arterial) reflete a saturação do sangue que vai para a parte superior do corpo; o sensor pós-ductal (membros inferiores) reflete o sangue que passou pelo canal arterial. Quando há shunt direita-esquerda pelo canal, o sangue que chega aos membros inferiores é uma mistura com sangue venoso dessaturado, portanto a saturação pós-ductal fica menor que a pré-ductal. A diferença de pelo menos 5% (ou 10% em algumas referências) é o critério clássico. A assertiva I inverte exatamente essa relação — é a pegadinha central da questão.
O quadro clínico é de desconforto respiratório precoce, com taquipneia, retrações e cianose progressiva. Um ponto-chave é a desproporção entre a gravidade da hipoxemia e o achado radiológico: o pulmão pode estar com infiltrados leves ou até mesmo claro, enquanto a cianose é intensa. Isso ocorre porque o problema principal não é a doença parenquimatosa, mas o shunt. Outra característica é a labilidade da oxigenação: pequenos estímulos como manipulação, aspiração ou choro podem provocar quedas abruptas da saturação, refletindo a instabilidade da vasorreatividade pulmonar. Esses são os itens II e III, ambos corretos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverteu a relação da oximetria diferencial. O candidato que decora "diferença de 5%" sem entender a fisiologia pode marcar a assertiva I como correta. Lembre-se: na HPPN, o sangue que passa pelo canal arterial é dessaturado, então a saturação pós-ductal é menor que a pré-ductal. Se a questão disser o contrário, está errada.
HPPN (falha da transição fetal)
1Fisiopatologia
RVP elevada persiste
Shunt direita-esquerda (CA e FO)
Hipoxemia → vasoconstrição (ciclo)
2Diagnóstico
Oximetria diferencial
Pré-ductal (mão direita)
Pós-ductal (membros inferiores)
Pós-ductal menor que pré-ductal (≥5%)
Quadro clínico
Desconforto respiratório + cianose
Desproporção com a radiografia
Labilidade da oxigenação
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Item I — ❌ Incorreto
O erro está na direção da diferença de saturação. Na HPPN, com shunt direita-esquerda pelo canal arterial, a saturação pós-ductal (membros inferiores) é menor que a pré-ductal (mão direita). A assertiva afirma o oposto: "quando a saturação no membro pós-ductal for maior que no pré-ductal". Isso indicaria um shunt esquerda-direita (sangue arterializado passando para a circulação pulmonar), o que não é o padrão da HPPN. O critério de diferença ≥ 5% está correto, mas a direção está invertida.
Item II — ✅ Correto
Descreve com precisão o quadro clínico da HPPN: desconforto respiratório com taquipneia e cianose progressiva. A palavra-chave é "desproporcional": a hipoxemia é muito mais grave do que o esperado pelo comprometimento pulmonar visível na radiografia. Isso ocorre porque a hipoxemia é causada principalmente pelo shunt direita-esquerda, e não por doença parenquimatosa extensa. É um dos pilares do diagnóstico clínico.
Item III — ✅ Correto
A labilidade da oxigenação é uma marca registrada da HPPN. A vasorreatividade pulmonar é instável, e estímulos como manipulação, choro, aspiração ou dor podem desencadear vasoconstrição pulmonar adicional, com queda abrupta da saturação. Essa característica ajuda a diferenciar a HPPN de outras causas de cianose neonatal, como cardiopatias congênitas cianóticas fixas, que não apresentam essa flutuação.
Conclusão: Corretos os itens II e III, portanto o gabarito é a letra E.