Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg483155
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
O citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum em humanos, podendo resultar em sequelas neurossensoriais, especialmente quando adquirida durante a gestação. Considerando os métodos laboratoriais disponíveis para o diagnóstico de infecção congênita por CMV, assinale a alternativa correta.
  1. AA detecção de imunoglobulina M (IgM) anti-CMV no soro do recém-nascido confirma o diagnóstico de infecção congênita.
  2. BA ausência de IgM anti-CMV no recém-nascido exclui o diagnóstico de infecção congênita.
  3. CA detecção do DNA viral por PCR na urina é um método inseguro e pouco específico para o diagnóstico de infecção congênita.
  4. DA detecção do DNA viral por PCR na saliva é uma alternativa rápida, com alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de infecção congênita.
  5. EAchados laboratoriais como anemia, plaquetopenia, neutropenia e aumento de bilirrubina direta são altamente específicos para infecção congênita por CMV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A detecção do DNA viral por PCR na saliva é uma alternativa rápida, com alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de infecção congênita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Citomegalovírus (CMV): diagnóstico de infecção congênita

Gabarito: letra D. A detecção do DNA viral por PCR na saliva é, de fato, uma alternativa rápida, com alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de infecção congênita por CMV, sendo atualmente um dos métodos de escolha. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre a sorologia (IgM) e a especificidade dos achados laboratoriais inespecíficos.

O citomegalovírus (CMV) é um DNA vírus de fita dupla, pertencente à família dos herpesvírus, que permanece em estado latente após a infecção primária. A infecção congênita ocorre pela transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto, e é a infecção viral congênita mais comum em humanos. O diagnóstico precoce é fundamental, pois a infecção pode levar a sequelas neurossensoriais, como perda auditiva e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, especialmente quando a infecção primária materna ocorre no primeiro trimestre da gestação.

O diagnóstico da infecção congênita por CMV é um desafio clínico, pois a maioria dos recém-nascidos infectados é assintomática ao nascimento. Por isso, os métodos laboratoriais são essenciais. A sorologia (IgM e IgG) tem limitações importantes nesse contexto. A IgM anti-CMV no soro do recém-nascido pode ser um indicativo, mas não confirma o diagnóstico, pois a IgM não atravessa a barreira placentária, sendo produzida pelo próprio feto. No entanto, a sensibilidade da IgM é limitada, e sua ausência não exclui a infecção. Além disso, a IgM pode ser negativa em até 30% dos casos de infecção congênita sintomática. Por outro lado, a IgG materna atravessa a placenta, e sua presença no recém-nascido pode refletir apenas a passagem transplacentária de anticorpos maternos, não indicando infecção fetal.

O padrão-ouro para o diagnóstico de infecção congênita é a detecção do vírus ou do seu material genético em amostras coletadas nas primeiras 2 a 3 semanas de vida, como urina, saliva ou sangue. A reação em cadeia da polimerase (PCR) é o método mais utilizado, por sua alta sensibilidade e especificidade. A PCR na saliva tem se destacado como uma alternativa rápida e não invasiva, com excelente acurácia, sendo recomendada por diversas diretrizes como método de triagem. A PCR na urina também é um método válido e sensível, mas a coleta pode ser mais trabalhosa. A detecção do DNA viral por PCR é considerada segura e específica, contrariando a afirmação da alternativa C.

Os achados laboratoriais como anemia, plaquetopenia, neutropenia e aumento de bilirrubina direta são comuns na infecção congênita por CMV, mas são inespecíficos, podendo estar presentes em outras infecções congênitas (como toxoplasmose, rubéola, sífilis) e em outras condições neonatais. Portanto, não são altamente específicos para o diagnóstico de CMV.

A distinção crucial que separa as alternativas é o papel da sorologia versus o papel da detecção direta do vírus (PCR). A sorologia (IgM) é um método indireto, com limitações de sensibilidade e especificidade, enquanto a PCR detecta diretamente o material genético do vírus, sendo o método de escolha para o diagnóstico de infecção congênita. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Diagnóstico de infecção congênita por CMV
  • 1Sorologia (método indireto)
    • IgM anti-CMV
      • Não confirma infecção
      • Ausência não exclui (negativa em até 30%)
    • IgG materna
      • Atravessa a placenta (não indica infecção fetal)
  • 2Detecção direta do vírus (padrão-ouro)
    • PCR na saliva
      • Rápida, alta sensibilidade e especificidade
    • PCR na urina
      • Segura, sensível e específica
  • 3Achados laboratoriais
    • Anemia, plaquetopenia, neutropenia, hiperbilirrubinemia
    • Inespecíficos (outras infecções congênitas)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A detecção de IgM anti-CMV no soro do recém-nascido não confirma o diagnóstico de infecção congênita. Embora a IgM não atravesse a placenta (sendo produzida pelo feto), sua sensibilidade é limitada, podendo ser negativa em uma parcela significativa dos casos. Além disso, pode haver resultados falso-positivos. O diagnóstico definitivo requer a detecção do vírus ou do DNA viral (PCR) em amostras do recém-nascido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ausência de IgM anti-CMV no recém-nascido não exclui o diagnóstico de infecção congênita. A IgM pode ser negativa em até 30% dos casos de infecção congênita sintomática, e a infecção pode ocorrer mesmo com sorologia negativa. O método de escolha para exclusão é a PCR, que detecta o DNA viral diretamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A detecção do DNA viral por PCR na urina é um método seguro, sensível e específico para o diagnóstico de infecção congênita. A PCR na urina é um dos métodos de referência, com alta acurácia. A alternativa inverte completamente a realidade, classificando como inseguro e pouco específico um método que é considerado padrão-ouro.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A detecção do DNA viral por PCR na saliva é, de fato, uma alternativa rápida, com alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de infecção congênita por CMV. A coleta de saliva é não invasiva, fácil de realizar e o método apresenta excelente acurácia, sendo recomendado por diretrizes como método de triagem neonatal. É uma alternativa moderna e eficaz, que supera as limitações da sorologia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Achados laboratoriais como anemia, plaquetopenia, neutropenia e aumento de bilirrubina direta são inespecíficos para infecção congênita por CMV. Esses achados podem estar presentes em diversas outras condições neonatais, como outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, sífilis, HIV), sepse neonatal, doenças hematológicas e metabólicas. Portanto, não são altamente específicos para o diagnóstico de CMV.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sorologia e detecção direta do vírus. O candidato pode pensar que a IgM positiva confirma o diagnóstico, mas a sorologia tem limitações importantes. A pegadinha está em supervalorizar a IgM (alternativas A e B) e desvalorizar a PCR (alternativa C), quando na verdade é o oposto: a PCR é o método de escolha, e a IgM é um método auxiliar com sensibilidade limitada. Fique atento: o diagnóstico de infecção congênita por CMV é feito pela detecção do vírus (PCR), não pela sorologia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diagnóstico de infecções congênitas, lembre-se da regra: sorologia (IgM/IgG) é método indireto e tem limitações; detecção direta do agente (PCR, cultura) é o padrão-ouro. Na infecção congênita por CMV, a PCR em saliva ou urina é o método de escolha. A IgM pode ser negativa mesmo com infecção, e a IgG materna atravessa a placenta, confundindo a interpretação. Guarde essa lógica e você acertará questões semelhantes para outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, etc.).

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg483155