Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg483156
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos de idade, sendo a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos. Em casos não tratados, pode evoluir com formação de aneurismas coronarianos, sendo responsável por até 5% das síndromes coronarianas agudas em adultos. Considerando as diretrizes atuais de manejo clínico, assinale a alternativa que indica o tratamento de primeira linha recomendado para a fase aguda da doença.
AImunoglobulina humana intravenosa.
BEnalapril.
CPropranolol.
DDiurético.
EProstaglandina.
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GabaritoA — Imunoglobulina humana intravenosa.
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Doença de Kawasaki: tratamento da fase aguda
Gabarito: letra A. O tratamento de primeira linha da fase aguda da Doença de Kawasaki é a imunoglobulina humana intravenosa (IGIV), associada a altas doses de ácido acetilsalicílico (AAS), conforme as diretrizes atuais de manejo clínico. As demais alternativas (enalapril, propranolol, diurético e prostaglandina) não são a terapia inicial recomendada para essa vasculite na fase aguda.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos, sendo a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos. A apresentação clássica inclui febre alta (> 38,5 °C) por pelo menos 5 dias, congestão conjuntival, alterações orofaríngeas (língua em morango, descamação da mucosa), alterações periféricas nos membros (descamação cutânea), erupção cutânea polimorfa e linfadenopatia cervical. A complicação mais temida é a formação de aneurismas das artérias coronárias, que pode ocorrer nas primeiras 4 semanas da doença e levar a isquemia coronariana mesmo na idade adulta.
O tratamento da fase aguda tem como objetivo principal reduzir a inflamação vascular e prevenir o desenvolvimento de aneurismas coronarianos. A imunoglobulina intravenosa (IGIV) é o pilar do tratamento, administrada em dose única de 2 g/kg, juntamente com ácido acetilsalicílico em altas doses (80 a 100 mg/kg/dia) durante a fase febril. Essa combinação reduz a incidência de anormalidades coronarianas de aproximadamente 25% para menos de 5%. O AAS é mantido em dose anti-inflamatória até a resolução da febre e, posteriormente, em dose antiagregante (3 a 5 mg/kg/dia) por 6 a 8 semanas, ou por mais tempo se houver alterações coronarianas.
A escolha da IGIV como primeira linha se baseia em sua capacidade de modular a resposta inflamatória e reduzir a lesão vascular. As outras opções farmacológicas listadas na questão não têm papel no tratamento agudo da doença: o enalapril é um anti-hipertensivo (IECA) usado em casos de disfunção ventricular, o propranolol é um betabloqueador indicado em arritmias ou cardiopatias isquêmicas, os diuréticos são utilizados em quadros de insuficiência cardíaca congestiva, e a prostaglandina é empregada em cardiopatias congênitas cianóticas dependentes do canal arterial. Nenhuma dessas medicações trata a vasculite de Kawasaki na fase aguda.
A banca explora a associação da doença com complicações cardiovasculares para induzir o candidato a escolher um medicamento cardiológico (como enalapril ou propranolol), mas o tratamento específico da fase aguda é a imunoglobulina. É fundamental que o aluno reconheça que a Doença de Kawasaki é uma vasculite e que o tratamento visa controlar a inflamação, não apenas tratar sintomas cardiovasculares isolados.
1IGIV 2 g/kg (dose única)
2AAS 80–100 mg/kg/dia (fase febril)
3AAS 3–5 mg/kg/dia (antiagregante, 6–8 semanas)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) é o tratamento de primeira linha recomendado para a fase aguda da Doença de Kawasaki. A administração de IGIV em dose única de 2 g/kg, associada ao ácido acetilsalicílico em altas doses, reduz significativamente o risco de aneurismas coronarianos, a complicação mais grave da doença. O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente até o 10º dia de febre, para maximizar a prevenção de sequelas cardiovasculares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O enalapril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), utilizado no tratamento de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. Na Doença de Kawasaki, o enalapril pode ser considerado em casos de disfunção ventricular esquerda como complicação tardia, mas não é o tratamento de primeira linha da fase aguda da vasculite. A banca inclui essa alternativa para confundir o candidato que associa a doença a complicações cardíacas, mas o manejo agudo não envolve IECA.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O propranolol é um betabloqueador não seletivo, indicado no tratamento de arritmias, hipertensão e cardiopatia isquêmica. Na Doença de Kawasaki, o propranolol não tem papel no tratamento da fase aguda. Ele poderia ser considerado em casos de isquemia miocárdica como complicação tardia, mas não é a terapia inicial recomendada. A alternativa tenta explorar a associação da doença com complicações coronarianas, mas o tratamento agudo é imunobiológico, não betabloqueador.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os diuréticos são medicamentos utilizados no tratamento de edema e insuficiência cardíaca congestiva. Na Doença de Kawasaki, os diuréticos não fazem parte do tratamento de primeira linha da fase aguda. Eles poderiam ser usados apenas em casos de disfunção ventricular grave com sinais de congestão, mas não são a terapia inicial. A alternativa é um distrator que explora a possibilidade de complicações cardíacas, mas não corresponde ao manejo padrão da doença.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A prostaglandina é um medicamento utilizado em cardiopatias congênitas cianóticas dependentes do canal arterial, como a atresia pulmonar e a transposição das grandes artérias, para manter o canal arterial aberto. Na Doença de Kawasaki, a prostaglandina não tem indicação no tratamento da fase aguda. A alternativa é um distrator que explora o contexto pediátrico e cardiológico, mas não se aplica à vasculite de Kawasaki.
Gabarito: letra A — a imunoglobulina humana intravenosa é o tratamento de primeira linha da fase aguda da Doença de Kawasaki, sempre associada ao ácido acetilsalicílico em altas doses.