Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg483159
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 72 anos, com antecedente de histerectomia abdominal há 20 anos, procura o pronto-socorro com dor abdominal difusa de início progressivo, distensão abdominal, náuseas e vômitos biliosos há 48 horas, além de parada na eliminação de gases e fezes. Ao exame físico: abdome distendido, timpanismo difuso à percussão e ruídos hidroaéreos em aumento. Exames laboratoriais iniciais mostram leucocitose discreta, sem acidose metabólica. Nesse contexto, é correto afirmar que:
AO tratamento inicial definitivo da obstrução intestinal deve ser sempre cirúrgico, independentemente da etiologia e da gravidade.
BA radiografia simples de abdome não possui valor na suspeita de obstrução intestinal.
CA causa mais comum de obstrução intestinal em adultos são as hérnias encarceradas.
DA ausência de flatos e fezes em 48 horas é exclusiva da obstrução colônica.
EO achado clínico de distensão abdominal com ruídos hidroaéreos em aumento sugere obstrução mecânica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — O achado clínico de distensão abdominal com ruídos hidroaéreos em aumento sugere obstrução mecânica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Obstrução intestinal: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra E. O quadro clínico descrito — dor abdominal em cólica, distensão, vômitos biliosos, parada de eliminação de gases e fezes, com ruídos hidroaéreos aumentados — é clássico de obstrução intestinal mecânica, e a alternativa E traduz exatamente essa correlação fisiopatológica. As demais alternativas contêm erros conceituais: o tratamento inicial não é sempre cirúrgico, a radiografia simples tem valor diagnóstico, a causa mais comum em adultos é a aderência pós-operatória (e não hérnia), e a parada de eliminação não é exclusiva da obstrução colônica.
A obstrução intestinal é uma síndrome caracterizada pela interrupção do trânsito do conteúdo intestinal, podendo ser mecânica (quando há um obstáculo físico ao trânsito) ou funcional (íleo paralítico, quando há ausência de peristalse sem obstáculo). No caso apresentado, a paciente tem antecedente de histerectomia abdominal — fator de risco clássico para bridas/aderências, a causa mais comum de obstrução do intestino delgado em adultos. O quadro de dor em cólica, distensão progressiva, vômitos biliosos e parada de eliminação de gases e fezes, associado a ruídos hidroaéreos aumentados (peristalse de luta), aponta fortemente para obstrução mecânica, provavelmente por brida.
A fisiopatologia explica os achados: na obstrução mecânica, o intestino proximal ao ponto de obstrução distende-se com gás e líquido, e a peristalse tenta vencer o obstáculo, gerando os ruídos hiperativos e metálicos. Com a progressão, pode haver estrangulamento (comprometimento vascular), que se manifesta com dor contínua, taquicardia, febre, leucocitose importante e acidose metabólica — sinais de alarme que, no caso, ainda não estão presentes (leucocitose discreta, sem acidose).
O diagnóstico é essencialmente clínico, complementado por radiografia simples de abdome, que mostra níveis hidroaéreos em escada (delgado) ou distensão colônica com haustrações (cólon). A TC com contraste é reservada para casos duvidosos ou suspeita de complicação. O tratamento inicial é clínico: jejum, sonda nasogástrica para descompressão, reposição volêmica e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. A cirurgia é indicada quando há sinais de estrangulamento, falha do tratamento clínico ou causas que não se resolvem clinicamente (como hérnia encarcerada, volvo, neoplasia).
A distinção entre obstrução mecânica e íleo paralítico é fundamental: na mecânica, os ruídos estão aumentados (peristalse de luta); no paralítico, estão diminuídos ou ausentes. Essa diferença é explorada na alternativa E, que associa corretamente distensão com ruídos aumentados à obstrução mecânica.
A banca explora aqui a confusão entre as causas mais comuns de obstrução em adultos: muitos candidatos lembram das hérnias, mas a causa mais frequente é a brida/aderência pós-operatória, especialmente em pacientes com cirurgia abdominal prévia, como a paciente do caso. Guarde essa hierarquia: bridas > hérnias > neoplasias (no delgado); no cólon, neoplasias e volvo predominam.
Obstrução intestinal
1Mecânica
Obstáculo físico ao trânsito
Ruídos hidroaéreos aumentados (peristalse de luta)
Afirma que o tratamento inicial definitivo da obstrução intestinal deve ser sempre cirúrgico, independentemente da etiologia e gravidade. Isso é falso: a maioria das obstruções por bridas resolve-se com tratamento clínico (jejum, SNG, hidratação), e a cirurgia é reservada para casos com sinais de estrangulamento, falha do tratamento conservador ou causas específicas (hérnia encarcerada, volvo, neoplasia obstrutiva). A conduta inicial é sempre suporte clínico, e a decisão cirúrgica é individualizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a radiografia simples de abdome não possui valor na suspeita de obstrução intestinal. É o oposto: a radiografia simples é o primeiro exame de imagem, capaz de confirmar a obstrução na grande maioria dos casos, mostrando níveis hidroaéreos, distensão de alças e ausência de gás distal. A TC é complementar, indicada em casos duvidosos ou para definir a causa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a causa mais comum de obstrução intestinal em adultos são as hérnias encarceradas. Na verdade, a causa mais comum é a brida/aderência pós-operatória, especialmente no intestino delgado. As hérnias são uma causa importante, mas não a mais frequente. A paciente do caso, com histerectomia prévia, ilustra exatamente o cenário típico de obstrução por brida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que a ausência de flatos e fezes em 48 horas é exclusiva da obstrução colônica. Isso é incorreto: a parada de eliminação de gases e fezes ocorre em qualquer obstrução intestinal mecânica, seja delgada ou colônica, embora seja mais precoce e completa na colônica. Na obstrução de delgado, também há interrupção da eliminação, podendo haver eliminação de fezes previamente acumuladas. Não é um sinal exclusivo de nenhum nível.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O achado clínico de distensão abdominal com ruídos hidroaéreos em aumento sugere obstrução mecânica. Isso está correto: na obstrução mecânica, a peristalse tenta vencer o obstáculo, gerando ruídos hiperativos, metálicos e aumentados, associados à distensão progressiva. Esse é um dos pilares do diagnóstico clínico, diferenciando da obstrução funcional (íleo paralítico), onde os ruídos estão diminuídos ou ausentes.