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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg483160
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Homem, 70 anos, foi internado por pneumonia adquirida na comunidade. Após 48 horas de evolução, apresentou febre persistente, taquicardia e hipotensão refratária à expansão volêmica, com 30 mL/kg de cristaloide. Foi necessário iniciar noradrenalina para manter PAM ≥65 mmHg. O lactato sérico inicial foi de 5 mmol/L. Encontra-se taquipneico, com saturação periférica de 90% em oxigenoterapia, e diurese reduzida nas últimas 6 horas. Considerando o contexto apresentado, assinale a alternativa correta.
  1. AO choque séptico é definido por hipotensão persistente, associada à necessidade de vasopressores e lactato >2 mmol/L.
  2. BA noradrenalina não deve ser utilizada como primeira escolha, devido ao risco de isquemia periférica, piorando a perfusão.
  3. CCorticoides em baixa dose estão indicados em todos os pacientes desde o diagnóstico inicial do quadro.
  4. DA reposição volêmica inicial deve ser realizada com solução salina hipertônica a 7,5%.
  5. EO objetivo inicial de reanimação é manter a saturação venosa central ≥80%.
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GabaritoA — O choque séptico é definido por hipotensão persistente, associada à necessidade de vasopressores e lactato >2 mmol/L.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque séptico: definição e manejo inicial

Gabarito: letra A. O choque séptico é definido pela presença de hipotensão persistente que exige vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L (ou > 18 mg/dL), mesmo após ressuscitação volêmica adequada — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas trazem erros conceituais sobre droga vasoativa de escolha, corticoides, tipo de solução para expansão e alvo de saturação venosa central.

O choque séptico é a forma mais grave da sepse, caracterizada por anormalidades circulatórias e metabólicas/celulares que aumentam substancialmente a mortalidade. Clinicamente, exige a presença de um foco infeccioso associado a hipotensão não responsiva a fluidos, com necessidade de drogas vasoativas para manter PAM ≥ 65 mmHg, e hiperlactatemia (lactato > 2 mmol/L). No caso apresentado, o paciente tem pneumonia, recebeu 30 mL/kg de cristaloide, permaneceu hipotenso, precisou de noradrenalina e tem lactato de 5 mmol/L — preenche todos os critérios.

A ressuscitação volêmica inicial deve ser feita com cristaloide isotônico (preferencialmente balanceado, como Ringer Lactato), na dose de 30 mL/kg nas primeiras 3 horas. Coloides sintéticos (amidos) são contraindicados por aumentarem mortalidade e lesão renal aguda. A noradrenalina é a droga vasopressora de primeira escolha, sendo segura e eficaz; pode ser iniciada por via periférica em situação de emergência enquanto se obtém acesso central. Corticoides em baixa dose são reservados para pacientes com choque refratário a vasopressores e fluidos, não para todos desde o diagnóstico. O alvo de reanimação inclui PAM ≥ 65 mmHg, débito urinário > 0,5 mL/kg/h e melhora do lactato; a saturação venosa central (SvO2) ≥ 70% é um alvo antigo, não mais recomendado como meta obrigatória.

A pegadinha da banca está em trocar a definição de choque séptico (que exige lactato > 2 mmol/L) e em afirmar que a noradrenalina não é a primeira escolha — quando na verdade ela é a droga preferencial. Também explora a confusão entre cristaloide balanceado e solução hipertônica, e entre corticoides universais versus seletivos.

Guarde o tripé que define choque séptico: hipotensão refratária a volume + necessidade de vasopressor + lactato > 2 mmol/L. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A definição de choque séptico exige hipotensão persistente (PAM < 65 mmHg) que não responde à expansão volêmica adequada, necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L (ou > 18 mg/dL). O enunciado descreve exatamente esse cenário: paciente com pneumonia, recebeu 30 mL/kg de cristaloide, permaneceu hipotenso, iniciou noradrenalina e tem lactato de 5 mmol/L. A alternativa espelha a definição vigente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A noradrenalina é a droga vasopressora de primeira escolha no choque séptico, por ser a mais segura e eficaz. Embora tenha efeito vasoconstritor, o risco de isquemia periférica não contraindica seu uso; pelo contrário, ela é recomendada como primeira linha. A alternativa inverte a recomendação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Corticoides em baixa dose (hidrocortisona 200 mg/dia) são indicados apenas em pacientes com choque séptico refratário a vasopressores e fluidos, não em todos os pacientes desde o diagnóstico inicial. O uso universal não é recomendado e pode causar efeitos adversos sem benefício.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A expansão volêmica inicial deve ser feita com cristaloide isotônico (preferencialmente balanceado, como Ringer Lactato), na dose de 30 mL/kg. Solução salina hipertônica a 7,5% não é recomendada para ressuscitação volêmica no choque séptico; seu uso é restrito a situações específicas, como trauma cranioencefálico, e não faz parte do protocolo de sepse.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O objetivo inicial de reanimação não é manter a saturação venosa central ≥ 80%. Os alvos incluem PAM ≥ 65 mmHg, débito urinário > 0,5 mL/kg/h e melhora do lactato. A SvO2 ≥ 70% era um alvo de protocolos antigos (Early Goal-Directed Therapy), mas não é mais recomendado como meta obrigatória; o valor de 80% não é um alvo estabelecido.

Gabarito: letra A

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