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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaAngiologia
Código
qg483163
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Homem, 68 anos, apresenta dor súbita e intensa em membro inferior direito. Ao exame, o membro encontra-se pálido, frio, com ausência de pulsos distais. Paciente com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), em uso de enalapril e beta bloqueador para fibrilação atrial. Sobre o caso apresentado, é correto afirmar que:
  1. ATrata-se de quadro de obstrução arterial crônica, com indicação de revascularização na ausência de resposta ao tratamento clínico.
  2. BTrata-se de aterosclerose com formação de placas estáveis, a principal causa de obstrução arterial aguda em pacientes idosos.
  3. CO exame inicial de escolha deve ser sempre o Doppler venoso, para avaliar trombose venosa profunda como diagnóstico diferencial.
  4. DA anticoagulação deve ser iniciada de forma imediata antes da confirmação diagnóstica.
  5. EO tratamento cirúrgico deve sempre ser trombólise intra-arterial, independentemente do tempo de evolução.
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GabaritoD — A anticoagulação deve ser iniciada de forma imediata antes da confirmação diagnóstica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oclusão arterial aguda (OAA): emergência vascular

Gabarito: letra D. O quadro descrito — dor súbita e intensa, palidez, membro frio e ausência de pulsos distais em paciente com fibrilação atrial — é clássico de oclusão arterial aguda (OAA) de provável etiologia embólica, e a conduta imediata é a anticoagulação plena com heparina, antes mesmo da confirmação diagnóstica por imagem. Essa é a recomendação central do manejo emergencial da OAA, conforme a literatura vascular.

A oclusão arterial aguda é uma emergência vascular caracterizada pela súbita interrupção do fluxo arterial, levando à isquemia do território distal. O quadro clínico é dominado pelos seis "Ps": dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), poiquilotermia (redução da temperatura), parestesia e paralisia. A dor é o sintoma mais frequente e costuma ser de início súbito e intenso, como no caso descrito. A ausência de pulsos distais é o marco da doença arterial, e a palidez seguida de cianose e a diminuição da temperatura local acompanham o quadro.

As duas principais etiologias são a trombose arterial e a embolia arterial. A trombose ocorre em pacientes com doença arterial oclusiva periférica (DAOP) prévia, com história de claudicação intermitente e alterações tróficas crônicas. Já a embolia arterial costuma ocorrer em um leito arterial sem doença prévia, e a fonte embolígena é cardíaca em 60 a 70% dos casos, devido a arritmias como a fibrilação atrial — exatamente o caso do paciente, que tem FA e usa betabloqueador. No caso clássico de embolia, o paciente não tem história de claudicação, o exame dos pulsos contralaterais é normal e o quadro é dramaticamente súbito.

O tratamento inicial da OAA é uma emergência: deve-se iniciar imediatamente a anticoagulação sistêmica com heparina intravenosa (5.000 a 10.000 UI, ou 100 UI/kg), com o objetivo de impedir a progressão da trombose secundária adjacente ao êmbolo ou trombo. Essa conduta é feita no momento em que se estabelece o diagnóstico clínico, antes mesmo da confirmação por imagem. O membro afetado pode ser envolvido em algodão laminado para manter calor, sem fontes externas de calor, e o paciente deve ser encaminhado com urgência ao cirurgião vascular. As decisões terapêuticas definitivas (revascularização cirúrgica ou trombólise) serão tomadas considerando a duração e a gravidade da isquemia, a etiologia e a viabilidade do membro.

A grande pegadinha desta questão é a inversão da sequência de conduta: muitos candidatos pensam que primeiro se confirma o diagnóstico por imagem e só depois se anticoagula. Na verdade, a anticoagulação plena é a primeira medida, imediatamente após o diagnóstico clínico, pois o atraso permite a progressão do trombo e piora o prognóstico. Outra armadilha é confundir OAA com trombose venosa profunda (TVP), que é um dos diagnósticos diferenciais, mas o exame inicial de escolha não é o Doppler venoso — o quadro clínico arterial é evidente, e o Doppler arterial é o exame que confirma a OAA.

Guarde a sequência de manejo da OAA: diagnóstico clínico → anticoagulação imediata → avaliação pelo cirurgião vascular → decisão de revascularização. É exatamente nessa sequência que as alternativas se dividem.

  1. 1Diagnóstico clínico (6 Ps)
  2. 2[+] Anticoagulação imediata (heparina)
  3. 3Avaliação pelo cirurgião vascular
  4. 4Decisão de revascularização
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de obstrução arterial crônica, com indicação de revascularização na ausência de resposta ao tratamento clínico. O erro está na palavra "crônica": o quadro é de início súbito e intenso, com dor aguda, palidez e ausência de pulsos — isso é oclusão arterial aguda (OAA), não doença arterial obstrutiva periférica crônica. A OAA é uma emergência que exige intervenção imediata, não um tratamento clínico inicial com revascularização apenas se não houver resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de aterosclerose com formação de placas estáveis, a principal causa de obstrução arterial aguda em idosos. Há dois erros: (1) o quadro é de oclusão aguda, não de placas estáveis — placas estáveis são características da doença crônica; (2) a principal causa de OAA em pacientes com fibrilação atrial é a embolia de origem cardíaca, não a trombose sobre placa aterosclerótica. A embolia arterial é a etiologia mais provável neste caso, dado o contexto de FA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o exame inicial de escolha deve ser sempre o Doppler venoso, para avaliar trombose venosa profunda como diagnóstico diferencial. O erro é duplo: (1) o exame inicial de escolha na suspeita de OAA é o Doppler arterial, não o venoso — o Doppler venoso é para avaliar TVP, que é um diagnóstico diferencial, mas não é o exame inicial; (2) a TVP é um diferencial, mas o quadro clínico arterial (dor súbita, palidez, ausência de pulsos) é muito mais sugestivo de OAA. Além disso, o cirurgião vascular deve ser consultado antes mesmo da solicitação de exames de imagem.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A anticoagulação deve ser iniciada de forma imediata antes da confirmação diagnóstica. Esta é a conduta correta e a recomendação central do manejo emergencial da OAA: no momento em que se estabelece o diagnóstico clínico, a conduta imediata é a anticoagulação sistêmica com heparina intravenosa, com o objetivo de impedir a progressão da trombose secundária. Essa medida é tomada antes mesmo da confirmação por imagem, pois o atraso piora o prognóstico. O paciente deve ser encaminhado com urgência ao cirurgião vascular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento cirúrgico deve sempre ser trombólise intra-arterial, independentemente do tempo de evolução. O erro está na palavra "sempre" e em "independentemente do tempo": o tratamento cirúrgico deve ser individualizado para cada caso, de acordo com a etiologia, a localização da oclusão, o tempo de duração da isquemia e a viabilidade do membro. A trombólise intra-arterial é uma opção, mas não é sempre indicada — em membros gravemente isquêmicos, a revascularização cirúrgica imediata é preferível, e o tempo de evolução é um fator crítico na decisão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão da sequência de conduta na OAA. O candidato tende a pensar que primeiro se confirma o diagnóstico por imagem e só depois se anticoagula — mas a regra é exatamente o contrário: a anticoagulação plena com heparina é a primeira medida, imediatamente após o diagnóstico clínico, antes da confirmação por imagem. Outra armadilha é trocar o Doppler arterial pelo venoso, confundindo OAA com TVP. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪.

Gabarito: letra D — a anticoagulação imediata é a conduta correta na oclusão arterial aguda.

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