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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FUNDATEC 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qg483167
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Homem, 30 anos, foi vítima de um acidente em um incêndio residencial que lhe causou queimaduras no tronco anterior e membros superiores, totalizando 25% de superfície de área queimada. No atendimento inicial, encontra-se consciente, orientado, Glasgow – 15, FC – 115 bpm, PA – 140x68 mmHg, FR – 22 irpm, Sat – 96% com oferta de O2. Apresenta rouquidão e fuligem em orofaringe. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa correta.
  1. AA presença de estridor e fuligem na orofaringe é indicação de intubação orotraqueal precoce.
  2. BA administração de oxigênio suplementar por máscara de alto fluxo é suficiente, já que a saturação se mantém acima de 94%.
  3. CA cricotireoidostomia é a primeira escolha para todo paciente com suspeita de queimadura de via aérea.
  4. DNebulização com broncodilatadores e/ou adrenalina é o tratamento inicial de escolha, em função de o paciente apresentar estridor.
  5. EPacientes com sinais leves de queimadura inalatória podem seguir em observação caso não apresentem sinais de hipoxemia.
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GabaritoA — A presença de estridor e fuligem na orofaringe é indicação de intubação orotraqueal precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimaduras e lesão inalatória: manejo da via aérea

Gabarito: letra A. A presença de estridor e fuligem na orofaringe é indicação de intubação orotraqueal precoce, pois esses são sinais de lesão inalatória significativa e de obstrução iminente da via aérea. O estridor é um sinal de obstrução parcial alta, e a fuligem indica inalação de fumaça, ambos critérios para via aérea definitiva imediata, conforme as diretrizes de manejo de queimaduras.

A lesão por inalação é uma das principais causas de mortalidade em pacientes queimados, mesmo na ausência de queimaduras cutâneas extensas. Ela ocorre pela exposição ao calor, inalação de partículas e intoxicação por gases tóxicos (monóxido de carbono e cianeto). O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado na história e nos achados do exame físico, como rouquidão, estridor, escarro carbonáceo e queimaduras faciais. A avaliação conjunta desses sinais é essencial, pois isoladamente têm baixa sensibilidade e especificidade.

O manejo da via aérea é o ponto crítico. A intubação orotraqueal precoce é fortemente recomendada em pacientes com estridor, disfagia, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica, ou sinais de oxigenação insatisfatória. A rouquidão e a fuligem na orofaringe, embora sejam sinais de alerta, não são por si só indicação absoluta de intubação; porém, quando acompanhadas de estridor, indicam obstrução iminente e exigem intervenção imediata. A demora na intubação pode levar a uma obstrução completa da via aérea, de difícil manejo posterior.

A oxigenoterapia suplementar é importante, mas não substitui a necessidade de assegurar a via aérea. A saturação de oxigênio pode estar normal mesmo com lesão inalatória significativa, especialmente se houver intoxicação por monóxido de carbono, que não é detectada pela oximetria de pulso convencional. Portanto, a decisão de intubar não deve se basear apenas na saturação, mas sim nos sinais clínicos de obstrução e na progressão esperada do edema de via aérea.

A cricotireoidostomia é um procedimento de emergência, reservado para situações em que a intubação orotraqueal não é possível ou está contraindicada, como em traumas faciais extensos. Não é a primeira escolha para todos os pacientes com suspeita de queimadura de via aérea. A nebulização com broncodilatadores e adrenalina pode ser útil no manejo do broncoespasmo, mas não é o tratamento inicial de escolha para a obstrução de via aérea superior causada por edema. A observação de pacientes com sinais leves de queimadura inalatória só é aceitável se não houver sinais de obstrução iminente e se houver monitorização rigorosa, pois o edema pode progredir rapidamente.

A chave para esta questão é reconhecer que o estridor é um sinal de alarme que indica obstrução parcial da via aérea superior, e sua presença, juntamente com fuligem, é indicação formal de intubação orotraqueal precoce. A banca explora a confusão entre sinais de alerta (rouquidão, fuligem) e sinais de obstrução iminente (estridor), e entre medidas de suporte (oxigênio, nebulização) e a necessidade de assegurar a via aérea.

1Sinais de alerta
Rouquidão
Fuligem em orofaringe
Queimaduras faciais
2Sinais de obstrução iminente
Estridor
Disfagia
Rebaixamento do nível de consciência
3Manejo da via aérea
Intubação orotraqueal precoce (estridor + fuligem)
Cricotireoidostomia (só se IOT impossível)
Observação (risco de edema progressivo)
4Armadilhas
SatO2 normal não exclui lesão (CO não detectado)
Oxigênio/nebulização não substituem via aérea
Lesão inalatória
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Lesão inalatória: Sinais de alerta (Rouquidão, Fuligem em orofaringe, Queimaduras faciais); Sinais de obstrução iminente (Estridor, Disfagia, Rebaixamento do nível de consciência); Manejo da via aérea (Intubação orotraqueal precoce (estridor + fuligem), Cricotireoidostomia (só se IOT impossível), Observação (risco de edema progressivo)); Armadilhas (SatO2 normal não exclui lesão (CO não detectado), Oxigênio/nebulização não substituem via aérea)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta. O estridor é um sinal de obstrução parcial da via aérea superior, e sua presença, associada à fuligem na orofaringe (indicativa de inalação de fumaça), é uma indicação formal de intubação orotraqueal precoce. As diretrizes de manejo de queimaduras listam o estridor como critério para intubação imediata, pois o edema de via aérea pode progredir rapidamente e levar à obstrução completa, tornando a intubação tardia difícil ou impossível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. Embora a saturação esteja acima de 94%, a presença de rouquidão e fuligem sugere lesão inalatória, e a saturação normal não exclui a possibilidade de obstrução iminente da via aérea. Além disso, a oximetria de pulso pode ser falsamente normal na intoxicação por monóxido de carbono, que é comum em incêndios. A oxigenoterapia é um adjuvante, mas não substitui a necessidade de assegurar a via aérea quando há sinais de obstrução.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. A cricotireoidostomia é um procedimento de emergência, indicado quando a intubação orotraqueal não é possível ou está contraindicada (por exemplo, em traumas faciais extensos ou obstrução completa). Não é a primeira escolha para todos os pacientes com suspeita de queimadura de via aérea. A via aérea definitiva de escolha é a intubação orotraqueal, realizada precocemente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. A nebulização com broncodilatadores e/ou adrenalina pode ser útil no manejo do broncoespasmo associado à lesão inalatória, mas não é o tratamento inicial de escolha para a obstrução de via aérea superior causada por edema. O estridor é um sinal de obstrução iminente que exige intubação orotraqueal imediata, e não apenas tratamento medicamentoso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. Pacientes com sinais de queimadura inalatória, mesmo que leves, não devem ser simplesmente observados, pois o edema de via aérea pode progredir rapidamente. A observação só é aceitável em casos selecionados, com monitorização rigorosa e em ambiente adequado, e nunca quando há sinais de obstrução iminente, como estridor. A ausência de hipoxemia não exclui o risco de obstrução.

Gabarito: letra A

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