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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg483169
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 82 anos, hipertensa e com artrose de joelhos, foi atendida no pronto-socorro após queda em casa durante a noite. Relata que se levantou para ir ao banheiro e perdeu o equilíbrio. Tem histórico de duas quedas no último ano. Ao exame físico: marcha lenta e insegura, força preservada, mas importante instabilidade postural. Nega síncope, vertigem ou palpitações. Não há déficit focal neurológico. Qual é o fator de risco mais provável relacionado ao episódio atual de queda?
  1. AArritmia cardíaca não diagnosticada, sugerida pela ausência de sintomas cardiovasculares.
  2. BFraqueza muscular difusa, frequentemente observada em idosos frágeis e causa principal das quedas.
  3. CDéficit vestibular periférico, associado à vertigem intensa e desequilíbrio episódico.
  4. DAlterações da marcha e equilíbrio, frequentemente multifatoriais, que são um dos principais determinantes de quedas recorrentes em idosos.
  5. EDéficit neurológico focal, típico de doenças cerebrovasculares, mas ausente nesse caso.
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GabaritoD — Alterações da marcha e equilíbrio, frequentemente multifatoriais, que são um dos principais determinantes de quedas recorrentes em idosos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quedas em idosos: avaliação e fatores de risco

Gabarito: letra D. A paciente apresenta marcha lenta e insegura, instabilidade postural e histórico de quedas recorrentes — o quadro clínico aponta diretamente para alterações de marcha e equilíbrio, que são determinantes clássicos de quedas em idosos. A alternativa D é a única que sintetiza esse mecanismo multifatorial, enquanto as demais propõem causas que o exame físico e a anamnese afastam (arritmia, fraqueza difusa, vertigem vestibular ou déficit focal).

A queda no idoso raramente tem uma causa única. Na maioria dos casos, ela resulta da interação entre fatores intrínsecos (alterações fisiológicas do envelhecimento, doenças crônicas, uso de medicamentos) e extrínsecos (perigos ambientais, iluminação inadequada, tapetes soltos). O envelhecimento normal já promove declínio progressivo da força muscular, da propriocepção, do tempo de reação e do controle postural — e é exatamente esse conjunto que se manifesta como alteração de marcha e equilíbrio. Quando o idoso apresenta quedas recorrentes, como a paciente do caso (duas quedas no último ano), a avaliação deve ser sistemática e buscar os fatores modificáveis.

A literatura geriátrica é enfática: anormalidades de marcha e equilíbrio estão entre os principais fatores de risco para quedas, e a avaliação desses domínios é componente obrigatório da abordagem do idoso que cai. O exame físico da paciente confirma o mecanismo: marcha lenta e insegura, instabilidade postural importante, força preservada e ausência de déficit focal. Esse perfil é típico do idoso com comprometimento do controle postural — frequentemente multifatorial, envolvendo sarcopenia, artrose (presente nos joelhos), alterações proprioceptivas e medo de cair, que por si só piora a instabilidade.

O raciocínio clínico exige descartar causas agudas e potencialmente graves. A paciente nega síncope, vertigem e palpitações, e não há déficit neurológico focal — o que afasta, respectivamente, as hipóteses de arritmia/síncope cardiovascular, de labirintopatia aguda e de AVC como causa do episódio. Isso não significa que essas condições não possam coexistir ou surgir depois, mas, no momento da avaliação, o fator de risco mais provável e mais diretamente relacionado ao episódio é o comprometimento da marcha e do equilíbrio. A queda noturna ao levantar-se para ir ao banheiro também levanta a suspeita de hipotensão postural — que, aliás, é outro fator de risco importante e deve ser investigado, mas o enunciado não traz dados pressóricos que a confirmem, e a alternativa D permanece a mais abrangente e correta.

Guarde o critério que separa as alternativas: a questão pede o fator de risco mais provável diante do quadro clínico apresentado. As alternativas A, B, C e E propõem mecanismos que o exame físico e a anamnese afastam ou que não são suportados pelos dados — enquanto a D descreve exatamente o que o exame demonstra.

Quedas em idosos
  • 1Fatores de risco
    • Intrínsecos
      • Alterações de marcha e equilíbrio
      • Sarcopenia/fraqueza
      • Doenças crônicas
      • Medo de cair
    • Extrínsecos
      • Perigos ambientais
      • Iluminação inadequada
  • 2Avaliação
    • Descartar causas agudas
      • AVC (déficit focal)
      • Síncope/arritmia
      • Vertigem vestibular
    • Avaliar marcha e equilíbrio
    • Investigar hipotensão postural
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa sugere arritmia cardíaca não diagnosticada como causa da queda, mas a paciente nega síncope, vertigem e palpitações — sintomas que seriam esperados em uma arritmia hemodinamicamente significativa. A ausência desses sintomas não exclui completamente uma arritmia, mas torna essa hipótese improvável como causa do episódio atual, especialmente diante de um exame físico que aponta claramente para alteração de marcha e equilíbrio. A banca explora aqui a confusão entre "não descartar" e "ser o fator mais provável": na avaliação do idoso que cai, a investigação cardiovascular é recomendada, mas não é o mecanismo que o quadro clínico sugere.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a fraqueza muscular difusa é a causa principal das quedas em idosos frágeis. O enunciado, porém, diz expressamente que a paciente tem força preservada — o que afasta a fraqueza difusa como mecanismo do episódio. A sarcopenia e a fraqueza muscular são, de fato, fatores de risco importantes e frequentemente associados a quedas, mas não se aplicam a este caso específico, em que o exame físico documenta força normal e instabilidade postural. A alternativa erra ao generalizar um fator de risco comum para o caso concreto, ignorando o dado clínico que o contradiz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa propõe déficit vestibular periférico associado a vertigem intensa e desequilíbrio episódico. A paciente, contudo, nega vertigem — sintoma cardinal das labirintopatias. Além disso, o desequilíbrio descrito é constante (instabilidade postural importante ao exame), não episódico como sugere a alternativa. O déficit vestibular pode causar quedas, mas o quadro clínico apresentado — ausência de vertigem e instabilidade contínua — aponta para alteração de marcha e equilíbrio de causa multifatorial, não para uma vestibulopatia aguda.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o mecanismo da queda: alterações da marcha e equilíbrio, frequentemente multifatoriais, que são um dos principais determinantes de quedas recorrentes em idosos. O exame físico da paciente confirma o diagnóstico: marcha lenta e insegura, instabilidade postural importante, força preservada e histórico de duas quedas no último ano. A artrose de joelhos, a idade avançada e o medo de cair contribuem para o comprometimento do controle postural, tornando a marcha e o equilíbrio o fator de risco mais provável e mais diretamente relacionado ao episódio. A literatura geriátrica classifica as anormalidades de marcha e equilíbrio entre os principais fatores de risco para quedas, e a avaliação desses domínios é componente essencial da abordagem do idoso que cai.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa menciona déficit neurológico focal típico de doenças cerebrovasculares, mas o enunciado afirma que não há déficit focal neurológico ao exame. A alternativa reconhece essa ausência, mas a apresenta como se fosse um dado relevante para o diagnóstico — quando, na verdade, a ausência de déficit focal apenas afasta a hipótese de AVC como causa da queda. A queda pode ser evento sentinela de um AVC, e por isso a investigação neurológica é importante, mas, no caso apresentado, não há evidência de doença cerebrovascular aguda, e o mecanismo mais provável permanece o comprometimento da marcha e do equilíbrio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de o candidato escolher uma causa "exótica" ou "grave" (arritmia, AVC, vertigem) em vez de reconhecer o mecanismo mais comum e diretamente demonstrado pelo exame físico. A paciente tem marcha lenta, instabilidade postural e quedas recorrentes — o quadro clássico de alteração de marcha e equilíbrio. As alternativas A, B, C e E propõem causas que o enunciado afasta com dados objetivos (nega síncope/vertigem/palpitações, força preservada, sem déficit focal). A pegadinha está em confundir "fator de risco possível" com "fator de risco mais provável diante do quadro apresentado".

PEGA ESSA DICA!

Na avaliação do idoso que cai, siga o roteiro: (1) descarte causas agudas e graves (AVC, síncope, infecção) com anamnese e exame físico dirigidos; (2) avalie marcha e equilíbrio — são os fatores de risco mais prevalentes e modificáveis; (3) investigue hipotensão postural, medicação e ambiente. Quando o enunciado descreve marcha insegura e instabilidade postural, a resposta quase sempre será alteração de marcha e equilíbrio — a menos que haja dados que apontem para outra causa específica.

Gabarito: letra D

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