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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg483171
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 22 anos, estudante universitária, apresenta restrição alimentar severa, preocupação excessiva com peso e forma corporal e perda ponderal de 15% nos últimos 3 meses. Relata episódios de vômitos autoinduzidos após ingestão de pequenas quantidades de alimento. Exame físico apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) 16 kg/m², hipotensão ortostática, bradicardia e lanugo discreto. Laboratório indica hipocalemia – 2,8 mEq/L, hipomagnesemia – 1,3 mg/dL e TGO/TGP discretamente elevadas. Qual é a conduta inicial mais apropriada para a paciente?
  1. AIniciar apenas terapia nutricional agressiva para ganho rápido de peso, sem avaliação multidisciplinar, visando à recuperação rápida do IMC.
  2. BPrescrever antidepressivo ISRS em monoterapia como tratamento principal, pois transtornos alimentares são primariamente psiquiátricos.
  3. CAvaliar risco clínico imediato, corrigir distúrbios eletrolíticos, garantir suporte nutricional gradual e encaminhar para equipe multidisciplinar especializada (nutricionista, psiquiatra, psicólogo).
  4. DIndicar internação apenas se a paciente recusar voluntariamente qualquer tipo de tratamento nutricional; caso contrário, o tratamento ambulatorial é suficiente.
  5. EIniciar reposição eletrolítica de rotina, mas aguardar IMC <15 kg/m² para considerar qualquer intervenção psiquiátrica ou nutricional.
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GabaritoC — Avaliar risco clínico imediato, corrigir distúrbios eletrolíticos, garantir suporte nutricional gradual e encaminhar para equipe multidisciplinar especializada (nutricionista, psiquiatra, psicólogo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtornos alimentares: conduta inicial na anorexia nervosa

Gabarito: letra C. A conduta inicial mais apropriada é avaliar o risco clínico imediato, corrigir os distúrbios eletrolíticos, garantir suporte nutricional gradual e encaminhar para equipe multidisciplinar especializada — pois a anorexia nervosa é um transtorno psiquiátrico com complicações clínicas potencialmente fatais, e o manejo exige abordagem integrada (clínica, nutricional e psiquiátrica), conforme os consensos de transtornos alimentares.

A paciente apresenta o quadro clássico de anorexia nervosa do tipo purgativo: restrição alimentar severa, preocupação excessiva com peso e forma, perda ponderal de 15% em 3 meses, vômitos autoinduzidos, IMC 16 kg/m², hipotensão ortostática, bradicardia, lanugo e alterações laboratoriais (hipocalemia, hipomagnesemia e transaminases discretamente elevadas). Esses achados indicam desnutrição grave com repercussões cardiovasculares e eletrolíticas — a hipocalemia de 2,8 mEq/L, em particular, é um marcador de risco de arritmias cardíacas, incluindo morte súbita. Por isso, a primeira prioridade não é tratar o transtorno psiquiátrico isoladamente, nem apenas repor nutrientes de forma agressiva, mas sim estabilizar o risco clínico imediato.

O manejo da anorexia nervosa segue uma hierarquia de prioridades: primeiro, a segurança clínica (correção de eletrólitos, monitorização cardíaca, hidratação); segundo, a reabilitação nutricional gradual (para evitar a síndrome de realimentação, que pode ser fatal); e terceiro, o tratamento psiquiátrico e psicológico (psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, e, quando indicado, farmacoterapia). A abordagem deve ser sempre multidisciplinar, envolvendo médico, nutricionista, psiquiatra e psicólogo. A internação é indicada quando há instabilidade clínica, risco de suicídio, falha do tratamento ambulatorial ou complicações como arritmias, hipocalemia grave ou desidratação — não apenas quando o paciente recusa tratamento.

A síndrome de realimentação é um risco central nesse contexto: a reintrodução rápida de alimentos em pacientes desnutridos pode causar hipofosfatemia, hipocalemia, hipomagnesemia, arritmias e insuficiência cardíaca. Por isso, o suporte nutricional deve ser gradual, com monitorização rigorosa de eletrólitos e fósforo, e a reposição eletrolítica deve ser feita com cautela, especialmente de potássio e magnésio, que estão depletados. A hipocalemia na anorexia é frequentemente refratária à reposição isolada de potássio se a hipomagnesemia não for corrigida — um detalhe que a banca pode explorar.

A distinção que importa aqui é entre o tratamento da crise aguda e o tratamento de manutenção. Na crise aguda, o foco é clínico: estabilizar eletrólitos, hidratar, monitorizar sinais vitais e iniciar realimentação gradual. No tratamento de longo prazo, o foco é psiquiátrico e psicológico: psicoterapia, terapia familiar (em adolescentes), e, em alguns casos, ISRS para comorbidades como depressão e ansiedade — mas nunca como monoterapia principal, pois a evidência de eficácia dos ISRS na anorexia nervosa é limitada, especialmente em pacientes com baixo peso.

A pegadinha que a banca explora neste tema é a inversão de prioridades: o candidato pode achar que, por ser um transtorno psiquiátrico, o tratamento principal é o antidepressivo, ou que a internação só é necessária se o paciente recusar tratamento. Na verdade, a conduta inicial é sempre clínica e multidisciplinar, e a internação é indicada por critérios objetivos de risco, independentemente da concordância do paciente. Guarde a hierarquia: risco clínico → correção eletrolítica → suporte nutricional gradual → equipe multidisciplinar. É exatamente essa sequência que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Avaliar risco clínico imediato
  2. 2Corrigir distúrbios eletrolíticos
  3. 3Suporte nutricional gradual
  4. 4Equipe multidisciplinar
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao propor "apenas terapia nutricional agressiva" sem avaliação multidisciplinar. A realimentação agressiva em paciente desnutrida com IMC 16 kg/m² e distúrbios eletrolíticos graves (hipocalemia 2,8 mEq/L) precipita a síndrome de realimentação, com risco de hipofosfatemia, arritmias e morte. Além disso, a anorexia nervosa exige abordagem multidisciplinar — não se trata apenas com nutrição, mas com psicoterapia e suporte psiquiátrico. O ganho de peso deve ser gradual e monitorizado, nunca "agressivo" e isolado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao prescrever ISRS em monoterapia como tratamento principal. Embora a anorexia nervosa seja um transtorno psiquiátrico, a conduta inicial não é farmacológica isolada: a prioridade é a estabilização clínica (eletrólitos, hidratação, risco cardiovascular). Os ISRS têm eficácia limitada na anorexia nervosa, especialmente em pacientes com baixo peso, e são usados principalmente para comorbidades (depressão, ansiedade, TOC), nunca como monoterapia principal. O tratamento de primeira linha é psicoterápico (TCC, terapia familiar) e multidisciplinar.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta e completa. Avaliar o risco clínico imediato (hipocalemia, bradicardia, hipotensão ortostática) é o primeiro passo para prevenir complicações fatais. Corrigir os distúrbios eletrolíticos (potássio, magnésio) é essencial, lembrando que a hipomagnesemia pode perpetuar a hipocalemia. Garantir suporte nutricional gradual previne a síndrome de realimentação. E o encaminhamento para equipe multidisciplinar (nutricionista, psiquiatra, psicólogo) é o padrão-ouro no manejo da anorexia nervosa, pois aborda as dimensões clínica, nutricional e psiquiátrica da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao condicionar a internação apenas à recusa do tratamento. A internação é indicada por critérios clínicos objetivos, independentemente da concordância do paciente: instabilidade hemodinâmica (bradicardia, hipotensão), distúrbios eletrolíticos graves (hipocalemia < 3 mEq/L), arritmias, desidratação, risco de suicídio, falha do tratamento ambulatorial ou perda ponderal rápida e acentuada. A paciente desta questão, com hipocalemia de 2,8 mEq/L e bradicardia, preenche critérios para considerar internação, mesmo que aceite tratamento ambulatorial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao postergar a intervenção psiquiátrica e nutricional até IMC < 15 kg/m². Não existe esse limiar para iniciar o tratamento: a anorexia nervosa deve ser tratada precocemente, e a paciente já apresenta IMC 16 kg/m² com complicações clínicas (hipocalemia, bradicardia) que exigem intervenção imediata. Além disso, a reposição eletrolítica "de rotina" sem monitorização e sem suporte nutricional é insuficiente e perigosa — a correção deve ser feita em conjunto com a realimentação gradual e o acompanhamento clínico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as prioridades no manejo da anorexia nervosa. Aqui, a armadilha é achar que, por ser um transtorno psiquiátrico, o tratamento principal é o antidepressivo (letra B) ou que a internação depende da recusa do paciente (letra D). Na verdade, a conduta inicial é sempre clínica: estabilizar o risco imediato (eletrólitos, coração) antes de qualquer outra intervenção. Lembre-se: hipocalemia grave + bradicardia = risco de morte súbita, e isso manda em tudo. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de conduta em transtornos alimentares, memorize a hierarquia de prioridades: 1º) risco clínico imediato (eletrólitos, sinais vitais, arritmias); 2º) correção eletrolítica e hidratação; 3º) realimentação gradual (cuidado com síndrome de realimentação); 4º) equipe multidisciplinar (médico, nutricionista, psiquiatra, psicólogo). A internação é indicada por critérios objetivos de risco, não pela recusa do paciente. Essa sequência resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C

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