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Mulher, 72 anos, previamente ativa, apresenta há 2 anos perda progressiva de memória recente, dificuldade em realizar tarefas complexas do cotidiano e desorientação espacial. A família refere episódios de irritabilidade e perda da capacidade de julgamento. O exame neurológico não mostra sinais motores relevantes. Tomografia de crânio evidencia atrofia cortical difusa predominante em região temporoparietal. Não há história de uso abusivo de álcool, nem sintomas depressivos significativos. Qual é o diagnóstico mais provável considerando o caso apresentado?
ADemência frontotemporal, caracterizada principalmente por alterações precoces de comportamento e linguagem, com preservação relativa da memória inicial.
BDemência vascular, geralmente associada à evolução em degraus, déficits focais e história de eventos cerebrovasculares prévios.
CDoença de Alzheimer, que apresenta curso insidioso e progressivo, com perda inicial de memória recente e atrofia temporoparietal.
DDemência com corpos de Lewy, que se manifesta precocemente com alucinações visuais vívidas e parkinsonismo associado.
EComprometimento cognitivo leve, caracterizado por declínio de memória sem impacto funcional significativo nas atividades de vida diária.
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GabaritoC — Doença de Alzheimer, que apresenta curso insidioso e progressivo, com perda inicial de memória recente e atrofia temporoparietal.
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Demências: diagnóstico diferencial na prática clínica
Gabarito: letra C. O caso descreve uma paciente idosa com perda progressiva de memória recente, dificuldade em tarefas complexas, desorientação espacial e atrofia cortical difusa predominante em região temporoparietal na tomografia — quadro clássico de Doença de Alzheimer, que cursa com início insidioso, comprometimento amnéstico inicial e atrofia temporoparietal. As demais alternativas apresentam características de outras demências que não se encaixam no perfil descrito.
A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, responsável por mais da metade dos casos nos países ocidentais. Seu diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em critérios como os do NIA-AA (National Institute on Aging e Alzheimer's Association), que exigem: início insidioso (meses a anos), história clara de declínio cognitivo referida por informante, e déficit cognitivo proeminente em uma das categorias — sendo a apresentação amnésica a mais comum, com prejuízo no aprendizado e na evocação de informações recentemente aprendidas. A neuroimagem (TC ou RM) é realizada para excluir outras causas, como doença vascular, e pode evidenciar atrofia cortical, especialmente em regiões temporoparietais, como no caso.
O diagnóstico diferencial das demências é um dos pontos mais cobrados em provas de geriatria e neurologia. Cada tipo tem um padrão clínico e de neuroimagem característico:
Demência frontotemporal (DFT): cursa com alterações precoces de comportamento (desinibição, apatia, hiperoralidade) ou de linguagem (afasia progressiva primária), com preservação relativa da memória nas fases iniciais. A atrofia predominante é frontal e/ou temporal anterior.
Demência vascular: geralmente associada a fatores de risco vascular, evolução em degraus (pioras súbitas), déficits focais e história de AVC. A neuroimagem mostra lesões isquêmicas.
Demência com corpos de Lewy (DCL): caracteriza-se por alucinações visuais vívidas, parkinsonismo, flutuação cognitiva e distúrbio comportamental do sono REM.
Comprometimento cognitivo leve (CCL): declínio cognitivo mensurável, mas sem impacto funcional significativo nas atividades de vida diária — não preenche critérios de demência.
No caso apresentado, a paciente tem perda progressiva de memória recente (sintoma amnéstico inicial), dificuldade em tarefas complexas (disfunção executiva), desorientação espacial (comprometimento visuoespacial) e irritabilidade/perda de julgamento (sintomas neuropsiquiátricos) — todos compatíveis com DA. A ausência de sinais motores relevantes, de história de AVC e de alucinações/parkinsonismo afasta as outras hipóteses. A atrofia temporoparietal é o achado de neuroimagem típico da DA, reforçando o diagnóstico.
A banca explora a confusão entre as demências, oferecendo alternativas com características de outras entidades. O ponto-chave é identificar o padrão de comprometimento inicial e os achados de neuroimagem para diferenciar cada tipo.
Demências: diagnóstico diferencial: Alzheimer (Perda de memória recente, Atrofia temporoparietal); Frontotemporal (Alterações de comportamento/linguagem, Atrofia frontal/temporal anterior); Vascular (Evolução em degraus, Déficits focais); Corpos de Lewy (Alucinações visuais, Parkinsonismo); Comprometimento cognitivo leve (Sem impacto funcional)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A demência frontotemporal (DFT) caracteriza-se por alterações precoces de comportamento e linguagem, com preservação relativa da memória inicial. No caso, a paciente apresenta perda progressiva de memória recente como sintoma inicial, o que é mais típico de Alzheimer. Além disso, a atrofia na DFT é predominantemente frontal e/ou temporal anterior, não temporoparietal difusa. A alternativa descreve corretamente a DFT, mas não se aplica ao caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A demência vascular geralmente cursa com evolução em degraus, déficits focais e história de eventos cerebrovasculares prévios. A paciente tem curso insidioso e progressivo (há 2 anos), sem déficits focais e sem história de AVC. A neuroimagem mostraria lesões isquêmicas, não atrofia cortical difusa predominante temporoparietal. Portanto, não é o diagnóstico mais provável.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Alzheimer apresenta curso insidioso e progressivo, com perda inicial de memória recente (apresentação amnésica), dificuldade em tarefas complexas (função executiva), desorientação espacial (comprometimento visuoespacial) e sintomas neuropsiquiátricos (irritabilidade, perda de julgamento). A atrofia cortical difusa predominante em região temporoparietal é o achado típico de neuroimagem. Todos os elementos do caso se encaixam nos critérios diagnósticos de DA provável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A demência com corpos de Lewy (DCL) manifesta-se precocemente com alucinações visuais vívidas e parkinsonismo (rigidez, bradicinesia, tremor). A paciente não apresenta esses sintomas — o exame neurológico não mostra sinais motores relevantes. Além disso, a atrofia temporoparietal não é o padrão típico da DCL, que costuma ter envolvimento mais difuso ou occipital. Portanto, não é o diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O comprometimento cognitivo leve (CCL) caracteriza-se por declínio de memória sem impacto funcional significativo nas atividades de vida diária. A paciente apresenta dificuldade em realizar tarefas complexas do cotidiano e perda da capacidade de julgamento, o que indica impacto funcional — preenchendo critérios de demência, não de CCL. Além disso, a atrofia cortical difusa na TC é um achado que sugere neurodegeneração avançada, mais compatível com demência estabelecida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as características das demências entre si. A pegadinha clássica é apresentar a DFT (alternativa A) como se fosse o caso, mas o sintoma inicial de perda de memória recente aponta para Alzheimer, não para DFT. Outra armadilha é confundir CCL com demência: a presença de impacto funcional (dificuldade em tarefas do cotidiano) exclui CCL. Fique atento ao padrão de comprometimento inicial e aos achados de neuroimagem — são eles que separam as demências.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as demências na prova, monte uma tabela mental com os sintomas iniciais e a neuroimagem de cada tipo: