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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg483177
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto - Anestesiologia,Cirurgia Cardiovascular,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Ginecologia e Obstetrícia,Medicina Intensiva,Neurocirurgia,Ortopedia e Traumatologia,Pediatria,Psiquiatria
Mulher, 29 anos, HIV negativa, comparece ao pronto atendimento com úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares, fundo necrótico, associadas à adenopatia inguinal dolorosa e supurativa. Relata início dos sintomas há 6 dias após relação sexual desprotegida com novo parceiro. Considerando a fisiopatologia, a apresentação clínica e as principais IST ulcerativas, qual é a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para o caso?
  1. AIniciar tratamento empírico para sífilis primária com penicilina benzatina, pois a presença de úlcera genital é altamente sugestiva de Treponema pallidum.
  2. BSolicitar sorologias para HIV e sífilis, e iniciar empiricamente aciclovir oral, pois a apresentação clínica sugere herpes genital.
  3. CRealizar punção da adenopatia inguinal para cultura e iniciar empiricamente ceftriaxona, pois o quadro é mais compatível com linfogranuloma venéreo.
  4. DIniciar empiricamente azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino, pois a apresentação clínica é sugestiva de cancroide por Haemophilus ducreyi.
  5. EManter conduta expectante, apenas coletando exames laboratoriais confirmatórios, já que o tratamento precoce pode mascarar o diagnóstico definitivo.
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GabaritoD — Iniciar empiricamente azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino, pois a apresentação clínica é sugestiva de cancroide por Haemophilus ducreyi.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlceras genitais: diagnóstico sindrômico e tratamento

Gabarito: letra D. O quadro descrito — úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares e fundo necrótico, associadas a adenopatia inguinal dolorosa e supurativa, com início há 6 dias — é classicamente compatível com cancroide (cancro mole), causado pelo Haemophilus ducreyi. A conduta mais adequada é o tratamento empírico imediato com azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para IST.

O cancroide é uma infecção bacteriana sexualmente transmissível causada pelo bacilo Gram-negativo Haemophilus ducreyi. Sua apresentação clássica é justamente a que o enunciado descreve: úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares e fundo necrótico (com aspecto "sujo"), frequentemente acompanhadas de adenopatia inguinal dolorosa que pode evoluir para supuração (bubão). O período de incubação é curto, geralmente de 3 a 10 dias, o que explica o início dos sintomas 6 dias após a relação sexual de risco. É importante destacar que os aspectos clínicos das úlceras genitais têm baixo poder preditivo do agente etiológico — mesmo nos casos clássicos, a sensibilidade e especificidade da impressão clínica são limitadas. Por isso, o Ministério da Saúde preconiza a abordagem sindrômica: diante de uma úlcera genital sem vesículas (que sugeririam herpes), deve-se tratar presuntivamente as duas causas mais frequentes: sífilis primária e cancroide.

A distinção entre as principais IST ulcerativas é fundamental para a prática clínica. A sífilis primária (cancro duro) apresenta-se como úlcera geralmente única, indolor, com base endurecida e fundo limpo. O herpes genital cursa com vesículas agrupadas sobre base eritematosa, muito dolorosas, que evoluem para pequenas úlceras. O linfogranuloma venéreo (LGV) manifesta-se inicialmente com uma pápula ou úlcera pequena e transitória, seguida de adenopatia inguinal dolorosa que pode fistulizar. A donovanose (granuloma inguinal) caracteriza-se por lesões ulcerativas indolores, com aspecto granulomatoso e sangramento fácil. O cancroide, por sua vez, é a úlcera dolorosa, múltipla, de bordas irregulares e fundo necrótico, com adenopatia inguinal supurativa — exatamente o quadro da paciente.

A conduta correta diante de uma úlcera genital é sempre oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, além de iniciar o tratamento empírico imediato baseado na síndrome clínica. Não se deve aguardar resultados de exames para tratar, pois o tratamento precoce é medida de prevenção e controle da disseminação do HIV — a presença de úlcera genital aumenta o risco de transmissão e aquisição do vírus. O tratamento do cancroide, segundo o PCDT, é feito com azitromicina 500 mg (2 comprimidos) VO dose única, ou alternativamente ceftriaxona 250 mg IM dose única, ou ciprofloxacino 500 mg VO 2x/dia por 3 dias. A alternativa D menciona azitromicina 1 g VO dose única, que é o esquema recomendado pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA, também válido e amplamente aceito.

A pegadinha central desta questão está em reconhecer que, apesar de a sífilis ser uma causa frequente de úlcera genital, o quadro descrito não é compatível com sífilis primária (que é indolor, única e de fundo limpo). A banca explora a confusão entre as características clínicas das diferentes IST ulcerativas. O diagnóstico sindrômico, baseado na apresentação clínica, é a ferramenta que permite iniciar o tratamento correto sem depender de exames laboratoriais, que podem demorar ou não estar disponíveis. Guarde bem as características distintivas de cada úlcera: dor, número de lesões, bordas, fundo e presença de adenopatia — é exatamente nelas que as alternativas se dividem.

Critério

Cancroide (H. ducreyi)

Sífilis primária

Herpes genital

Linfogranuloma venéreo

Dor

Intensa

Ausente/leve

Intensa

Variável

Número de lesões

Múltiplas

Geralmente única

Múltiplas (vesículas agrupadas)

Única/pequena e transitória

Bordas

Irregulares

Endurecidas

Eritematosas

Indistintas

Fundo

Necrótico ("sujo")

Limpo

Vesículas → pequenas úlceras

Pápula/úlcera discreta

Adenopatia inguinal

Dolorosa, supurativa (bubão)

Indolor, não supurativa

Ausente/inespecífica

Dolorosa, pode fistulizar

Tratamento de escolha

Azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino

Penicilina benzatina

Aciclovir oral

Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 21 dias

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sífilis primária (cancro duro) apresenta-se como úlcera geralmente única, indolor, com base endurecida e fundo limpo, rica em treponemas. O quadro da paciente — úlceras múltiplas, dolorosas, de bordas irregulares e fundo necrótico — é o oposto. Além disso, a adenopatia na sífilis é geralmente indolor e não supurativa. Iniciar penicilina benzatina sem outras evidências seria inadequado, pois o quadro clínico aponta para outra etiologia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O herpes genital caracteriza-se por vesículas agrupadas sobre base eritematosa, muito dolorosas, que evoluem para pequenas úlceras. O enunciado não menciona vesículas, e a adenopatia inguinal supurativa é atípica para herpes. Embora o aciclovir seja o tratamento correto para herpes, a apresentação clínica descrita é mais compatível com cancroide. A alternativa erra ao priorizar o herpes sem os sinais característicos (vesículas) e sem considerar a adenopatia supurativa, que é um forte indicativo de cancroide ou LGV.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O linfogranuloma venéreo (LGV) manifesta-se inicialmente com uma pápula ou úlcera pequena e transitória, muitas vezes imperceptível, seguida de adenopatia inguinal dolorosa que pode fistulizar (bubão). A úlcera do LGV não é tipicamente múltipla, dolorosa e necrótica como a do cancroide. Além disso, a punção da adenopatia para cultura não é o método diagnóstico de primeira linha, e o tratamento do LGV é feito com doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 21 dias, não com ceftriaxona. A alternativa confunde as características do LGV com as do cancroide.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro clínico é classicamente compatível com cancroide (cancro mole) por Haemophilus ducreyi: úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares e fundo necrótico, associadas a adenopatia inguinal dolorosa e supurativa, com início agudo (6 dias) após relação sexual desprotegida. O tratamento empírico imediato é a conduta correta, conforme a abordagem sindrômica do Ministério da Saúde. A azitromicina 1 g VO dose única é um dos esquemas recomendados (também pelo CDC), e o ciprofloxacino é alternativa válida (exceto para gestantes e lactantes). A conduta não deve aguardar confirmação laboratorial, pois o tratamento precoce é essencial para o controle da doença e prevenção da disseminação do HIV.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A conduta expectante é totalmente inadequada. O tratamento empírico imediato é a recomendação do Ministério da Saúde para úlceras genitais, baseado na abordagem sindrômica. Aguardar exames confirmatórios pode retardar o tratamento, aumentar o risco de complicações e facilitar a transmissão do HIV — a úlcera genital é um importante fator de risco para aquisição e transmissão do vírus. O tratamento precoce não "mascara" o diagnóstico definitivo de forma a prejudicar o paciente; pelo contrário, é medida de prevenção e controle. Além disso, os exames laboratoriais (como sorologias) podem não estar disponíveis ou demorar, e a conduta sindrômica é justamente para não depender deles.

Gabarito: letra D — a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada é iniciar empiricamente azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino, pois a apresentação clínica é sugestiva de cancroide por Haemophilus ducreyi.

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