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Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Hematologia em Biomedicina — FUNDATEC 2025

Biomedicina - Análises ClínicasHematologia em Biomedicina
Código
qg483183
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biologia/Biomedicina em Hematologia e Hemoterapia
Paciente, 52 anos, com cansaço ao esforço físico, perda de peso, mal-estar recorrente e sudorese noturna. Ao exame físico, apresentou esplenomegalia e linfadenopatia leve. Características laboratoriais: contagem total de leucócitos 90×10⁹ /L, contagem diferencial com espectro completo de células granulocíticas: 7% de blastos (alguns com bastão de auer), número de mielócitos e metamielócitos superiores ao dos outros tipos celulares; monocitose, basofilia e eosinofilia presentes; anemia normocítica e normocrômica; trombocitose; citogenética t(9:22)(q34;q11)BCR-ABL. Qual é o diagnóstico mais provável?
  1. AReação leucemoide granulocítica.
  2. BLeucemia linfocítica aguda.
  3. CLeucemia linfocítica crônica.
  4. DLeucemia mieloide aguda.
  5. ELeucemia mieloide crônica.
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GabaritoE — Leucemia mieloide crônica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC) – Diagnóstico Laboratorial

Gabarito: letra E. O quadro clínico-laboratorial descrito — leucocitose extrema (90×10⁹/L) com espectro completo de células granulocíticas (mielócitos e metamielócitos predominantes), basofilia, eosinofilia, monocitose, esplenomegalia e, decisivamente, a translocação t(9;22)(q34;q11) BCR-ABL — é a assinatura clássica da leucemia mieloide crônica (LMC). A presença do cromossomo Philadelphia (BCR-ABL) é o marcador genético que fecha o diagnóstico, distinguindo-a das demais leucemias e da reação leucemoide.

A LMC é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela proliferação clonal de células da linhagem mieloide com manutenção da capacidade de diferenciação, o que explica o "espectro completo" de granulócitos no sangue periférico — desde blastos (em pequena porcentagem) até neutrófilos maduros, passando por promielócitos, mielócitos e metamielócitos. Essa é a diferença fundamental para as leucemias agudas, em que há bloqueio de maturação e predomínio de blastos. Na LMC, a doença costuma evoluir em três fases: crônica (diagnóstico usual, com leucocitose marcante e sintomas constitucionais leves), acelerada e blástica (transformação para leucemia aguda).

O achado citogenético é o ponto-chave: a translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22, t(9;22)(q34;q11), gera o gene de fusão BCR-ABL, que codifica uma tirosina-quinase constitutivamente ativa, responsável pela proliferação descontrolada das células mieloides. Esse é o alvo terapêutico dos inibidores de tirosina-quinase (como o imatinibe). A presença desse marcador é praticamente patognomônica da LMC, embora possa aparecer em uma minoria de casos de LLA (leucemia linfoide aguda) — mas, no contexto clínico apresentado, aponta inequivocamente para a LMC.

Os sintomas constitucionais (perda de peso, sudorese noturna, mal-estar) e a esplenomegalia são comuns nas neoplasias mieloproliferativas, mas a combinação com a leucocitose granulocítica completa e a basofilia é altamente sugestiva de LMC. A anemia normocítica e normocrômica e a trombocitose também são achados frequentes, pois a medula óssea está ocupada pela proliferação mieloide, comprometendo a eritropoiese, enquanto as plaquetas podem estar elevadas.

A distinção crucial que a banca explora é entre LMC e reação leucemoide granulocítica (alternativa A). A reação leucemoide é uma resposta leucocitária reativa a infecções, inflamações ou tumores, com leucocitose neutrofílica, mas sem basofilia, sem esplenomegalia marcante e, principalmente, sem o cromossomo Philadelphia. Além disso, na reação leucemoide, a fosfatase alcalina leucocitária (FAL) está elevada, enquanto na LMC está reduzida — um teste citoquímico clássico de diferenciação. A presença de blastos com bastão de Auer (7%) também não é típica da LMC em fase crônica, mas pode ocorrer em pequena quantidade; o bastão de Auer é mais característico da LMA, mas a baixa porcentagem de blastos e o predomínio de formas intermediárias (mielócitos/metamielócitos) afastam o diagnóstico de leucemia aguda.

Guarde o critério decisivo: a presença da translocação BCR-ABL (cromossomo Philadelphia) é o divisor de águas — ela está presente na LMC e ausente na reação leucemoide e nas demais leucemias listadas. É exatamente nesse ponto que as alternativas se separam.

Critério

LMC (Leucemia Mieloide Crônica)

Reação Leucemoide Granulocítica

Mecanismo

Neoplasia mieloproliferativa clonal

Resposta reativa a infecção/inflamação/tumor

Basofilia/eosinofilia

Presentes (basofilia típica)

Ausentes (neutrofilia predominante)

Esplenomegalia

Frequente e marcante

Geralmente ausente ou discreta

Fosfatase alcalina leucocitária (FAL)

Reduzida

Elevada

Translocação t(9;22) BCR-ABL

Presente (cromossomo Philadelphia)

Ausente

1Fase crônica
Espectro completo granulocítico
Basofilia e eosinofilia
Esplenomegalia
2Fase acelerada
Blastos 10–19%
3Fase blástica
Blastos ≥20%
Transformação aguda
LMC (t(9;22) BCR-ABL)
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LMC (t(9;22) BCR-ABL): Fase crônica (Espectro completo granulocítico, Basofilia e eosinofilia, Esplenomegalia); Fase acelerada (Blastos 10–19%); Fase blástica (Blastos ≥20%, Transformação aguda)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reação leucemoide granulocítica é uma leucocitose reativa, geralmente neutrofílica, que ocorre em resposta a infecções, inflamações ou neoplasias não hematológicas. Embora possa cursar com leucocitose importante e desvio à esquerda, não apresenta basofilia, eosinofilia e monocitose simultâneas, nem esplenomegalia marcante, e não possui a translocação t(9;22) BCR-ABL. A presença do cromossomo Philadelphia é o achado que exclui definitivamente essa hipótese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A leucemia linfoide aguda (LLA) é uma neoplasia de células linfoides imaturas (linfoblastos), com bloqueio de maturação e predomínio de blastos linfoides no sangue e na medula. O quadro descrito mostra espectro completo de células granulocíticas (mielócitos, metamielócitos), basofilia e eosinofilia — características de linhagem mieloide, não linfoide. Além disso, a LLA não apresenta a translocação BCR-ABL (embora uma minoria de casos de LLA possa ter essa translocação, o contexto clínico e hematológico aponta para LMC).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A leucemia linfocítica crônica (LLC) é uma neoplasia de linfócitos B maduros, com linfocitose absoluta no sangue periférico (geralmente >5×10⁹/L), linfadenopatia e esplenomegalia. O hemograma mostra predomínio de linfócitos pequenos maduros, não de granulócitos em vários estágios de maturação. A presença de basofilia, eosinofilia, monocitose e a translocação BCR-ABL são incompatíveis com LLC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A leucemia mieloide aguda (LMA) é caracterizada por bloqueio de maturação e predomínio de blastos (≥20% na medula ou sangue), frequentemente com bastões de Auer. No caso, os blastos representam apenas 7% e há espectro completo de células granulocíticas, com mielócitos e metamielócitos predominantes — o que indica diferenciação preservada, típica de doença crônica. Além disso, a LMA não apresenta a translocação t(9;22) BCR-ABL como marcador definidor (embora possa haver alterações citogenéticas, não é essa). A trombocitose também é mais comum na LMC do que na LMA (que costuma cursar com plaquetopenia).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A leucemia mieloide crônica (LMC) é a neoplasia mieloproliferativa que se apresenta com leucocitose extrema, espectro completo de granulócitos (mielócitos e metamielócitos predominantes), basofilia, eosinofilia, monocitose, esplenomegalia e sintomas constitucionais. O achado citogenético t(9;22)(q34;q11) BCR-ABL (cromossomo Philadelphia) é o marcador patognomônico que confirma o diagnóstico. A anemia normocítica e a trombocitose são achados associados frequentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a alternativa A (reação leucemoide), que também cursa com leucocitose. A diferença está na basofilia e, principalmente, na translocação BCR-ABL, que só existe na LMC. Se o enunciado trouxer o cromossomo Philadelphia, a resposta é LMC — não caia na armadilha de pensar apenas na contagem de leucócitos.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar LMC de reação leucemoide na prova, monte uma tabela mental: LMC tem basofilia, esplenomegalia, FAL reduzida e BCR-ABL positivo; reação leucemoide tem neutrofilia, sem basofilia, FAL elevada e BCR-ABL negativo. A presença do cromossomo Philadelphia é o critério de ouro.

Gabarito: letra E

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