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Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Transfusão e Transplante — FUNDATEC 2025

Biomedicina - Análises ClínicasTransfusão e Transplante
Código
qg483192
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biologia/Biomedicina em Hematologia e Hemoterapia
Um paciente de 16 anos, portador de esferocitose hereditária grave, evolui com anemia hemolítica crônica, esplenomegalia e múltiplas transfusões prévias de hemácias. Após falha clínica com esplenectomia, foi indicado transplante alogênico de medula óssea (TMO) como opção curativa. Sobre o suporte transfusional neste cenário, analise as assertivas a seguir:I. Pacientes com esferocitose hereditária podem necessitar de transfusões periódicas de hemácias, devendo-se priorizar concentrados fenotipados e leucorreduzidos, pela possibilidade de aloimunização eritrocitária.II. Durante e após o TMO, todas as hemácias e plaquetas devem ser irradiadas para prevenir reação enxerto versus hospedeiro associada à transfusão.III. A esplenectomia prévia reduz o risco de aloimunização transfusional, dispensando a necessidade de fenotipagem estendida dos hemocomponentes.IV. O suporte transfusional plaquetário no TMO segue protocolos gerais, com transfusão profilática indicada quando contagens <10.000/µL, ou em níveis superiores na presença de sangramento ou fatores de risco adicionais.V. Em pacientes submetidos a múltiplas transfusões, a sobrecarga de ferro deve ser monitorada, e pode ser necessária terapia quelante, mesmo após o transplante.Quais estão corretas?
  1. AApenas II e IV.
  2. BApenas I, III e IV.
  3. CApenas II, III e V.
  4. DApenas I, II, IV e V.
  5. EI, II, III, IV e V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I, II, IV e V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Suporte transfusional na esferocitose hereditária e TMO

Gabarito: letra D. Estão corretas as assertivas I, II, IV e V. A assertiva III é incorreta porque a esplenectomia prévia não reduz o risco de aloimunização eritrocitária — pelo contrário, pacientes esplenectomizados e multitransfundidos têm risco aumentado de aloimunização, e a fenotipagem estendida permanece indicada. As demais assertivas refletem condutas corretas: fenotipagem e leucorredução para prevenir aloimunização (I), irradiação de hemocomponentes no TMO para prevenir DECH associada à transfusão (II), gatilho plaquetário profilático <10.000/µL (IV) e monitoramento de sobrecarga de ferro com possível terapia quelante (V).

A esferocitose hereditária é uma anemia hemolítica por defeito de membrana eritrocitária, que cursa com hemólise crônica, esplenomegalia e necessidade transfusional em casos graves. O transplante alogênico de medula óssea é opção curativa, mas o suporte transfusional nesse cenário exige cuidados específicos para evitar complicações imunológicas e infecciosas.

Fenotipagem e leucorredução: pacientes com anemias hemolíticas hereditárias, como a esferocitose, frequentemente necessitam de transfusões repetidas. A exposição repetida a antígenos eritrocitários estranhos pode levar à formação de aloanticorpos (aloimunização), o que dificulta transfusões futuras e aumenta o risco de reações transfusionais. Por isso, recomenda-se o uso de concentrados de hemácias fenotipados (pelo menos para os antígenos mais imunogênicos, como Rh e Kell) e leucorreduzidos (para reduzir a aloimunização HLA e prevenir reações febris não hemolíticas e transmissão de CMV). Essa conduta é especialmente importante em pacientes que serão submetidos a TMO, pois a aloimunização pode comprometer o sucesso do transplante.

Irradiação de hemocomponentes: durante e após o TMO, o paciente está imunossuprimido e em risco de desenvolver a doença do enxerto contra o hospedeiro associada à transfusão (DECH-AT), uma complicação grave e frequentemente fatal causada pela proliferação de linfócitos T viáveis do doador no receptor. A irradiação gama (25 Gy) dos hemocomponentes celulares (hemácias e plaquetas) inativa os linfócitos, prevenindo essa complicação. A irradiação é indicada para todos os pacientes pós-TMO, autólogo ou alogênico, e deve ser mantida enquanto houver risco de DECH-AT, geralmente por toda a vida ou enquanto o paciente estiver imunossuprimido.

Suporte plaquetário: no TMO, a trombocitopenia é esperada devido ao condicionamento mieloablativo. A transfusão profilática de plaquetas é indicada quando a contagem está abaixo de 10.000/µL na ausência de fatores de risco. Em pacientes com sangramento ativo, febre, infecção, esplenomegalia ou uso de medicamentos que afetam a função plaquetária, o gatilho é mais alto (geralmente 20.000/µL). Essa conduta visa prevenir hemorragias graves, especialmente intracranianas.

Sobrecarga de ferro: pacientes multitransfundidos acumulam ferro, principalmente no fígado, coração e pâncreas, levando a disfunção orgânica. A monitorização da ferritina sérica e a terapia quelante (deferasirox, deferiprona, desferroxamina) são essenciais para prevenir a hemocromatose secundária. Após o TMO, a sobrecarga de ferro pode persistir, e a quelação pode ser necessária até que os estoques de ferro se normalizem.

A assertiva III é a única incorreta. A esplenectomia reduz a hemólise e a necessidade transfusional, mas não reduz o risco de aloimunização. Na verdade, pacientes esplenectomizados podem ter risco aumentado de aloimunização devido à maior exposição antigênica e à ausência do baço, que participa da remoção de hemácias sensibilizadas. Portanto, a fenotipagem estendida continua sendo recomendada.

Assertiva I — ✅ Correta

Correta. Pacientes com esferocitose hereditária grave podem necessitar de transfusões periódicas de hemácias. A priorização de concentrados fenotipados e leucorreduzidos é uma medida fundamental para reduzir o risco de aloimunização eritrocitária, que é uma complicação comum em pacientes multitransfundidos. A fenotipagem permite selecionar unidades compatíveis para antígenos além do ABO/RhD, e a leucorredução diminui a exposição a leucócitos do doador, reduzindo a aloimunização HLA e o risco de reações febris.

Assertiva II — ✅ Correta

Correta. Durante e após o TMO, todos os hemocomponentes celulares (hemácias e plaquetas) devem ser irradiados para prevenir a doença do enxerto contra o hospedeiro associada à transfusão (DECH-AT). A irradiação gama (25 Gy) inativa os linfócitos T do doador, que são os responsáveis pela DECH-AT. Essa é uma medida obrigatória em pacientes pós-TMO, pois a imunossupressão os torna particularmente suscetíveis a essa complicação.

Assertiva III — ❌ Incorreta

Incorreta. A esplenectomia prévia não reduz o risco de aloimunização transfusional. Pelo contrário, pacientes esplenectomizados podem ter risco aumentado de aloimunização, pois a ausência do baço compromete a remoção de hemácias sensibilizadas e pode levar a uma resposta imune mais intensa. Portanto, a fenotipagem estendida dos hemocomponentes permanece indicada e não pode ser dispensada. A esplenectomia reduz a hemólise e a necessidade transfusional, mas não elimina o risco de aloimunização.

Assertiva IV — ✅ Correta

Correta. O suporte transfusional plaquetário no TMO segue protocolos gerais, com transfusão profilática indicada quando a contagem de plaquetas está <10.000/µL na ausência de fatores de risco. Em pacientes com sangramento ativo, febre, infecção, esplenomegalia ou outros fatores de risco, o gatilho é mais alto (geralmente 20.000/µL). Essa conduta visa prevenir hemorragias graves, especialmente intracranianas, durante o período de aplasia medular pós-condicionamento.

Assertiva V — ✅ Correta

Correta. Pacientes submetidos a múltiplas transfusões acumulam ferro, e a sobrecarga de ferro deve ser monitorada por meio da dosagem de ferritina sérica. A terapia quelante pode ser necessária para prevenir a hemocromatose secundária, que pode causar danos ao fígado, coração e pâncreas. Após o TMO, a sobrecarga de ferro pode persistir, e a quelação pode ser necessária até que os estoques de ferro se normalizem.

Conclusão: Corretas: I, II, IV e V → portanto a alternativa é a letra D.

Gabarito: letra D

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