Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Transfusão e Transplante — FUNDATEC 2025
Biomedicina - Análises Clínicas›Transfusão e Transplante
Código
qg483194
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biologia/Biomedicina em Hematologia e Hemoterapia
Um paciente de 42 anos, portador de talassemia major, está internado para transfusão de hemácias. Durante a triagem pré-transfusional, foram detectadas as seguintes alterações:• Sorologia: anti-HIV, anti-HCV e HBsAg reagentes em teste inicial; exames confirmatórios pendentes.• Imunoensaios detectaram anticorpos irregulares múltiplos: anti-C, anti-E e anti-K.• Testes de biologia molecular indicaram ausência do gene para RhC e presença de RhE e K.• Provas cruzadas: incompatibilidade parcial com hemácias ABO/RhD comuns.• Histórico de múltiplas transfusões prévias, sem reações agudas.Com base nesses dados, assinale a alternativa que apresenta a conduta transfusional segura mais adequada.
ATransfundir hemácias compatíveis apenas por ABO e RhD, ignorando anticorpos irregulares e resultados moleculares, pois o paciente não apresentou reação aguda em transfusões anteriores.
BSuspender qualquer transfusão até a completa confirmação sorológica, pois a presença de anticorpos múltiplos aumenta o risco de transmissão de HIV, HCV e HBV.
CLiberar hemácias comuns, pois a incompatibilidade parcial e a presença de múltiplos anticorpos não contraindicam transfusão em pacientes com talassemia major.
DSelecionar hemácias compatíveis por ABO, RhD e fenotipagem estendida (C-, E-, K-), realizando transfusão após confirmação molecular e sorológica, com monitoramento clínico próximo.
ERealizar apenas transfusão de hemácias autólogas, mesmo sem disponibilidade imediata, para evitar qualquer risco de aloimunização ou transmissão de patógenos.
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GabaritoD — Selecionar hemácias compatíveis por ABO, RhD e fenotipagem estendida (C-, E-, K-), realizando transfusão após confirmação molecular e sorológica, com monitoramento clínico próximo.
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Conduta transfusional em paciente aloimunizado com talassemia major
Gabarito: letra D. A conduta segura mais adequada é selecionar hemácias compatíveis por ABO, RhD e fenotipagem estendida (C-, E-, K-), realizando a transfusão após confirmação molecular e sorológica, com monitoramento clínico próximo. Isso porque o paciente apresenta anticorpos irregulares clinicamente significativos (anti-C, anti-E e anti-K), o que exige a transfusão de unidades que não contenham os antígenos correspondentes, conforme a Portaria de Consolidação MS/GM nº 5/2017 (origem PRT MS/GM 158/2016).
A talassemia major é uma hemoglobinopatia hereditária que cursa com anemia crônica grave, exigindo transfusões regulares de concentrado de hemácias ao longo da vida. Esse regime transfusional crônico expõe o paciente a antígenos eritrocitários estranhos, levando à aloimunização — a produção de anticorpos contra antígenos de grupos sanguíneos que o paciente não possui. No caso apresentado, o paciente desenvolveu anticorpos contra os antígenos C, E e K, todos clinicamente significativos, ou seja, capazes de causar reações transfusionais hemolíticas agudas ou tardias e reduzir a sobrevida das hemácias transfundidas.
A pesquisa de anticorpos antieritrocitários irregulares (PAI) é um exame pré-transfusional obrigatório. Quando positiva, o passo seguinte é a identificação dos anticorpos e a seleção de unidades que sejam negativas para os antígenos correspondentes. A Portaria de Consolidação MS/GM nº 5/2017, em seu artigo 178, estabelece que será realizado teste de compatibilidade entre o sangue do receptor e amostras das bolsas a serem utilizadas no ato transfusional. E, no contexto de anticorpos clinicamente significativos, a transfusão deve ser feita com unidades que não contenham os antígenos correspondentes, como previsto no artigo 183, § 11, para o período neonatal — princípio que se aplica de forma análoga a qualquer paciente aloimunizado.
A fenotipagem estendida (C, c, E, e, K) é a ferramenta que permite selecionar hemácias compatíveis para esses pacientes. No caso, a biologia molecular confirmou que o paciente é RhC negativo, RhE positivo e K positivo, o que significa que ele pode produzir anticorpos anti-C e anti-K (e, de fato, já os produziu). Portanto, as unidades selecionadas devem ser C- e K- para evitar a reação antígeno-anticorpo. A transfusão deve ser realizada após a confirmação sorológica e molecular, com monitoramento clínico próximo para detectar precocemente qualquer reação transfusional.
A sorologia reagente para HIV, HCV e HBV em teste inicial, com exames confirmatórios pendentes, não contraindica a transfusão em si — o que se avalia é o risco-benefício. O paciente tem indicação clínica de transfusão (talassemia major com anemia crônica), e a presença de marcadores virais no paciente não impede a transfusão, desde que as unidades sejam seguras. A conduta correta é prosseguir com a transfusão, respeitando a compatibilidade imuno-hematológica, e investigar a sorologia do paciente para conduzir seu tratamento antiviral, se necessário.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir a conduta transfusional com a investigação sorológica do paciente. A presença de anticorpos irregulares múltiplos não aumenta o risco de transmissão de HIV, HCV ou HBV — esses riscos estão relacionados à qualidade da triagem do doador, não às características do receptor. Além disso, a ausência de reação aguda em transfusões anteriores não elimina o risco de reações futuras, especialmente com anticorpos clinicamente significativos. A conduta correta é sempre individualizada, baseada na compatibilidade imuno-hematológica e na avaliação clínica do paciente.
Guarde o critério decisivo: paciente aloimunizado com anticorpos clinicamente significativos exige transfusão com unidades que não contenham os antígenos correspondentes, confirmada por fenotipagem estendida e prova cruzada compatível. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
Conduta transfusional segura
1Paciente aloimunizado
Anticorpos clinicamente significativos
anti-C
anti-E
anti-K
Exige unidades sem antígenos correspondentes
C-
E-
K-
2Seleção de hemácias
Compatibilidade ABO/RhD
Fenotipagem estendida
Confirmação molecular e sorológica
3Monitoramento clínico próximo
4Sorologia reagente do paciente
Não contraindica transfusão
Risco de transmissão vem do doador
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Transfundir hemácias compatíveis apenas por ABO e RhD, ignorando anticorpos irregulares e resultados moleculares, é conduta perigosa e inadequada. A presença de anticorpos anti-C, anti-E e anti-K clinicamente significativos exige a seleção de unidades negativas para esses antígenos. Ignorá-los pode levar a reação hemolítica aguda ou tardia, reduzindo a sobrevida das hemácias e agravando a anemia. O histórico de ausência de reação aguda não é garantia de segurança futura, pois a aloimunização pode se manifestar a qualquer momento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Suspender qualquer transfusão até a completa confirmação sorológica é conduta inadequada. A sorologia reagente para HIV, HCV e HBV no paciente não contraindica a transfusão — o que se avalia é a segurança das unidades a serem transfundidas, que passam por rigorosa triagem. A presença de anticorpos irregulares múltiplos não aumenta o risco de transmissão de patógenos; esse risco está relacionado à qualidade da triagem do doador. O paciente tem indicação clínica de transfusão (talassemia major), e a suspensão poderia agravar sua anemia crônica. A conduta correta é prosseguir com a transfusão, respeitando a compatibilidade imuno-hematológica, e investigar a sorologia do paciente para conduzir seu tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Liberar hemácias comuns, pois a incompatibilidade parcial e a presença de múltiplos anticorpos não contraindicam transfusão em pacientes com talassemia major, é conduta incorreta. A presença de anticorpos clinicamente significativos (anti-C, anti-E e anti-K) contraindica a transfusão de unidades que contenham os antígenos correspondentes. A incompatibilidade parcial na prova cruzada é um sinal de alerta que exige investigação e seleção de unidades compatíveis. Transfundir hemácias comuns, ignorando a aloimunização, pode levar a reação hemolítica aguda ou tardia, com consequências graves para o paciente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Selecionar hemácias compatíveis por ABO, RhD e fenotipagem estendida (C-, E-, K-), realizando transfusão após confirmação molecular e sorológica, com monitoramento clínico próximo, é a conduta correta. O paciente apresenta anticorpos anti-C, anti-E e anti-K, todos clinicamente significativos. A fenotipagem estendida permite selecionar unidades que não contenham os antígenos correspondentes, evitando reações transfusionais. A confirmação molecular e sorológica garante a precisão da tipagem, e o monitoramento clínico próximo permite detectar precocemente qualquer reação. Essa conduta está alinhada com as boas práticas hemoterápicas e com a legislação vigente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Realizar apenas transfusão de hemácias autólogas, mesmo sem disponibilidade imediata, para evitar qualquer risco de aloimunização ou transmissão de patógenos, é conduta inadequada. A transfusão autóloga é uma opção válida em situações eletivas, quando há tempo para coleta e armazenamento do sangue do próprio paciente. No entanto, no caso apresentado, o paciente está internado e necessita de transfusão imediata. A indisponibilidade de unidades autólogas não pode impedir a transfusão alogênica, que deve ser realizada com unidades compatíveis. Além disso, a transfusão autóloga não elimina todos os riscos, como contaminação bacteriana durante o processamento.
Gabarito: letra D — a conduta correta é selecionar hemácias compatíveis por ABO, RhD e fenotipagem estendida (C-, E-, K-), com confirmação molecular e sorológica e monitoramento clínico próximo.