Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg483324
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Homem, 42 anos, apresenta dor anal intensa e secreção purulenta há 3 dias. Ao exame, observa-se abscesso perianal de 3 cm, com hiperemia local e flutuação. Sobre o caso apresentado, é correto afirmar que:
AO tratamento clínico exclusivo com antibióticos pode ser eficaz em abscessos pequenos e superficiais, dispensando a drenagem cirúrgica.
BA punção aspirativa guiada por imagem é o método preferencial de escolha, pois reduz o risco de recidiva em comparação à drenagem.
CO tratamento é drenagem cirúrgica imediata, sendo o uso de antibióticos indicado apenas em situações específicas, como em casos de imunossupressão.
DMesmo após drenagem adequada, até um terço dos pacientes pode evoluir com fístula anal posteriormente.
EA drenagem cirúrgica deve ser postergada até que haja delimitação completa da coleção e redução do processo inflamatório local.
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GabaritoC — O tratamento é drenagem cirúrgica imediata, sendo o uso de antibióticos indicado apenas em situações específicas, como em casos de imunossupressão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Abscesso perianal: drenagem cirúrgica como pilar do tratamento
Gabarito: letra C. O abscesso perianal com flutuação exige drenagem cirúrgica imediata; antibióticos são reservados para situações específicas, como imunossupressão, celulite extensa ou doença valvar cardíaca. Essa conduta é consenso na cirurgia geral e está alinhada ao princípio de que "onde há pus, drene-se".
O abscesso perianal é uma coleção purulenta localizada nos espaços anorretais, mais comumente de origem criptoglandular (obstrução de ducto de glândula anal). O quadro clínico típico é dor anal intensa, muitas vezes pulsátil, que piora ao sentar ou evacuar, acompanhada de hiperemia, edema e, na evolução, flutuação — sinal de que a coleção está madura e pronta para drenagem. A flutuação é o achado que define o momento cirúrgico: quando presente, a drenagem não deve ser adiada.
O tratamento de escolha é a incisão e drenagem cirúrgica, que deve ser feita o quanto antes. A drenagem promove a saída do pus, alivia a dor, controla a sepse local e reduz o risco de complicações, como a progressão para abscessos mais profundos ou a formação de fístula anal. Antibióticos, isoladamente, não penetram adequadamente na cavidade do abscesso e não substituem a drenagem — são adjuvantes em casos selecionados.
A indicação de antibióticos é restrita a situações específicas: pacientes imunossuprimidos (diabetes descompensado, HIV, uso de corticoides), sinais sistêmicos de infecção (febre alta, toxemia), celulite extensa, valvopatia cardíaca (profilaxia de endocardite) ou abscesso recidivante. Em pacientes imunocompetentes com abscesso pequeno e sem comorbidades, a drenagem isolada é suficiente, e o uso rotineiro de antibióticos não reduz a recidiva.
Após a drenagem, uma complicação importante é a formação de fístula anal, que ocorre em cerca de 30% a 50% dos casos. Isso acontece porque o abscesso frequentemente se origina de uma cripta infectada que permanece como trajeto fistuloso. Por isso, o paciente deve ser orientado sobre essa possibilidade e acompanhado clinicamente.
A alternativa C está correta porque resume exatamente essa conduta: drenagem imediata + antibióticos apenas em situações específicas. As demais alternativas trazem erros conceituais que a banca usa para testar o conhecimento do candidato.
1Flutuação presente
2Drenagem cirúrgica imediata
3Antibiótico só em casos específicos
4Risco de fístula (30–50%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que antibióticos podem ser eficazes em abscessos pequenos e superficiais, dispensando a drenagem. Isso é falso: mesmo abscessos pequenos, quando há flutuação, devem ser drenados. Antibióticos não penetram na cavidade purulenta e não eliminam a necessidade de drenagem. O tratamento clínico exclusivo é inadequado e pode levar à progressão da infecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A punção aspirativa guiada por imagem não é o método preferencial para abscesso perianal. A drenagem cirúrgica (incisão e drenagem) é o padrão-ouro, pois permite a evacuação completa do pus, a exploração da cavidade e a quebra de septações. A punção aspirativa tem maior risco de recidiva e não é indicada como primeira escolha nesse contexto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente a conduta correta: drenagem cirúrgica imediata é o tratamento de escolha. Antibióticos são indicados apenas em situações específicas, como imunossupressão, celulite extensa, sinais sistêmicos ou profilaxia de endocardite. Essa é a recomendação das principais diretrizes de cirurgia geral e coloproctologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "até um terço" dos pacientes evolui com fístula anal. Na verdade, a incidência é maior: cerca de 30% a 50% dos pacientes desenvolvem fístula após drenagem de abscesso perianal. O número "um terço" (≈33%) está dentro da faixa, mas a alternativa usa "até um terço", o que subestima a real frequência. A literatura médica relata taxas de 30% a 50%, portanto a afirmação é imprecisa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Postergar a drenagem até a delimitação completa da coleção é um erro. A presença de flutuação já indica que a coleção está madura e deve ser drenada imediatamente. A falta de flutuação não é razão para adiar a drenagem em abscessos anais, conforme as diretrizes. A demora aumenta o risco de complicações, como sepse e formação de fístula.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que antibióticos podem substituir a drenagem em abscessos pequenos (alternativa A) e que a drenagem deve ser adiada até a delimitação completa (alternativa E). Na prática, a regra é: flutuação presente = drenar imediatamente. Antibióticos são coadjuvantes, nunca o tratamento principal.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de abscesso, lembre-se do mnemônico "Drene sempre, antibiótico só em casos especiais". As situações que justificam antibióticos são: imunossupressão, celulite extensa, febre alta, valvopatia e recidiva. Se a alternativa falar em "tratamento clínico exclusivo" ou "postergar drenagem", está errada.