Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg483325
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Homem, 59 anos, com adenocarcinoma de cólon esquerdo (sigmoide), é programado para colectomia eletiva. O serviço propõe abordagem laparoscópica. Considerando o contexto apresentado, assinale a alternativa correta.
AIMC elevado (>35 kg/m²) contraindica a laparoscopia, sendo recomendada apenas a cirurgia aberta nesses casos.
BA laparoscopia é limitada a casos selecionados de cólon distal e não pode ser usada em tumores próximos ao reto.
CO tempo cirúrgico laparoscópico é sempre mais curto do que na cirurgia aberta, independentemente da curva de aprendizado.
DA conversão para cirurgia aberta está associada a pior desfecho perioperatório e aumento de complicações.
EA colectomia laparoscópica oncológica, quando realizada por equipe experiente, apresenta resultados oncológicos comparáveis à técnica aberta.
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GabaritoE — A colectomia laparoscópica oncológica, quando realizada por equipe experiente, apresenta resultados oncológicos comparáveis à técnica aberta.
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Colectomia laparoscópica oncológica no adenocarcinoma de cólon
Gabarito: letra E. A colectomia laparoscópica oncológica, quando realizada por equipe experiente, apresenta resultados oncológicos comparáveis à técnica aberta — é exatamente o que sustenta a literatura e o que o contexto da questão confirma ao afirmar que as técnicas minimamente invasivas oferecem "resultados de sobrevida global e sobrevida livre de doença semelhantes ao da cirurgia convencional". As demais alternativas distorcem contraindicações, limitações de acesso, tempo cirúrgico e o significado da conversão.
A cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia) revolucionou o tratamento cirúrgico do adenocarcinoma colorretal. O princípio oncológico permanece idêntico ao da cirurgia aberta: ressecção com margens adequadas (aproximadamente 5 cm), linfadenectomia com ligadura dos vasos nutridores na origem e amostragem mínima de 12 linfonodos. A diferença está na via de acesso — pequenas incisões e câmera —, que proporciona menor trauma parietal, menos dor, menor uso de analgésicos, menor perda sanguínea e internação mais curta, sem comprometer o resultado oncológico.
O que a evidência mostra é que, em mãos experientes, a laparoscopia alcança os mesmos resultados de sobrevida global e sobrevida livre de doença que a cirurgia aberta. Não se trata de uma técnica "inferior" ou "de exceção": é uma via de acesso consagrada, com indicação ampla, desde que o cirurgião tenha curva de aprendizado adequada e os critérios de seleção sejam respeitados.
A conversão para cirurgia aberta, por sua vez, não é um fracasso — é uma decisão técnica de segurança. Quando ocorre, geralmente por dificuldade de progressão, sangramento ou achados intraoperatórios inesperados, não está associada a pior desfecho perioperatório quando comparada à cirurgia aberta primária. O que se observa é que a conversão pode ter morbidade um pouco maior que a laparoscopia concluída, mas não pior que a cirurgia aberta planejada.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de desqualificar a laparoscopia com afirmações absolutas e sem respaldo: contraindicação por IMC, limitação a tumores distais, tempo cirúrgico sempre menor e conversão como sinônimo de pior prognóstico. A alternativa correta é justamente a que reflete o estado da arte: equivalência oncológica em equipe experiente. Guarde esse critério — equivalência oncológica e segurança do paciente —, pois é ele que separa as alternativas.
Colectomia laparoscópica oncológica: Princípios oncológicos (iguais à aberta) (Margens adequadas (~5 cm), Linfadenectomia na origem, ≥12 linfonodos); Vantagens da via minimamente invasiva (Menor dor, Menor perda sanguínea, Internação mais curta); Resultados oncológicos (Equivalência em equipe experiente, Sobrevida global semelhante, Sobrevida livre de doença semelhante); Conversão para aberta (Decisão de segurança, Desfecho semelhante à aberta primária); Contraindicações absolutas (Impossibilidade de pneumoperitônio)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que IMC elevado (>35 kg/m²) contraindica a laparoscopia. Isso é falso: a obesidade não é contraindicação absoluta à via laparoscópica. Embora o IMC elevado aumente a dificuldade técnica, a laparoscopia pode ser realizada com segurança em pacientes obesos, muitas vezes com benefícios (menor dor, menos complicações de ferida operatória). A contraindicação absoluta clássica seria, por exemplo, a impossibilidade de pneumoperitônio (instabilidade hemodinâmica grave), não o IMC isoladamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a laparoscopia é limitada a casos selecionados de cólon distal e não pode ser usada em tumores próximos ao reto. Isso é incorreto: a laparoscopia é amplamente utilizada em todo o cólon, incluindo o reto. Para o reto, há inclusive evidências de benefício em termos de recuperação pós-operatória, com resultados oncológicos comparáveis à cirurgia aberta, desde que realizada por equipe experiente. A limitação não é anatômica por segmento, mas sim por critérios de seleção e experiência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o tempo cirúrgico laparoscópico é sempre mais curto que na cirurgia aberta, independentemente da curva de aprendizado. Isso é falso: na fase inicial da curva de aprendizado, o tempo laparoscópico costuma ser MAIOR que o da cirurgia aberta. Com a experiência, o tempo tende a se equiparar ou até ser menor em alguns casos, mas nunca é "sempre mais curto" nem "independente da curva de aprendizado". A curva de aprendizado é justamente um fator determinante do tempo cirúrgico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a conversão para cirurgia aberta está associada a pior desfecho perioperatório e aumento de complicações. Isso é uma meia-verdade perigosa: a conversão, quando comparada à laparoscopia concluída, pode ter maior morbidade; porém, quando comparada à cirurgia aberta primária, os desfechos são semelhantes. A conversão é uma decisão de segurança, não um evento que por si só piore o prognóstico. A alternativa erra ao generalizar que a conversão "está associada a pior desfecho" sem essa ressalva fundamental.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a colectomia laparoscópica oncológica, quando realizada por equipe experiente, apresenta resultados oncológicos comparáveis à técnica aberta. Isso é exatamente o que a evidência demonstra: sobrevida global e sobrevida livre de doença semelhantes, com benefícios de menor morbidade, menor tempo de internação e menor perda sanguínea. A palavra-chave é "equipe experiente" — a equivalência oncológica depende da curva de aprendizado adequada, o que torna a afirmação precisa e correta.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre cirurgia minimamente invasiva, desconfie de alternativas com termos absolutos como "sempre", "nunca", "contraindica" ou "limitada". A medicina baseada em evidências raramente é absoluta — a resposta correta quase sempre traz qualificadores como "quando realizada por equipe experiente" ou "em casos selecionados".