Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg483327
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Homem, 34 anos, é admitido após queda, em uma obra, de uma altura aproximada de 6 metros. Está consciente, ansioso, com FC: 132 bpm, PA: 80x40 mmHg, FR: 32 irpm, SpO₂: 92% em máscara não reinalante. Apresenta abdome distendido e doloroso difusamente. FAST inicial é inconclusivo, devido à distensão gasosa. O acesso venoso periférico apresenta dificuldade significativa. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada.
AEstá indicada a obtenção de acesso intraósseo como alternativa temporária para reanimação volêmica.
BPara guiar a reanimação volêmica inicial, é necessário o controle rigoroso da diurese e monitorização da pressão venosa central.
CComo o FAST é inconclusivo, está indicada TC de abdome como medida prioritária.
DTrata-se de quadro de choque neurogênico, com presença de dor abdominal irradiada pela fratura de coluna.
EPela presença de taquipneia diante do choque, está indicado a intubação orotraqueal como primeira medida.
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GabaritoA — Está indicada a obtenção de acesso intraósseo como alternativa temporária para reanimação volêmica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trauma contuso abdominal e choque hemorrágico: acesso vascular e reanimação
Gabarito: letra A. No paciente politraumatizado em choque hipovolêmico/hemorrágico com dificuldade de acesso venoso periférico, o acesso intraósseo (IO) é a alternativa imediata e recomendada para reanimação volêmica — é a conduta mais apropriada entre as opções. As diretrizes de suporte avançado de vida no trauma (ATLS) e os protocolos de reanimação preveem o IO como via de acesso rápida e eficaz quando o acesso periférico falha, sendo inclusive a primeira escolha em crianças e uma alternativa válida em adultos.
O quadro clínico descrito é clássico de choque hemorrágico por trauma contuso de alta energia: queda de 6 metros, taquicardia (FC 132 bpm), hipotensão (PA 80x40 mmHg), taquipneia (FR 32 irpm) e abdome distendido e doloroso — sinais que apontam para hemorragia intra-abdominal. O FAST inconclusivo por distensão gasosa não deve atrasar a reanimação: a prioridade é restaurar a volemia e a perfusão tecidual, não realizar exames de imagem que demandam tempo e estabilidade. A dificuldade de acesso venoso periférico é um obstáculo comum nesse cenário, e a resposta correta é justamente reconhecer o acesso intraósseo como solução temporária e eficaz.
O acesso intraósseo consiste na introdução de uma agulha especial na cavidade medular de ossos como a tíbia proximal, o fêmur distal ou o úmero proximal. A medula óssea é um plexo venoso não colapsável, o que permite a infusão de fluidos, sangue e medicamentos com velocidade e segurança comparáveis ao acesso venoso central. É uma técnica de execução rápida, com alta taxa de sucesso mesmo em pacientes hipovolêmicos, e deve ser considerada precocemente quando o acesso periférico é difícil — não como último recurso, mas como alternativa imediata.
A reanimação volêmica no trauma hemorrágico segue o princípio da "hemostasia definitiva" associada à reposição de volume. O controle rigoroso da diurese e a monitorização da pressão venosa central (PVC) são ferramentas úteis para guiar a reposição, mas não são a conduta inicial prioritária quando há dificuldade de acesso — primeiro é preciso obter uma via de infusão. A tomografia computadorizada de abdome, embora seja o exame padrão-ouro para avaliar lesões intra-abdominais em pacientes estáveis, está contraindicada no paciente instável: o deslocamento para a sala de TC pode ser fatal. O choque neurogênico, por sua vez, é uma possibilidade em trauma raquimedular, mas o quadro descrito — abdome distendido e doloroso, taquicardia — é muito mais sugestivo de choque hemorrágico. A intubação orotraqueal não é a primeira medida: a prioridade é a reposição volêmica e o controle da hemorragia, sendo a via aérea garantida conforme a indicação clínica, mas não como passo inicial diante da taquipneia isolada.
A pegadinha central desta questão é a hierarquia de prioridades no trauma: o aluno pode se perder em detalhes como o FAST inconclusivo ou a taquipneia, mas o que decide é o reconhecimento do choque hemorrágico e a necessidade imediata de acesso vascular. A banca testa exatamente isso: saber que, diante da dificuldade de acesso periférico, o intraósseo é a alternativa correta e imediata, e não a TC, a intubação ou a monitorização avançada que virão depois.
Guarde a sequência mental: choque hemorrágico → acesso vascular imediato → se periférico difícil, intraósseo → reanimação volêmica → só depois, exames complementares e monitorização avançada. É essa cadeia que separa a alternativa correta das demais.
1Reconhecer choque hemorrágico
2Acesso venoso periférico
3Falhou? Acesso intraósseo
4Reanimação volêmica
5Depois: exames e monitorização
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque o acesso intraósseo é a conduta recomendada quando o acesso venoso periférico é difícil ou impossível em situação de emergência, como no choque hemorrágico. As diretrizes de reanimação (ATLS, PALS) preconizam o IO como via de infusão rápida e eficaz, capaz de administrar fluidos, sangue e medicamentos com segurança. No caso, o paciente está em choque hipovolêmico evidente e o acesso periférico falhou — o IO é a alternativa temporária ideal para iniciar a reanimação volêmica sem demora.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o controle rigoroso da diurese e a monitorização da PVC são necessários para guiar a reanimação volêmica inicial. Embora sejam ferramentas úteis na monitorização hemodinâmica de pacientes graves, não são a conduta inicial prioritária quando há dificuldade de acesso vascular. O primeiro passo é obter uma via de infusão (periférica ou intraóssea) e iniciar a reposição volêmica; a diurese e a PVC são parâmetros de acompanhamento que virão depois, não pré-requisitos para começar a reanimação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a TC de abdome está contraindicada no paciente instável, como é o caso (PA 80x40 mmHg, FC 132 bpm). O paciente em choque hemorrágico não deve ser deslocado para a sala de tomografia antes da estabilização — o exame é indicado apenas após a reanimação e a melhora hemodinâmica, ou em casos selecionados com instabilidade transitória. O FAST inconclusivo não justifica a TC como medida prioritária; a prioridade é a reanimação e a possível laparotomia de emergência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o quadro como choque neurogênico. O choque neurogênico ocorre por lesão medular e se caracteriza por hipotensão com bradicardia (não taquicardia) e pele quente e seca. O paciente apresenta taquicardia (FC 132 bpm), abdome distendido e doloroso — sinais típicos de choque hemorrágico por hemorragia intra-abdominal. A dor abdominal irradiada por fratura de coluna não é o mecanismo fisiopatológico predominante aqui; a hipovolemia é a causa do choque.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a intubação orotraqueal não é a primeira medida no choque hemorrágico com taquipneia. A taquipneia é uma resposta compensatória à hipóxia e à acidose metabólica do choque, e a prioridade é a reposição volêmica e o controle da hemorragia. A via aérea deve ser garantida se houver indicação (rebaixamento do nível de consciência, insuficiência respiratória), mas não como passo inicial diante da taquipneia isolada. A intubação precoce sem indicação clara pode até piorar o quadro por causar hipotensão adicional.