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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg483329
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Paciente, 48 anos, previamente saudável, evolui após choque séptico por pneumonia, necessitando de ventilação mecânica, noradrenalina em altas doses, creatinina sérica 4,5 mg/dL, plaquetas 45.000/mm³ e bilirrubina total 6 mg/dL. Está internado em unidade de terapia intensiva, no terceiro dia de evolução. Nesse contexto, é correto afirmar que:
  1. AA disfunção de um único sistema, como insuficiência renal isolada, já define falência de múltiplos órgãos.
  2. BO paciente apresenta falência de múltiplos órgãos, sendo o manejo baseado em suporte intensivo.
  3. CO desenvolvimento de falência de múltiplos órgãos ocorre quase exclusivamente em pacientes com causas cirúrgicas agudas, como hemorragia digestiva.
  4. DA ventilação mecânica é contraindicada em falência de múltiplos órgãos, independentemente da indicação clínica, pois aumenta a mortalidade.
  5. EA terapia renal substitutiva deve ser evitada na falência de múltiplos órgãos devido ao risco de instabilidade hemodinâmica.
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GabaritoB — O paciente apresenta falência de múltiplos órgãos, sendo o manejo baseado em suporte intensivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Falência de múltiplos órgãos no choque séptico

Gabarito: letra B. O paciente apresenta falência de múltiplos órgãos (FMO), definida pela disfunção de dois ou mais sistemas orgânicos — aqui, respiratório (ventilação mecânica), cardiovascular (noradrenalina em altas doses), renal (creatinina 4,5 mg/dL), hematológico (plaquetas 45.000/mm³) e hepático (bilirrubina 6 mg/dL) — e o manejo é baseado em suporte intensivo, com tratamento da causa base (sepse) e suporte orgânico. A FMO é uma síndrome que ocorre como consequência de insultos graves, sendo a sepse a causa mais comum em UTI, e não está restrita a causas cirúrgicas.

A falência de múltiplos órgãos (FMO), também chamada de síndrome da disfunção de múltiplos órgãos (SDMO), é uma condição clínica caracterizada pela disfunção progressiva e simultânea de dois ou mais sistemas orgânicos, resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada a um insulto grave, como sepse, trauma, pancreatite ou queimaduras. A sepse é a causa mais frequente de FMO em unidades de terapia intensiva, e a mortalidade aumenta progressivamente com o número de órgãos disfuncionais. A fisiopatologia envolve hipoperfusão tecidual, lesão por isquemia-reperfusão, ativação de cascatas inflamatórias e de coagulação, e disfunção mitocondrial, levando a dano celular e falência orgânica.

O diagnóstico de FMO é clínico-laboratorial, baseado em escores como SOFA (Sequential Organ Failure Assessment), que pontua a disfunção de seis sistemas: respiratório, cardiovascular, renal, hepático, hematológico e neurológico. No caso apresentado, o paciente tem disfunção de pelo menos cinco sistemas, configurando FMO. O manejo é fundamentalmente de suporte: tratar a causa base (no caso, a sepse com antibióticos e controle do foco), manter a hemodinâmica com vasopressores e fluidos, suporte ventilatório protetor, terapia renal substitutiva quando indicada, e suporte nutricional precoce. A ventilação mecânica não é contraindicada — pelo contrário, é parte essencial do suporte quando há insuficiência respiratória. A terapia renal substitutiva também não é evitada; é indicada em situações como acidose grave, hipercalemia, edema refratário ou anúria, mesmo em pacientes instáveis, preferindo-se modalidades contínuas.

A principal pegadinha desta questão é a tentativa de associar FMO exclusivamente a causas cirúrgicas ou de contraindicar intervenções de suporte que são, na verdade, pilares do tratamento. A banca explora o senso comum de que "muitos órgãos falhando = não há o que fazer", quando na verdade o suporte intensivo agressivo é exatamente o que pode reverter o quadro. Outra armadilha é a definição de FMO: exige disfunção de dois ou mais sistemas, não de um único.

Guarde o critério decisivo: FMO = disfunção de dois ou mais sistemas orgânicos, e o manejo é suporte intensivo + tratar a causa. É exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a disfunção de um único sistema, como insufuficiência renal isolada, já define FMO. Isso contraria a definição: FMO exige disfunção de dois ou mais sistemas. A insuficiência renal isolada é apenas disfunção renal, não FMO. O erro está em confundir disfunção orgânica única com falência múltipla.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente tem disfunção de múltiplos sistemas: respiratório (ventilação mecânica), cardiovascular (noradrenalina em altas doses), renal (creatinina 4,5 mg/dL), hematológico (plaquetas 45.000/mm³) e hepático (bilirrubina 6 mg/dL). Isso configura FMO. O manejo é baseado em suporte intensivo: tratar a sepse (causa base), manter hemodinâmica, suporte ventilatório, renal e nutricional. É exatamente o que a alternativa afirma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que FMO ocorre quase exclusivamente em causas cirúrgicas agudas, como hemorragia digestiva. Isso é falso: a causa mais comum de FMO em UTI é a sepse, como no caso apresentado. Hemorragia digestiva é uma causa possível, mas não exclusiva nem a mais frequente. A banca tenta restringir a FMO a um contexto cirúrgico, quando na verdade ela é uma síndrome comum a diversos insultos graves.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a ventilação mecânica é contraindicada em FMO, independentemente da indicação, pois aumenta a mortalidade. Isso é falso: a ventilação mecânica é indicada quando há insuficiência respiratória, como no caso (pneumonia com necessidade de suporte). O que se busca é ventilação protetora (volume corrente 6 mL/kg, pressão de platô < 30 cmH2O) para minimizar lesão pulmonar, mas não é contraindicada. A banca inverte o conceito: ventilação mecânica é suporte, não contraindicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a terapia renal substitutiva deve ser evitada em FMO devido ao risco de instabilidade hemodinâmica. Isso é falso: a TRS é indicada em situações como acidose grave, hipercalemia, edema refratário ou anúria, mesmo em pacientes instáveis. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, prefere-se modalidade contínua (TRS contínua) por ser melhor tolerada. A banca tenta contraindicar uma terapia que é parte do suporte intensivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o aluno acreditar que FMO é uma condição sem tratamento ou restrita a causas cirúrgicas, e que intervenções de suporte (ventilação, diálise) são contraindicadas. Na verdade, o manejo é justamente o oposto: suporte intensivo agressivo é o que pode reverter o quadro. Fique atento: FMO exige dois ou mais sistemas disfuncionais, e o tratamento é suporte + tratar a causa.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de FMO, lembre-se do escore SOFA: ele pontua disfunção de 6 sistemas (respiratório, cardiovascular, renal, hepático, hematológico, neurológico). Se o paciente tem disfunção de 2 ou mais, é FMO. E o manejo é sempre suporte intensivo + tratar a causa base. Não caia na armadilha de achar que suporte é contraindicação.

Gabarito: letra B

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