Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg483334
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Homem, 68 anos, hipertenso e ex-tabagista, apresentou episódio de déficit motor flutuante no braço direito, com resolução completa em 30 minutos. A tomografia inicial realizada não evidencia sinais de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Realizada angiotomografia cervical, que demonstrou estenose de 78% da artéria carótida interna esquerda por placa aterosclerótica ulcerada. O paciente está em uso de aspirina 100 mg/dia e estatina, sem contraindicações cirúrgicas significativas. Considerando o contexto apresentado, assinale a alternativa correta.
ADeve-se indicar endarterectomia carotídea, devendo ser realizada preferencialmente nas primeiras 2 semanas após o evento isquêmico.
BO tratamento clínico isolado (antiagregação e estatina) apresenta risco de recorrência igual ao da endarterectomia e, por isso, a cirurgia não é recomendada.
CA angioplastia com stent carotídeo é a primeira escolha em todos os pacientes sintomáticos com estenose cervical, pois tem menor risco de AVC perioperatório se comparada à endarterectomia.
DDeve-se indicar a anticoagulação crônica, já que a presença de placa ulcerada contraindica endarterectomia por aumentar o risco de embolia durante o procedimento.
EA cirurgia deve ser adiada por pelo menos 6 semanas para reduzir o risco de complicações perioperatórias.
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GabaritoA — Deve-se indicar endarterectomia carotídea, devendo ser realizada preferencialmente nas primeiras 2 semanas após o evento isquêmico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estenose carotídea sintomática: endarterectomia e janela de oportunidade
Gabarito: letra A. O paciente teve um AIT (déficit motor flutuante com resolução completa em 30 minutos) e a angiotomografia mostrou estenose de 78% da carótida interna esquerda, ou seja, estenose sintomática ≥ 70%, com placa ulcerada. Nesse cenário, a endarterectomia carotídea está indicada e deve ser realizada preferencialmente nas primeiras 2 semanas após o evento isquêmico, pois é nesse período que o benefício do procedimento é máximo (redução de até 30% no risco de AVC), caindo para 9% se realizado entre 3 e 6 meses. Essa é a recomendação central das diretrizes de doença carotídea.
O caso clínico descreve um AIT (Ataque Isquêmico Transitório): um déficit neurológico focal de instalação súbita, com resolução completa em menos de 24 horas (aqui, 30 minutos), sem infarto na tomografia inicial. A causa mais provável é a estenose aterosclerótica de 78% da carótida interna esquerda, uma placa ulcerada — ou seja, uma placa instável, com superfície irregular, que favorece a formação de trombos e a embolização distal. Essa é uma situação de alto risco de recorrência: o paciente que teve um AIT por estenose carotídea significativa tem risco elevado de um novo evento, e é exatamente aí que a intervenção cirúrgica ou endovascular mostra seu maior benefício.
A endarterectomia carotídea (EAC) é o procedimento de escolha para pacientes sintomáticos com estenose ≥ 70% e bom risco cirúrgico. Ela reduz o risco de recorrência de AVC em cerca de 53% (RRR) em 5 anos, com NNT de 6 a 35. O benefício, porém, é temporalmente dependente: quanto mais cedo a cirurgia é feita após o evento índice, maior a redução do risco. As diretrizes recomendam que a revascularização (cirurgia ou stent) seja realizada idealmente nas primeiras 2 semanas após o AIT ou AVCi, e não depois de 6 meses. Após esse período sem novos sintomas no mesmo território, a estenose passa a ser considerada "assintomática", e o benefício da intervenção diminui consideravelmente.
A angioplastia com stent carotídeo (CAS) é uma alternativa, mas não é a primeira escolha para todos os pacientes sintomáticos. Ela é reservada para casos específicos: pacientes com alto risco cirúrgico (idade > 80 anos, doença cardíaca ou pulmonar significativa, arteriopatia por radiação) ou com estenose intracraniana concomitante. Nos pacientes de baixo risco cirúrgico, os ensaios clínicos não demonstraram superioridade do stent em relação à cirurgia aberta — pelo contrário, a EAC tende a ter menor risco de AVC perioperatório. A anticoagulação crônica não é o tratamento de escolha para estenose carotídea aterosclerótica; ela é indicada para fontes cardioembólicas, como fibrilação atrial. A presença de placa ulcerada não contraindica a endarterectomia — pelo contrário, é uma característica de placa instável que reforça a indicação cirúrgica. Por fim, adiar a cirurgia por 6 semanas é exatamente o oposto do recomendado: o benefício é maior nas primeiras 2 semanas, e o adiamento aumenta o risco de um novo evento isquêmico no período de espera.
A pegadinha central desta questão é a janela de oportunidade: a banca explora a confusão entre o momento ideal da cirurgia (primeiras 2 semanas) e a ideia equivocada de que seria preciso esperar para "estabilizar" o paciente. Na verdade, a espera aumenta o risco de recorrência, e o benefício da intervenção cai drasticamente com o tempo. Guarde a regra: estenose sintomática ≥ 70% + bom risco cirúrgico = endarterectomia, o quanto antes (idealmente < 2 semanas).
1AIT/AVC recente
2Endarterectomia indicada
3Ideal < 2 semanas
4Benefício máximo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reproduz exatamente a recomendação das diretrizes: para estenose carotídea sintomática ≥ 70%, a endarterectomia está indicada e deve ser realizada preferencialmente nas primeiras 2 semanas após o evento isquêmico. O benefício do procedimento é máximo nesse período (redução de até 30% no risco de AVC), caindo para 9% se realizado entre 3 e 6 meses. O paciente do caso se encaixa perfeitamente: AIT recente, estenose de 78%, placa ulcerada, sem contraindicações cirúrgicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o tratamento clínico isolado tem risco de recorrência igual ao da endarterectomia. Na verdade, a EAC reduz o risco de recorrência em cerca de 53% (RRR) em 5 anos em pacientes com estenose ≥ 70%, sendo superior ao tratamento clínico isolado. O tratamento clínico (antiagregação + estatina) é a base, mas não substitui a revascularização nesse cenário de alto risco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a angioplastia com stent é a primeira escolha em todos os pacientes sintomáticos. Na verdade, a EAC é o procedimento de escolha para pacientes de bom risco cirúrgico. O stent é reservado para alto risco cirúrgico (idade > 80 anos, doença cardíaca/pulmonar, arteriopatia por radiação) ou estenose intracraniana concomitante. Além disso, a afirmação de que o stent tem menor risco de AVC perioperatório é falsa: os ensaios clínicos não demonstraram superioridade do stent, e a EAC tende a ter menor risco de AVC perioperatório.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao indicar anticoagulação crônica para estenose carotídea aterosclerótica. A anticoagulação é indicada para fontes cardioembólicas (fibrilação atrial, valvas mecânicas), não para doença aterosclerótica carotídea. Além disso, a presença de placa ulcerada não contraindica a endarterectomia — pelo contrário, é uma característica de placa instável que reforça a indicação cirúrgica, pois aumenta o risco de embolização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a cirurgia deve ser adiada por pelo menos 6 semanas. Isso é exatamente o oposto da recomendação: o benefício da intervenção é máximo nas primeiras 2 semanas após o evento isquêmico, e o adiamento aumenta o risco de um novo AIT/AVC no período de espera. A cirurgia não deve ser adiada, mas sim realizada o quanto antes, idealmente dentro de 2 semanas.