Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg483345
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral: Cirurgia Vascular e Cirurgia Pediátrica
Homem, 52 anos, diabético e obeso, procura o pronto-socorro com dor intensa em coxa direita, desproporcional ao achado do exame físico. Observa-se área de celulite com eritema difuso, calor local e presença de enfisema subcutâneo palpável. O paciente está febril e taquicárdico. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta nesse cenário.
AA confirmação diagnóstica por biópsia é obrigatória antes de qualquer intervenção cirúrgica.
BDeve-se realizar ressonância magnética para confirmação diagnóstica antes do desbridamento.
CO atraso no tratamento cirúrgico não altera significativamente a mortalidade.
DO tratamento é cirúrgico imediato com desbridamento e antibióticos de amplo espectro.
EO manejo inicial pode ser conservador, com analgesia e antibioticoterapia.
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GabaritoD — O tratamento é cirúrgico imediato com desbridamento e antibióticos de amplo espectro.
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Fasciíte necrosante: urgência cirúrgica
Gabarito: letra D. O quadro descrito — dor desproporcional ao exame físico, celulite com enfisema subcutâneo, febre e taquicardia em paciente diabético e obeso — é altamente sugestivo de fasciíte necrosante, uma infecção rapidamente progressiva dos tecidos moles que exige desbridamento cirúrgico imediato associado a antibioticoterapia de amplo espectro. Qualquer atraso na intervenção aumenta drasticamente a mortalidade, e exames de imagem ou biópsia não devem retardar o tratamento.
A fasciíte necrosante é uma emergência cirúrgica caracterizada por necrose rapidamente progressiva da fáscia profunda e do tecido subcutâneo, com preservação inicial da pele. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica: dor intensa e desproporcional ao exame físico, sinais de toxemia sistêmica (febre, taquicardia, confusão) e, em fases mais avançadas, crepitação ou enfisema subcutâneo, que indica presença de gás produzido por bactérias anaeróbias. Fatores de risco incluem diabetes mellitus, obesidade, imunossupressão, doença vascular periférica e trauma.
O tratamento definitivo é o desbridamento cirúrgico precoce e agressivo, que deve ser realizado o quanto antes, idealmente nas primeiras horas do diagnóstico. A cirurgia remove todo o tecido necrótico, interrompendo a progressão da infecção e reduzindo a carga bacteriana. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios, é iniciada imediatamente, mas não substitui o desbridamento — é um adjuvante essencial, porém insuficiente isoladamente. O atraso cirúrgico está associado a aumento significativo da mortalidade, que pode ultrapassar 30% em casos graves.
Exames de imagem (como ressonância magnética) e biópsia podem auxiliar em casos duvidosos, mas nunca devem retardar a intervenção cirúrgica quando a suspeita clínica é forte. O manejo conservador, com apenas analgesia e antibióticos, é inadequado e potencialmente fatal, pois a infecção progride rapidamente e o antibiótico não penetra adequadamente no tecido necrótico avascular. A conduta correta é a abordagem cirúrgica imediata, com desbridamento amplo e antibioticoterapia de amplo espectro, seguida de reavaliações seriadas e novos desbridamentos conforme necessário.
A pegadinha central desta questão é a tentação de "confirmar o diagnóstico" antes de agir. Em um paciente com sinais clínicos claros de fasciíte necrosante, a espera por exames complementares é um erro grave que pode custar a vida do paciente. A banca explora exatamente essa hesitação, oferecendo alternativas que sugerem investigação diagnóstica antes do tratamento cirúrgico. O critério decisivo é: suspeita clínica forte + sinais de toxemia = cirurgia imediata, sem delongas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a confirmação diagnóstica por biópsia é obrigatória antes de qualquer intervenção cirúrgica. Isso é falso: a biópsia pode confirmar o diagnóstico, mas não é obrigatória e, em casos graves, retardá-la para aguardar o resultado é inaceitável. O diagnóstico é clínico, e a cirurgia não deve ser adiada por exames complementares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe realizar ressonância magnética para confirmação diagnóstica antes do desbridamento. Embora a RM possa mostrar sinais de necrose fascial, ela não deve atrasar o tratamento cirúrgico em um paciente com suspeita clínica forte e sinais de toxemia. O tempo gasto com o exame permite a progressão da infecção, aumentando a morbimortalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o atraso no tratamento cirúrgico não altera significativamente a mortalidade. Isso é totalmente falso e perigoso. O atraso cirúrgico é um dos principais fatores associados ao aumento da mortalidade na fasciíte necrosante. Cada hora de retardo piora o prognóstico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta: tratamento cirúrgico imediato com desbridamento e antibióticos de amplo espectro. O desbridamento remove o tecido necrótico, fonte da infecção, e os antibióticos de amplo espectro combatem a infecção sistêmica. Essa abordagem é o padrão-ouro no manejo da fasciíte necrosante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sugere manejo inicial conservador, com analgesia e antibioticoterapia. Isso é inadequado e potencialmente fatal. A antibioticoterapia isolada não é eficaz porque o antibiótico não penetra no tecido necrótico avascular, e a analgesia apenas mascara a dor, atrasando o diagnóstico e o tratamento definitivo. A cirurgia é indispensável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a "confirmar o diagnóstico" antes de agir, oferecendo alternativas com biópsia, ressonância magnética ou manejo conservador. Em uma emergência como a fasciíte necrosante, a suspeita clínica forte é suficiente para indicar a cirurgia imediata — exames complementares não podem retardar o desbridamento. Lembre-se: dor desproporcional + toxemia + enfisema subcutâneo = cirurgia agora.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, identifique a fasciíte necrosante pelos sinais clássicos: dor desproporcional, crepitação, toxemia e fatores de risco (diabetes, obesidade). A conduta correta será sempre a cirurgia imediata. Se uma alternativa mencionar qualquer exame antes do desbridamento, descarte-a. O tratamento é cirúrgico e urgente.