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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg483353
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 76 anos, com histórico de insuficiência cardíaca, hipertensão arterial e DM2, faz uso regular de furosemida, enalapril, espironolactona, metformina, insulina NPH, AAS e clonazepam. Nos últimos meses, apresenta quedas frequentes, episódios de confusão mental e sonolência diurna. Exames laboratoriais revelam função renal preservada e potássio sérico de 5,6 mEq/L. Qual das condutas a seguir representa a abordagem mais adequada em relação à polifarmácia apresentada pelo paciente?
  1. AReavaliar o uso de clonazepam, devido ao risco aumentado de quedas, confusão e sonolência em idosos, além de rever a combinação de diuréticos poupadores de potássio pelo risco de hipercalemia.
  2. BManter todos os fármacos, pois estão indicados para as comorbidades descritas, e apenas monitorar potássio sérico regularmente.
  3. CSuspender metformina imediatamente, pois é contraindicada em todo idoso com mais de 75 anos, independentemente da função renal.
  4. DInterromper o uso de enalapril, já que inibidores da enzima conversora de angiotensina não devem ser utilizados em idosos com insuficiência cardíaca.
  5. ESubstituir furosemida por hidroclorotiazida, pois diuréticos de alça são formalmente contraindicados na população idosa.
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GabaritoA — Reavaliar o uso de clonazepam, devido ao risco aumentado de quedas, confusão e sonolência em idosos, além de rever a combinação de diuréticos poupadores de potássio pelo risco de hipercalemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polifarmácia no idoso: revisão de medicamentos e risco de hipercalemia

Gabarito: letra A. A conduta mais adequada é reavaliar o clonazepam — benzodiazepínico de longa duração associado a quedas, confusão e sonolência em idosos — e revisar a combinação de diuréticos poupadores de potássio (espironolactona) com IECA (enalapril), que eleva o risco de hipercalemia, já manifestada pelo potássio de 5,6 mEq/L. A alternativa B erra ao manter tudo; a C, ao suspender metformina sem indicação; a D, ao interromper enalapril, que é recomendado na insuficiência cardíaca; e a E, ao trocar furosemida por hidroclorotiazida, sem fundamento.

A polifarmácia, definida como o uso regular de cinco ou mais medicações, é um dos grandes desafios da geriatria. No paciente idoso, ela se associa a maior risco de eventos adversos, interações medicamentosas e piora da adesão. A diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2025 recomenda, especialmente nos idosos sob polifarmácia, a revisão periódica de cada medicamento em uso e a avaliação de efeitos adversos, com o objetivo de reduzir o número de comprimidos e priorizar combinações fixas. Essa revisão sistemática é o que se chama de desprescrição: a diminuição gradativa da dose ou a suspensão de fármacos quando há hipotensão sintomática, reações adversas ou quando o risco supera o benefício.

No caso apresentado, dois problemas se destacam. O primeiro é o clonazepam, um benzodiazepínico de longa duração, que em idosos aumenta o risco de quedas, confusão mental e sonolência diurna — exatamente os sintomas que o paciente apresenta. O segundo é a hipercalemia (potássio de 5,6 mEq/L), que se enquadra como hipercalemia leve (5,5–5,9 mEq/L), mas já merece atenção. A combinação de espironolactona (diurético poupador de potássio) com enalapril (IECA) é um dos principais fatores de risco para hipercalemia, especialmente em pacientes com diabetes e insuficiência cardíaca. A diretriz de hipertensão de 2020 já alertava que a espironolactona pode provocar hiperpotassemia, particularmente quando associada a inibidores da ECA. O estudo de caso-controle citado no material de apoio mostrou que o uso de espironolactona (OR 4,18) e de IECA (OR 2,55) são fatores de risco independentes para hipercalemia em pacientes com insuficiência cardíaca, e que a combinação de diuréticos poupadores de potássio com IECA aumenta drasticamente o risco (OR 20,3).

É importante destacar que a conduta não é suspender todos os medicamentos, mas sim revisar criteriosamente aqueles que estão contribuindo para os sintomas e para o distúrbio eletrolítico. O enalapril, por exemplo, é um pilar do tratamento da insuficiência cardíaca e da hipertensão, e não deve ser interrompido sem forte justificativa — a hipercalemia leve pode ser manejada com ajuste de dose, restrição de potássio na dieta e revisão da espironolactona. A metformina, por sua vez, não é contraindicada em idosos acima de 75 anos com função renal preservada; a contraindicação se aplica a pacientes com TFG < 30 mL/min, o que não é o caso. A furosemida, diurético de alça, é indicada na insuficiência cardíaca com congestão e não é contraindicada em idosos; a hidroclorotiazida, diurético tiazídico, é menos eficaz na insuficiência cardíaca com congestão significativa e não seria uma substituição adequada.

A pegadinha central desta questão é a tentação de "manter tudo" (alternativa B) por considerar que todos os fármacos estão indicados para as comorbidades. O erro está em ignorar que a polifarmácia exige revisão periódica e que os sintomas apresentados (quedas, confusão, sonolência) são prováveis efeitos adversos do clonazepam, e a hipercalemia é um efeito adverso da combinação espironolactona + enalapril. A alternativa A captura exatamente essa dupla necessidade: reavaliar o benzodiazepínico e rever a combinação de diuréticos poupadores de potássio. Guarde esse raciocínio: em idosos com polifarmácia, a conduta correta é sempre revisar e desprescrever o que não é essencial ou que causa dano, nunca manter tudo cegamente.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente os dois problemas centrais: o clonazepam, que em idosos aumenta o risco de quedas, confusão e sonolência, e a combinação de diuréticos poupadores de potássio (espironolactona) com IECA (enalapril), que eleva o risco de hipercalemia. O potássio de 5,6 mEq/L já evidencia o distúrbio, e a conduta de reavaliar e ajustar é a mais adequada, alinhada às recomendações de revisão periódica da polifarmácia em idosos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Manter todos os fármacos e apenas monitorar o potássio ignora que o clonazepam está provavelmente causando os sintomas de quedas, confusão e sonolência. A polifarmácia exige revisão periódica, não manutenção passiva. Além disso, a hipercalemia já presente (5,6 mEq/L) não deve ser apenas monitorada — requer intervenção, como revisão da espironolactona e do enalapril.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A metformina não é contraindicada em todo idoso acima de 75 anos. A contraindicação se aplica a pacientes com função renal significativamente reduzida (TFG < 30 mL/min), o que não é o caso, já que o enunciado afirma função renal preservada. Suspender metformina imediatamente seria uma conduta incorreta e potencialmente prejudicial para o controle do DM2.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O enalapril (IECA) é um dos pilares do tratamento da insuficiência cardíaca e da hipertensão, com recomendação forte na diretriz de 2025. Não há contraindicação ao seu uso em idosos com insuficiência cardíaca; pelo contrário, ele melhora o prognóstico. A hipercalemia leve pode ser manejada com ajuste de dose e revisão da espironolactona, não com a interrupção do IECA.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A furosemida (diurético de alça) não é contraindicada em idosos. Ela é indicada na insuficiência cardíaca com congestão, sendo preferível à hidroclorotiazida nesse contexto. A hidroclorotiazida (tiazídico) é menos eficaz na congestão significativa e não seria uma substituição adequada. A troca não tem fundamento clínico.

Gabarito: letra A

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