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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg483355
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 48 anos, hipertenso e sedentário, procura consulta de rotina. Relata ganho ponderal nos últimos 5 anos, principalmente em região abdominal. Exames laboratoriais recentes mostram glicemia de jejum: 112 mg/dL, triglicerídeos: 210 mg/dL, HDL: 38 mg/dL, PA: 145/92 mmHg, IMC 29 kg/m² e circunferência abdominal de 104 cm. Com base nos critérios diagnósticos de síndrome metabólica e suas implicações fisiopatológicas, qual é a conduta mais adequada no caso?
  1. APrescrever estatina isoladamente, pois o risco cardiovascular do paciente depende apenas do perfil lipídico.
  2. BIniciar metformina e estatina de imediato, sem mudanças no estilo de vida, já que dieta e exercício não influenciam a fisiopatologia.
  3. CIniciar apenas anti-hipertensivo, pois o paciente ainda não apresenta diabetes, sendo o controle pressórico suficiente.
  4. DDiagnosticar síndrome metabólica, orientar mudanças no estilo de vida (atividade física regular, dieta hipocalórica), controlar hipertensão e avaliar risco cardiovascular global.
  5. EPrescrever fibrato isoladamente, focando na redução de triglicerídeos, já que é o marcador mais importante da síndrome metabólica.
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GabaritoD — Diagnosticar síndrome metabólica, orientar mudanças no estilo de vida (atividade física regular, dieta hipocalórica), controlar hipertensão e avaliar risco cardiovascular global.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome metabólica: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra D. O paciente preenche os critérios diagnósticos de síndrome metabólica (obesidade abdominal, glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL, triglicerídeos ≥ 150 mg/dL, HDL baixo e PA ≥ 130/85 mmHg), e a conduta mais adequada é o diagnóstico formal, com orientação de mudanças no estilo de vida (atividade física regular e dieta hipocalórica), controle da hipertensão e avaliação do risco cardiovascular global — abordagem que trata a causa comum (resistência à insulina e obesidade visceral) e não apenas um fator isolado.

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco cardiovascular que tendem a ocorrer juntos, tendo como base fisiopatológica comum a resistência à insulina e a obesidade visceral (acúmulo de gordura na região abdominal). O tecido adiposo visceral é metabolicamente ativo, liberando ácidos graxos livres e citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α e IL-6), que perpetuam a resistência insulínica e promovem disfunção endotelial, hipertrigliceridemia, HDL baixo e hipertensão. Por isso, o tratamento não pode se limitar a um único componente — a abordagem deve ser global, atacando a raiz do problema.

Os critérios diagnósticos mais utilizados na prática clínica são os do NCEP-ATP III, que definem a síndrome pela presença de três ou mais das cinco características: glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL (ou em tratamento), HDL < 40 mg/dL em homens (ou < 50 mg/dL em mulheres), triglicerídeos ≥ 150 mg/dL (ou em tratamento), obesidade abdominal (cintura ≥ 102 cm em homens ou ≥ 88 cm em mulheres) e pressão arterial ≥ 130/85 mmHg (ou em tratamento). No caso apresentado, o paciente tem: glicemia 112 mg/dL (≥ 100), triglicerídeos 210 mg/dL (≥ 150), HDL 38 mg/dL (< 40), PA 145/92 mmHg (≥ 130/85) e circunferência abdominal 104 cm (≥ 102) — ou seja, preenche todos os cinco critérios, confirmando o diagnóstico.

A conduta inicial em síndrome metabólica é sempre a mudança do estilo de vida: dieta hipocalórica, redução de carboidratos simples e gorduras saturadas, atividade física regular (pelo menos 150 minutos/semana de exercício aeróbico moderado) e perda de peso (mesmo 5–10% do peso corporal já melhora significativamente o perfil lipídico e glicêmico). Essas medidas são a primeira linha terapêutica e têm benefício comprovado sobre todos os componentes da síndrome. O tratamento farmacológico é direcionado aos fatores de risco individuais que persistem após a tentativa de mudança de estilo de vida — anti-hipertensivos para a PA elevada, estatinas conforme a estratificação de risco cardiovascular, e metformina se houver indicação para pré-diabetes/diabetes.

A avaliação do risco cardiovascular global é fundamental nesse paciente, pois a síndrome metabólica confere risco aumentado de eventos cardiovasculares, e a intensidade do tratamento (especialmente com estatinas) depende dessa estratificação. O paciente hipertenso com síndrome metabólica tem risco cardiovascular intermediário ou alto, e a meta pressórica deve ser individualizada, geralmente < 130/80 mmHg se houver risco cardiovascular elevado ou doença cardiovascular estabelecida.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar apenas um componente isolado (estatina, metformina, anti-hipertensivo ou fibrato), quando a abordagem correta é global e integrada, com a mudança de estilo de vida como pilar fundamental. Guarde esse princípio: síndrome metabólica se trata com mudança de estilo de vida + controle de cada fator de risco, nunca com um único medicamento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Prescrever estatina isoladamente é errado porque o risco cardiovascular do paciente não depende apenas do perfil lipídico — ele tem múltiplos fatores de risco (hipertensão, pré-diabetes, obesidade abdominal, HDL baixo) que precisam ser abordados em conjunto. A estatina pode ser indicada após a estratificação de risco, mas nunca como única conduta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar metformina e estatina de imediato, sem mudanças no estilo de vida, é completamente equivocado. A dieta e o exercício físico são a primeira linha terapêutica da síndrome metabólica, com benefício comprovado sobre todos os componentes. A afirmação de que "dieta e exercício não influenciam a fisiopatologia" é falsa — eles atacam diretamente a resistência insulínica e a obesidade visceral, a base do problema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar apenas anti-hipertensivo é insuficiente. Embora o controle pressórico seja importante, o paciente tem outros componentes da síndrome metabólica (dislipidemia, pré-diabetes, obesidade abdominal) que também precisam ser tratados. Além disso, a mudança de estilo de vida é essencial e pode até reduzir a necessidade de medicação anti-hipertensiva.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais adequada: diagnosticar formalmente a síndrome metabólica (o paciente preenche todos os critérios), orientar mudanças no estilo de vida (atividade física regular e dieta hipocalórica) como pilar do tratamento, controlar a hipertensão (com anti-hipertensivo se necessário, após tentativa de mudança de estilo de vida) e avaliar o risco cardiovascular global para decidir a intensidade do tratamento farmacológico adicional (como estatinas). Essa abordagem integrada trata a causa comum e todos os fatores de risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Prescrever fibrato isoladamente, focando na redução de triglicerídeos, é errado por dois motivos: primeiro, o fibrato trata apenas um componente da síndrome, ignorando os demais; segundo, a hipertrigliceridemia não é "o marcador mais importante" — a síndrome metabólica é um conjunto de fatores, e a abordagem deve ser global. O fibrato pode ser considerado em casos de hipertrigliceridemia grave, mas nunca como única conduta.

Gabarito: letra D — a conduta correta é diagnosticar a síndrome metabólica, orientar mudanças no estilo de vida, controlar a hipertensão e avaliar o risco cardiovascular global.

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