Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg483360
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 52 anos, com doença renal crônica estágio 5, em hemodiálise há 4 anos, apresenta fadiga, dor óssea difusa e prurido. Exames laboratoriais indicam cálcio sérico: 7,9 mg/dL, fósforo sérico: 6,5 mg/dL, PTH: 1.200 pg/mL (VR: 15–65) e fosfatase alcalina elevada. Qual é a alteração do metabolismo mineral mais compatível com o quadro descrito e qual é a conduta inicial mais adequada, respectivamente?
AOsteíte fibrosa cística por hiperparatireoidismo secundário – manejo com quelantes de fósforo e calcimiméticos.
BHipoparatireoidismo secundário – iniciar reposição de cálcio oral e vitamina D ativa.
CDoença óssea adinâmica – reduzir dose de vitamina D ativa e cálcio para evitar supressão do PTH.
DOsteomalácia por deficiência de vitamina D – iniciar suplementação exclusiva de colecalciferol em altas doses.
EHiperparatireoidismo terciário – indicação de paratireoidectomia imediata.
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GabaritoA — Osteíte fibrosa cística por hiperparatireoidismo secundário – manejo com quelantes de fósforo e calcimiméticos.
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Distúrbio Mineral e Ósseo na Doença Renal Crônica (DMO-DRC)
Gabarito: letra A. O quadro descrito — doença renal crônica (DRC) estágio 5 em hemodiálise, com hipocalcemia, hiperfosfatemia, PTH muito elevado (1.200 pg/mL) e fosfatase alcalina aumentada — é a expressão clássica do hiperparatireoidismo secundário (HPTS) com osteíte fibrosa cística (OFC), e a conduta inicial envolve o controle do fósforo com quelantes e o uso de calcimiméticos. A alternativa A é a única que nomeia corretamente a alteração e o manejo inicial.
O metabolismo mineral na DRC é profundamente alterado pela perda progressiva da função renal. A retenção de fósforo, a hipocalcemia e a deficiência de calcitriol (1,25[OH]₂D₃) estimulam cronicamente a paratireoide, que responde com aumento da secreção de PTH — é o hiperparatireoidismo secundário. Esse excesso de PTH, por sua vez, acelera o turnover ósseo, com aumento acoplado da reabsorção osteoclástica e da formação osteoblástica, levando à osteíte fibrosa cística, uma doença de alta remodelação. Os marcadores laboratoriais típicos são exatamente os do enunciado: cálcio baixo, fósforo alto, PTH muito elevado e fosfatase alcalina aumentada.
A fisiopatologia é uma cascata: com a queda da TFG, há redução da excreção de fósforo → hiperfosfatemia → precipitação com cálcio nos tecidos moles → hipocalcemia; além disso, a produção renal de calcitriol diminui, reduzindo a absorção intestinal de cálcio e a supressão do PTH. O fósforo ainda inibe a ativação da vitamina D e aumenta a resistência óssea ao PTH, exigindo níveis cada vez maiores de PTH para manter a calcemia. O tratamento inicial visa quebrar esse ciclo: restrição dietética de fósforo, quelantes de fósforo (ligantes de fosfato) e calcimiméticos (como cinacalcete), que sensibilizam o receptor sensível ao cálcio e reduzem o PTH. A paratireoidectomia fica reservada para casos refratários ao tratamento clínico, não como conduta inicial.
A distinção central que a questão explora é entre as formas de doença óssea na DRC: a osteíte fibrosa cística (alta remodelação, PTH elevado) e a doença óssea adinâmica (baixa remodelação, PTH suprimido). A doença adinâmica resulta de tratamento excessivo com vitamina D ativa ou quelantes, que "supersuprimem" o PTH — o oposto do que se vê no caso. A osteomalácia, por sua vez, é um defeito de mineralização, hoje incomum na DRC, associado a intoxicação por alumínio ou deficiência grave de vitamina D. O hiperparatireoidismo terciário é caracterizado por hipercalcemia com PTH elevado, o que não ocorre no paciente (cálcio 7,9 mg/dL, hipocalcemia).
A pegadinha da banca está em trocar o diagnóstico e o tratamento: o paciente tem PTH elevadíssimo (1.200 pg/mL), o que afasta qualquer hipótese de PTH baixo ou suprimido (hipoparatireoidismo, doença adinâmica). A conduta inicial nunca é paratireoidectomia imediata — o manejo clínico com quelantes e calcimiméticos vem primeiro. Guarde o par: PTH alto + fósforo alto + cálcio baixo = HPTS/OFC → quelantes + calcimiméticos; é exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
DMO-DRC
1Alta remodelação
Osteíte fibrosa cística
PTH elevado
Fósforo alto
Cálcio baixo
FA aumentada
Quelantes + calcimiméticos
2Baixa remodelação
Doença óssea adinâmica
PTH suprimido
Reduzir vitamina D/cálcio
3Defeito de mineralização
Osteomalácia
Alumínio/deficiência de vitamina D
4Autônomo
Hiperparatireoidismo terciário
Hipercalcemia
Paratireoidectomia (refratário)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa identifica corretamente a osteíte fibrosa cística por hiperparatireoidismo secundário e o manejo inicial com quelantes de fósforo e calcimiméticos. O paciente tem DRC estágio 5 em diálise, com a tríade laboratorial clássica do HPTS: hipocalcemia (7,9 mg/dL), hiperfosfatemia (6,5 mg/dL) e PTH muito elevado (1.200 pg/mL, VR 15–65), além de fosfatase alcalina aumentada — marcador de alta remodelação óssea, típico da OFC. O tratamento inicial visa controlar o fósforo (quelantes) e reduzir o PTH (calcimiméticos como cinacalcete), quebrando o ciclo fisiopatológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma hipoparatireoidismo secundário, o que é um contrassenso: o paciente tem PTH de 1.200 pg/mL, ou seja, hiperparatireoidismo, não hipo. O hipoparatireoidismo caracteriza-se por PTH baixo ou indetectável, cálcio baixo e fósforo alto — mas o PTH aqui está elevadíssimo. A conduta de repor cálcio e vitamina D ativa seria parte do manejo do HPTS, mas o diagnóstico está errado, e a alternativa não menciona os pilares do tratamento (quelantes e calcimiméticos).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A doença óssea adinâmica é uma doença de baixa remodelação, associada a PTH suprimido (geralmente < 100 pg/mL), resultante de tratamento excessivo com vitamina D ativa ou quelantes. O paciente tem PTH de 1.200 pg/mL — o oposto da supressão. Reduzir vitamina D e cálcio seria indicado na doença adinâmica, não no HPTS com OFC, onde o problema é o excesso de PTH, não a supressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A osteomalácia é um defeito de mineralização óssea, hoje incomum na DRC, associado a intoxicação por alumínio ou deficiência grave de vitamina D. Embora a deficiência de calcitriol contribua para o HPTS, o quadro laboratorial do paciente (PTH 1.200 pg/mL, fósforo alto) é de alta remodelação, não de defeito de mineralização. A suplementação exclusiva de colecalciferol não trata a hiperfosfatemia nem o hiperparatireoidismo grave; o manejo exige quelantes e calcimiméticos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hiperparatireoidismo terciário caracteriza-se por hipercalcemia com PTH elevado, decorrente de hiperplasia autônoma das paratireoides após HPTS de longa duração. O paciente tem hipocalcemia (7,9 mg/dL), o que afasta o diagnóstico de terciário. Além disso, a paratireoidectomia imediata não é a conduta inicial — o tratamento clínico com quelantes de fósforo e calcimiméticos vem primeiro, reservando a cirurgia para casos refratários.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as formas de doença óssea na DRC. O candidato pode ser tentado pela doença adinâmica (C) ou pela osteomalácia (D), mas o PTH de 1.200 pg/mL é o dado que decide: ele indica alta remodelação (osteíte fibrosa cística), não baixa remodelação nem defeito de mineralização. E a paratireoidectomia (E) é armadilha clássica — só após falha do tratamento clínico. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪