Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg483362
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Gestante, 28 anos, 22 semanas de gestação, comparece ao pré-natal. Refere que nunca fez tratamento prévio para sífilis. Sorologia indica VDRL reagente 1:64 e teste treponêmico (FTA-Abs) positivo. Nega alergia a medicamentos. Não há sinais clínicos de sífilis secundária. Parceiro sexual não realizou testagem. Considerando as recomendações atuais para manejo da sífilis na gestação, qual é a conduta mais adequada no caso apresentado?
AIniciar azitromicina, VO, por 7 dias, pois é segura na gestação e eficaz contra Treponema pallidum.
BAdministrar penicilina benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, dose única, pois se trata de sífilis recente.
CAdministrar penicilina benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, 1 dose semanal por 3 semanas, e orientar tratamento do parceiro.
DIniciar doxiciclina, VO, por 14 dias, pois apresenta eficácia semelhante à penicilina em gestantes sem alergia.
EAguardar o resultado de repetição do VDRL em 30 dias para confirmar atividade da doença antes de iniciar o tratamento.
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GabaritoC — Administrar penicilina benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, 1 dose semanal por 3 semanas, e orientar tratamento do parceiro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sífilis na gestação: tratamento com penicilina benzatina
Gabarito: letra C. Gestante com VDRL reagente 1:64 e FTA-Abs positivo, sem tratamento prévio, deve receber penicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, 1 dose semanal por 3 semanas (dose total 7,2 milhões UI), com orientação de tratamento do parceiro — conduta para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, conforme protocolo do Ministério da Saúde. A benzilpenicilina benzatina é a única opção segura e eficaz para o tratamento adequado das gestantes.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela espiroqueta Treponema pallidum, que pode ser transmitida verticalmente da mãe para o feto em qualquer fase gestacional, resultando em aborto, natimorto, prematuridade ou sífilis congênita. O diagnóstico na gestação é feito pela associação de um teste treponêmico (FTA-Abs, TPHA, teste rápido) e um teste não treponêmico (VDRL, RPR), sendo que qualquer um reagente já indica tratamento imediato do casal.
O tratamento de escolha é a benzilpenicilina benzatina, que é segura na gestação e não apresenta evidências de resistência do T. pallidum. O esquema terapêutico depende da classificação do estágio da doença: para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente com menos de 1 ano de evolução), utiliza-se dose única de 2,4 milhões UI; para sífilis tardia (latente tardia com mais de 1 ano, latente com duração ignorada ou terciária), utiliza-se 2,4 milhões UI, 1x/semana, por 3 semanas, totalizando 7,2 milhões UI.
No caso apresentado, a gestante tem 22 semanas, VDRL 1:64 e FTA-Abs positivo, sem tratamento prévio e sem sinais clínicos de sífilis secundária. Como não é possível determinar com precisão o tempo de evolução da infecção (não há relato de sífilis primária ou secundária atual, e a duração é ignorada), o protocolo recomenda tratar como sífilis tardia, com o esquema de 3 doses semanais. Além disso, o parceiro deve ser tratado concomitantemente, preferencialmente com penicilina benzatina, mesmo que o teste seja não reagente, para interromper a cadeia de transmissão.
A alternativa C é a única que contempla o esquema correto para sífilis de duração ignorada e a orientação do tratamento do parceiro. As demais alternativas apresentam erros: azitromicina não é opção na gestação; dose única é insuficiente para sífilis tardia; doxiciclina é contraindicada na gestação; e aguardar repetição do VDRL retardaria o tratamento, o que é inaceitável diante do risco de transmissão vertical.
Lei/Protocolo — Ministério da Saúde (PCDT IST 2022):
"A benzilpenicilina benzatina é a única opção segura e eficaz para o tratamento adequado das gestantes. Qualquer outro tratamento realizado durante a gestação, para fins de definição de caso e abordagem terapêutica de sífilis congênita, é considerado tratamento não adequado da mãe."
1Teste reagente (VDRL + FTA-Abs)
2Classificar estágio da doença
3Tratar imediatamente com penicilina
4Tratar parceiro concomitantemente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A azitromicina não é recomendada para o tratamento da sífilis na gestação. O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que a benzilpenicilina benzatina é a única opção segura e eficaz para gestantes, e qualquer outro tratamento é considerado inadequado, levando à notificação do recém-nascido como caso de sífilis congênita. Além disso, não há evidências robustas de eficácia da azitromicina contra o T. pallidum nesse contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dose única de 2,4 milhões UI é o esquema indicado apenas para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente com menos de 1 ano). No caso, a duração da infecção é ignorada, pois a gestante não apresenta sinais clínicos de sífilis secundária e não há informação sobre o tempo de evolução. Pelo protocolo, sífilis latente com duração ignorada deve ser tratada como tardia, com 3 doses semanais de 2,4 milhões UI.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é administrar penicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, 1 dose semanal por 3 semanas (dose total 7,2 milhões UI), pois se trata de sífilis latente com duração ignorada. O intervalo entre doses não deve ultrapassar 7 dias; caso isso ocorra, o esquema deve ser reiniciado. Além disso, o parceiro deve receber tratamento concomitante, preferencialmente com penicilina benzatina, mesmo com teste não reagente, para interromper a cadeia de transmissão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doxiciclina é contraindicada na gestação, pois pode causar danos ao feto (discoloração dos dentes e alterações ósseas). O protocolo do Ministério da Saúde é claro: a benzilpenicilina benzatina é a única opção segura e eficaz para o tratamento adequado das gestantes. A doxiciclina é uma opção apenas para não gestantes, com acompanhamento rigoroso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aguardar a repetição do VDRL em 30 dias retardaria o tratamento, o que é inaceitável na gestação. Cada semana sem tratamento aumenta o risco de transmissão vertical e de desfechos adversos, como sífilis congênita. O protocolo recomenda tratamento imediato após um teste reagente em gestantes, independentemente da confirmação por segundo teste, para não perder a oportunidade de tratar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre sífilis recente e tardia. A alternativa B oferece dose única, que seria correta para sífilis recente, mas o caso é de duração ignorada — e o protocolo manda tratar como tardia. Fique atento: na gestação, quando não se sabe o tempo de evolução, o esquema é sempre o de 3 doses semanais.
PEGA ESSA DICA!
Memorize os esquemas: sífilis recente = 1 dose de 2,4 milhões UI; sífilis tardia/duração ignorada = 3 doses semanais de 2,4 milhões UI. Na gestação, qualquer outro medicamento é considerado tratamento inadequado. E lembre: o parceiro sempre deve ser tratado concomitantemente.