Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg483363
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 58 anos, hipertenso e obeso (IMC 32 kg/m² ), DM2 há 12 anos, apresenta HbA1c 9,2% apesar de uso de metformina 2 g/dia e glibenclamida 10 mg/dia. Refere episódios de hipoglicemia leves nos últimos meses. Sem doença renal crônica, função hepática normal, histórico cardiovascular positivo para infarto agudo do miocárdio há 5 anos. Para otimização do controle glicêmico e redução de risco cardiovascular, qual é a conduta terapêutica mais apropriada no caso desse paciente?
AIntensificar sulfonilureia, aumentando a dose acima da máxima recomendada, visando atingir HbA1c <7%.
BManter esquema atual e adicionar dieta restritiva; evitar introdução de novos medicamentos devido ao risco de hipoglicemia.
CAdicionar inibidor de SGLT2 ou agonista GLP-1 à terapia atual, visando controle glicêmico e benefícios cardiovasculares, ajustando sulfonilureia para reduzir risco de hipoglicemia.
DIniciar insulina basal em monoterapia, suspendendo os hipoglicemiantes orais.
EPrescrever apenas um inibidor de DPP-4, mantendo a sulfonilureia em dose máxima, sem considerar histórico cardiovascular.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Adicionar inibidor de SGLT2 ou agonista GLP-1 à terapia atual, visando controle glicêmico e benefícios cardiovasculares, ajustando sulfonilureia para reduzir risco de hipoglicemia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diabetes Mellitus tipo 2: otimização terapêutica com doença cardiovascular estabelecida
Gabarito: letra C. Para paciente com DM2, obesidade, HbA1c 9,2% apesar de metformina + sulfonilureia, com histórico de infarto agudo do miocárdio (doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida), a conduta mais apropriada é adicionar um inibidor de SGLT2 ou agonista de GLP-1 à terapia atual, visando controle glicêmico e benefícios cardiovasculares, ajustando a sulfonilureia para reduzir o risco de hipoglicemia. Essa recomendação está alinhada às diretrizes atuais de tratamento do DM2, que priorizam agentes com benefício cardiovascular comprovado em pacientes com doença cardiovascular estabelecida.
O caso clínico apresenta um paciente com DM2 de longa data (12 anos), em uso de metformina 2 g/dia e glibenclamida 10 mg/dia, com HbA1c de 9,2% — ou seja, fora da meta terapêutica. Além disso, o paciente é obeso (IMC 32 kg/m²), hipertenso e tem histórico de infarto agudo do miocárdio há 5 anos, configurando doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida. O ponto central da questão é a escolha da terapia adicional após falha da terapia dupla oral, considerando não apenas o controle glicêmico, mas também a redução de risco cardiovascular e o perfil de segurança do paciente, que já apresenta episódios de hipoglicemia.
As diretrizes atuais (como as da Sociedade Brasileira de Diabetes e da American Diabetes Association) recomendam que, em pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, deve-se considerar o uso de um inibidor de SGLT2 ou um agonista de GLP-1 com benefício cardiovascular comprovado, independentemente da HbA1c. Esses agentes demonstraram redução de desfechos cardiovasculares maiores em estudos clínicos randomizados. No caso, o paciente já apresenta risco de hipoglicemia com a sulfonilureia (glibenclamida), o que reforça a necessidade de ajustar (reduzir) a dose dessa medicação ao adicionar a nova classe, para minimizar o risco de eventos hipoglicêmicos.
A alternativa C é a única que contempla todos os aspectos: adicionar iSGLT2 ou arGLP1 (benefício cardiovascular), ajustar a sulfonilureia (reduzir risco de hipoglicemia) e manter a metformina (terapia de primeira linha). As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como intensificar sulfonilureia acima da dose máxima (risco de hipoglicemia e sem benefício cardiovascular), manter o esquema sem intensificar (inércia terapêutica), iniciar insulina basal suspendendo os orais (perde o benefício cardiovascular da metformina e dos novos agentes) ou usar apenas iDPP4 sem considerar o histórico cardiovascular (classe sem benefício cardiovascular comprovado).
A pegadinha da questão está em reconhecer que, apesar da HbA1c elevada (9,2%), a prioridade não é simplesmente intensificar a terapia com mais um agente oral tradicional, mas sim escolher uma classe com benefício cardiovascular comprovado, dado o histórico de IAM. Além disso, o ajuste da sulfonilureia é crucial, pois o paciente já apresenta hipoglicemias, e a glibenclamida é uma das sulfonilureias com maior risco de hipoglicemia, especialmente em pacientes com mais de 60 anos (o paciente tem 58 anos, mas o risco persiste).
DM2 + doença cardiovascular estabelecida
1Prioridade: benefício cardiovascular
iSGLT2 ou arGLP1
iDPP4 (neutro, sem benefício)
Sulfonilureia (neutra, risco de hipoglicemia)
2Ajuste da sulfonilureia
Reduzir dose (hipoglicemia)
Não ultrapassar dose máxima
3Manter metformina
Primeira linha
Benefício cardiovascular
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Intensificar a sulfonilureia aumentando a dose acima da máxima recomendada é conduta inadequada e perigosa. A glibenclamida tem dose máxima de 20 mg/dia, e o paciente já está em 10 mg/dia com episódios de hipoglicemia. Aumentar a dose acima do máximo aumenta exponencialmente o risco de hipoglicemia grave, sem benefício adicional significativo no controle glicêmico. Além disso, as sulfonilureias não têm benefício cardiovascular comprovado, sendo neutras nesse aspecto. A conduta correta seria adicionar uma classe com benefício cardiovascular, não intensificar uma classe que já causa hipoglicemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Manter o esquema atual e adicionar apenas dieta restritiva, evitando novos medicamentos, configura inércia terapêutica. O paciente tem HbA1c de 9,2%, muito acima da meta, e doença cardiovascular estabelecida. A dieta é fundamental, mas não é suficiente para atingir as metas glicêmicas nesse cenário. Além disso, a alternativa ignora o benefício cardiovascular que poderia ser obtido com iSGLT2 ou arGLP1. A conduta correta é intensificar o tratamento farmacológico com agentes de benefício cardiovascular comprovado, não apenas medidas não farmacológicas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Adicionar inibidor de SGLT2 ou agonista de GLP-1 à terapia atual é a conduta mais apropriada. Essas classes têm benefício cardiovascular comprovado em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, reduzindo desfechos como infarto, AVC e morte cardiovascular. Além disso, promovem perda de peso (benéfico para o paciente obeso) e têm baixo risco de hipoglicemia. O ajuste da sulfonilureia é essencial, pois o paciente já apresenta episódios de hipoglicemia, e a adição de um novo agente pode permitir reduzir a dose da glibenclamida, diminuindo o risco de eventos hipoglicêmicos. A metformina deve ser mantida, pois é a terapia de primeira linha com excelente perfil benefício/risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar insulina basal em monoterapia, suspendendo os hipoglicemiantes orais, é conduta inadequada. A insulina basal é uma opção válida para intensificação, mas não deve substituir a metformina, que tem benefícios cardiovasculares e metabólicos comprovados. Além disso, a insulina basal isolada não oferece o benefício cardiovascular adicional que iSGLT2 ou arGLP1 proporcionam. O paciente tem doença cardiovascular estabelecida, e a escolha da terapia deve priorizar agentes com benefício cardiovascular comprovado. A insulina também causa ganho de peso, o que é desfavorável para o paciente obeso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Prescrever apenas um inibidor de DPP-4, mantendo a sulfonilureia em dose máxima, sem considerar o histórico cardiovascular, é conduta inadequada. Os iDPP4 são agentes bem tolerados e com segurança cardiovascular neutra, mas não têm benefício cardiovascular comprovado (diferente de iSGLT2 e arGLP1). Em paciente com doença cardiovascular estabelecida, a escolha deve priorizar classes com benefício comprovado. Além disso, manter a sulfonilureia em dose máxima, sem ajuste, mantém o risco de hipoglicemia, que o paciente já apresenta. A alternativa ignora completamente o histórico cardiovascular, que é o fator decisivo na escolha terapêutica.