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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg483366
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 42 anos, previamente hígido, apresenta icterícia súbita há 5 dias, confusão mental progressiva e sangramento gengival. Exames indicam INR: 3,2, bilirrubina total: 18 mg/dL, AST/ALT: >2.000 U/L e creatinina: 2,1 mg/dL. Sorologias virais negativas. História de uso de paracetamol em altas doses. Considerando as informações apresentadas, qual é o fator mais determinante de prognóstico e indicação de transplante hepático urgente?
  1. ANível absoluto de transaminases (AST/ALT).
  2. BGrau de icterícia (bilirrubina sérica).
  3. CHistória de uso de paracetamol.
  4. DNível sérico de creatinina isoladamente.
  5. EPresença de coagulopatia e encefalopatia (critérios de insuficiência hepática aguda).
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GabaritoE — Presença de coagulopatia e encefalopatia (critérios de insuficiência hepática aguda).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Hepática Aguda (Fulminante) e Indicação de Transplante

Gabarito: letra E. Na insuficiência hepática aguda (IHA), o fator mais determinante de prognóstico e indicação de transplante hepático urgente é a presença de encefalopatia hepática associada à coagulopatia (INR elevado), que juntas definem o quadro e são a base dos principais critérios prognósticos, como os do King's College. Os demais parâmetros (transaminases, bilirrubina, creatinina) são importantes, mas não são, isoladamente, o fator decisivo.

A insuficiência hepática aguda (IHA), também chamada de hepatite fulminante, é uma síndrome rara e dramática caracterizada pela necrose maciça dos hepatócitos com início súbito, levando à perda rápida da função hepática em um paciente sem doença hepática prévia. O quadro clínico é dominado por icterícia, coagulopatia (sangramentos, INR elevado) e encefalopatia hepática (confusão mental, rebaixamento do nível de consciência), podendo evoluir para falência de múltiplos órgãos. A causa mais comum no Ocidente é a hepatotoxicidade por paracetamol, exatamente como no caso do enunciado (uso de altas doses, sorologias virais negativas, AST/ALT > 2.000 U/L).

O que decide o prognóstico e a urgência do transplante não é um único exame isolado, mas sim a combinação de marcadores de gravidade. Os critérios mais utilizados e consagrados são os do King's College Hospital (KCH), que para a IHA por paracetamol consideram: pH arterial < 7,30 (após reposição volêmica) OU a presença simultânea de encefalopatia grau III ou IV, INR > 6,5 e creatinina > 3,4 mg/dL. Para as IHA de outras causas (não-paracetamol), os critérios incluem INR > 6,5 (isoladamente) ou a presença de três dos seguintes: idade < 10 ou > 40 anos, etiologia não-A/não-B ou droga idiopática, duração da icterícia antes da encefalopatia > 7 dias, INR > 3,5 ou bilirrubina total > 17,5 mg/dL. Perceba que, em ambos os conjuntos de critérios, a encefalopatia e a coagulopatia (INR) são elementos centrais e praticamente obrigatórios — é a falência funcional do fígado, manifestada por esses dois sinais, que define a gravidade máxima e a necessidade de transplante.

Na prática, o raciocínio clínico é o seguinte: o paciente com IHA tem um fígado que não consegue mais sintetizar fatores de coagulação (daí o INR elevado e o sangramento) nem metabolizar amônia e outras toxinas (daí a encefalopatia). Quando esses dois sistemas falham simultaneamente, a mortalidade sem transplante é altíssima (superior a 80-90% em muitos estudos). Por isso, a presença de coagulopatia + encefalopatia é o critério que dispara a avaliação imediata para transplante. Os níveis de transaminases, bilirrubina e creatinina, embora reflitam a gravidade da lesão e a presença de disfunção renal (síndrome hepatorrenal), são marcadores secundários ou complementares — não são, isoladamente, o fator determinante.

A pegadinha desta questão está em confundir marcadores de lesão (transaminases, bilirrubina) com marcadores de função/gravidade (INR, encefalopatia). As transaminases elevadíssimas indicam apenas a magnitude da necrose hepatocelular, mas não predizem a recuperação ou a necessidade de transplante — um paciente pode ter AST/ALT de 10.000 e se recuperar, enquanto outro com AST/ALT de 2.000 pode evoluir para falência fatal. O que realmente importa é a capacidade funcional do fígado remanescente, que se traduz clinicamente pela presença ou ausência de encefalopatia e coagulopatia. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O nível absoluto de transaminases (AST/ALT) reflete a intensidade da lesão hepatocelular, não a gravidade funcional. Na IHA, valores extremamente elevados podem até ser um sinal de lesão maciça, mas não são o fator determinante de prognóstico nem de indicação de transplante. Um paciente pode ter transaminases muito altas e evoluir bem, ou ter valores moderados e desenvolver falência fatal. O que decide é a função hepática residual (coagulação, encefalopatia), não o grau de necrose medido pelas enzimas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O grau de icterícia (bilirrubina sérica) é um marcador de disfunção hepática, mas não é o fator mais determinante. A bilirrubina elevada (18 mg/dL no caso) indica falência da excreção biliar, mas isoladamente não define a necessidade de transplante. Nos critérios do King's College para IHA não-paracetamol, a bilirrubina > 17,5 mg/dL é apenas um dos três critérios que, combinados com outros (idade, INR, tempo de icterícia), indicam transplante — nunca é um fator isolado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A história de uso de paracetamol é a causa da IHA, não o fator prognóstico. Saber a etiologia é fundamental para o tratamento específico (N-acetilcisteína) e para aplicar os critérios corretos do King's College (que são diferentes para paracetamol e não-paracetamol), mas a causa em si não é o determinante do prognóstico — o que determina é a gravidade da falência hepática (encefalopatia, coagulopatia).

Alternativa D — ❌ Incorreta

O nível sérico de creatinina isoladamente (2,1 mg/dL no caso) indica disfunção renal, que pode ser consequência da IHA (síndrome hepatorrenal) e piora o prognóstico. No entanto, a creatinina isolada não é o fator determinante. Nos critérios do King's College para paracetamol, a creatinina > 3,4 mg/dL é um dos componentes (junto com encefalopatia grau III/IV e INR > 6,5), mas sozinha não indica transplante.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de coagulopatia (INR elevado) e encefalopatia é o fator mais determinante de prognóstico e indicação de transplante hepático urgente na IHA. Esses dois sinais representam a falência funcional do fígado: a incapacidade de sintetizar fatores de coagulação (INR 3,2 no caso) e de metabolizar toxinas que causam disfunção cerebral (confusão mental). A combinação desses dois achados define a gravidade máxima da IHA e é o núcleo dos principais critérios prognósticos (King's College, Clichy), sendo indicação formal de transplante urgente. O paciente do enunciado, com INR 3,2, encefalopatia e uso de paracetamol, preenche critérios de gravidade que exigem avaliação imediata para transplante.

Gabarito: letra E — a presença de coagulopatia e encefalopatia (critérios de insuficiência hepática aguda) é o fator mais determinante de prognóstico e indicação de transplante hepático urgente.

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