Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg483367
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 58 anos, internado por pneumonia, apresenta hiponatremia (Na⁺ sérico: 118 mEq/L). Ao exame físico, sem edemas, sem sinais de desidratação, PA: 110/70 mmHg, pulso: 90 bpm. Exames adicionais indicam osmolaridade sérica: 260 mOsm/kg, osmolaridade urinária: 500 mOsm/kg, sódio urinário: 60 mEq/L. TSH e cortisol sérico normais. Qual é o diagnóstico mais provável, considerando as informações apresentadas?
AHiponatremia por insuficiência adrenal primária.
BHiponatremia secundária a hipotireoidismo.
CHiponatremia dilucional em insuficiência cardíaca congestiva.
DSíndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH).
EHiponatremia induzida por excesso de polidipsia primária.
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GabaritoD — Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH).
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Hiponatremia: abordagem diagnóstica e SIADH
Gabarito: letra D. O paciente apresenta hiponatremia hipotônica (osmolaridade sérica 260 mOsm/kg), euvolemia clínica (sem edemas, sem desidratação), osmolaridade urinária inapropriadamente elevada (500 mOsm/kg) e sódio urinário alto (60 mEq/L), com TSH e cortisol normais — o conjunto fecha o diagnóstico de Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH), que é um diagnóstico de exclusão após afastar hipotireoidismo e insuficiência adrenal.
A hiponatremia é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum na prática clínica, definida como sódio sérico < 135 mEq/L. O primeiro passo na abordagem é classificar a hiponatremia pela osmolaridade sérica: apenas a hiponatremia hipotônica (osmolaridade < 275 mOsm/kg) é considerada hiponatremia verdadeira. Neste caso, a osmolaridade sérica de 260 mOsm/kg confirma que se trata de hiponatremia hipotônica verdadeira.
O segundo passo é avaliar o estado volêmico do paciente, que divide as causas em hipovolêmicas, euvolêmicas e hipervolêmicas. O exame físico é a ferramenta mais confiável: a presença de edema sugere hipervolemia (insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica); sinais de hipovolemia (hipotensão ortostática, turgor cutâneo reduzido, mucosas secas) indicam perdas de sódio; e a euvolemia clínica — como neste paciente, que não tem edemas nem sinais de desidratação — direciona para causas euvolêmicas.
Nos pacientes euvolêmicos, dois exames são fundamentais para o diagnóstico etiológico: o sódio urinário e a osmolaridade urinária. Quando o sódio urinário é baixo (< 25 mEq/L) e a osmolaridade urinária é baixa (< 100 mOsm/kg), o ADH está adequadamente suprimido, e deve-se pensar em ingesta excessiva de água (polidipsia primária). Quando o sódio urinário é alto (> 40 mEq/L) e a osmolaridade urinária é elevada (> 100 mOsm/kg), o ADH está inapropriadamente elevado, e deve-se pesquisar deficiência de glicocorticoide (cortisol sérico da manhã) e hipotireoidismo (TSH). Se esses testes forem negativos — como neste caso, em que TSH e cortisol estão normais —, o diagnóstico de exclusão é a SIADH.
A SIADH é caracterizada por secreção inapropriadamente alta de ADH, que pode ser de origem hipofisária ou ectópica (neoplasias, principalmente carcinoma de pulmão; doenças pulmonares como pneumonia e tuberculose; doenças do SNC; medicações). Os pacientes apresentam natriurese e osmolaridade urinária inapropriadamente altas, e, apesar de clinicamente euvolêmicos, possuem volume plasmático ligeiramente aumentado. Os critérios diagnósticos essenciais incluem: osmolalidade sérica efetiva < 275 mOsm/kg, osmolalidade urinária > 100 mOsm/kg, euvolemia clínica, sódio urinário > 30 mmol/L, ausência de insuficiência adrenal, tireoidiana, hipofisária ou renal, e sem uso recente de diuréticos.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre as causas de hiponatremia euvolêmica. A banca explora a confusão entre SIADH e outras etiologias que também cursam com hiponatremia, mas com achados laboratoriais distintos. O ponto-chave é que, na SIADH, o sódio urinário é alto (> 30-40 mEq/L) e a osmolaridade urinária é inapropriadamente elevada (> 100 mOsm/kg), enquanto na polidipsia primária o sódio urinário é baixo e a osmolaridade urinária é baixa. Além disso, a SIADH é um diagnóstico de exclusão: é preciso afastar primeiro as endocrinopatias (insuficiência adrenal e hipotireoidismo) e as causas hipervolêmicas.
Guarde o fluxo diagnóstico: osmolaridade sérica → estado volêmico → sódio urinário e osmolaridade urinária → TSH e cortisol → SIADH como diagnóstico de exclusão. É exatamente nessa sequência que as alternativas se separam.
1Osmolaridade sérica (hipotônica?)
2Estado volêmico (edema? hipovolemia?)
3Sódio e osmolaridade urinária
4TSH e cortisol (afastar endocrinopatias)
5SIADH (diagnóstico de exclusão)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A insuficiência adrenal primária causa hiponatremia por deficiência de cortisol e aldosterona, cursando com hipovolemia (perda renal de sódio) e, tipicamente, hipercalemia. O paciente é euvolêmico e tem cortisol sérico normal, o que afasta essa hipótese. Além disso, na insuficiência adrenal, o sódio urinário pode estar elevado, mas o estado volêmico seria de hipovolemia, não euvolemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo pode causar hiponatremia euvolêmica por redução do débito cardíaco e aumento da secreção de ADH. No entanto, o TSH sérico está normal no paciente, o que exclui essa causa. A banca explora a confusão entre hipotireoidismo e SIADH, ambos cursando com hiponatremia euvolêmica, mas o TSH normal é o divisor de águas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insuficiência cardíaca congestiva causa hiponatremia hipervolêmica (dilucional), caracterizada por edema, ascite e congestão pulmonar. O paciente não apresenta edemas, o que afasta a hipervolemia. Além disso, na ICC, o sódio urinário costuma ser baixo (< 25 mEq/L) devido à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, enquanto neste caso o sódio urinário está elevado (60 mEq/L).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A SIADH é o diagnóstico mais provável. O paciente tem hiponatremia hipotônica (osmolaridade sérica 260 mOsm/kg), euvolemia clínica (sem edemas, sem desidratação), osmolaridade urinária inapropriadamente elevada (500 mOsm/kg), sódio urinário alto (60 mEq/L) e TSH e cortisol normais. Esses achados preenchem os critérios essenciais da SIADH: osmolalidade sérica < 275 mOsm/kg, osmolalidade urinária > 100 mOsm/kg, euvolemia, sódio urinário > 30 mmol/L e ausência de insuficiência adrenal, tireoidiana, hipofisária ou renal. A pneumonia, doença de base do paciente, é uma causa clássica de SIADH.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A polidipsia primária causa hiponatremia por ingesta excessiva de água, com ADH adequadamente suprimido. Nesse caso, o sódio urinário é baixo (< 25 mEq/L) e a osmolaridade urinária é baixa (< 100 mOsm/kg), pois o rim está excretando urina diluída. No paciente, o sódio urinário está elevado (60 mEq/L) e a osmolaridade urinária está alta (500 mOsm/kg), o que indica ADH inapropriadamente elevado, não suprimido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de hiponatremia euvolêmica. O candidato pode ser tentado a escolher polidipsia primária ou hipotireoidismo, mas os dados laboratoriais são decisivos: sódio urinário alto (> 40 mEq/L) e osmolaridade urinária alta (> 100 mOsm/kg) apontam para SIADH, enquanto na polidipsia primária ambos seriam baixos. Além disso, TSH e cortisol normais afastam as endocrinopatias. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hiponatremia, monte o fluxo mental: 1) osmolaridade sérica (hipotônica?); 2) estado volêmico (edema? hipovolemia? euvolemia?); 3) sódio urinário e osmolaridade urinária; 4) TSH e cortisol. A SIADH é sempre um diagnóstico de exclusão — só feche após afastar as endocrinopatias e as causas hipervolêmicas.