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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg483368
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Mulher, 72 anos, refere palpitações intermitentes e perda ponderal discreta nas últimas semanas. Em avaliação ambulatorial, encontra-se assintomática exceto pelas palpitações. Exames laboratoriais repetidos (intervalo de 6 semanas): TSH: 0,02 mIU/L (referência 0,4–4,0), T4 e T3 livres dentro da faixa normal. ECG: fibrilação atrial de nova detecção. Densitometria óssea prévia mostrou osteopenia. Qual é a conduta inicial mais apropriada para essa paciente?
  1. AAdiar qualquer tratamento específico e acompanhar clinicamente e laboratorialmente (TSH) a cada 3-6 meses, pois os hormônios tireoidianos estão normais (subclínico).
  2. BPrescrever apenas betabloqueador para controle das palpitações e fibrilação atrial, repetindo TSH em 12 meses; não iniciar tratamento antitireoideano nem modalidades definitivas.
  3. CTratar o hipertireoidismo subclínico para normalizar o TSH (iniciar avaliação etiológica – cintilografia e ultrassom – e, dependendo da causa, instituir tratamento: por exemplo, terapia com iodo radioativo para bócio multinodular tóxico ou metimazol/terapia definitiva conforme contexto), visto que paciente tem TSH persistentemente <0,1 mIU/L, idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia).
  4. DIniciar levotiroxina em dose baixa para elevar o TSH até faixa normal, reduzindo o risco de fibrilação atrial e perda óssea.
  5. EIniciar eculizumabe imediatamente, uma vez que normalizar o TSH não altera risco cardiovascular em idosos.
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GabaritoC — Tratar o hipertireoidismo subclínico para normalizar o TSH (iniciar avaliação etiológica – cintilografia e ultrassom – e, dependendo da causa, instituir tratamento: por exemplo, terapia com iodo radioativo para bócio multinodular tóxico ou metimazol/terapia definitiva conforme contexto), visto que paciente tem TSH persistentemente <0,1 mIU/L, idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertireoidismo subclínico: quando tratar

Gabarito: letra C. A conduta inicial mais apropriada é tratar o hipertireoidismo subclínico para normalizar o TSH, iniciando avaliação etiológica e instituindo tratamento conforme a causa, pois a paciente tem TSH persistentemente <0,1 mIU/L, idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia). Essa conduta segue as diretrizes da American Thyroid Association (ATA) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que recomendam tratamento em pacientes com TSH suprimido (<0,1 mIU/L) e fatores de risco.

O hipertireoidismo subclínico é definido pela presença de TSH sérico baixo ou indetectável, com níveis normais de T4 livre e T3 livre. É uma condição comum em idosos e está associada a aumento do risco de fibrilação atrial, osteoporose e fraturas, além de mortalidade cardiovascular. A decisão de tratar depende da persistência do TSH suprimido, da idade do paciente e da presença de comorbidades.

A diretriz da ATA de 2016 recomenda tratamento do hipertireoidismo subclínico em pacientes com TSH <0,1 mIU/L, especialmente se houver sintomas, idade >65 anos, fibrilação atrial, osteopenia/osteoporose ou outras comorbidades. A avaliação etiológica inclui cintilografia de tireoide e ultrassonografia para diferenciar as causas (doença de Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico). O tratamento pode ser feito com antitireoidianos (metimazol), iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da causa e do contexto clínico.

Nesta paciente, o TSH está persistentemente <0,1 mIU/L (confirmado em duas dosagens com intervalo de 6 semanas), ela tem 72 anos (>65 anos), apresenta fibrilação atrial de nova detecção e osteopenia. Esses fatores justificam o tratamento, pois o risco de complicações cardiovasculares e ósseas é significativo. A conduta de apenas observar e repetir TSH em 3-6 meses (alternativa A) ou em 12 meses (alternativa B) não é adequada, pois a paciente já apresenta complicações. Iniciar levotiroxina (alternativa D) é um erro grave, pois agravaria o hipertireoidismo. Eculizumabe (alternativa E) não tem indicação para hipertireoidismo.

A distinção crucial é entre hipertireoidismo subclínico com TSH entre 0,1 e 0,4 mIU/L (leve, geralmente observado) e TSH <0,1 mIU/L (suprimido, com maior risco de complicações). A banca explora exatamente essa fronteira: a paciente tem TSH <0,1 mIU/L, o que a coloca no grupo de maior risco que se beneficia do tratamento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Adiar o tratamento e apenas acompanhar clinicamente e laboratorialmente a cada 3-6 meses é conduta inadequada para esta paciente. Embora o hipertireoidismo subclínico com TSH entre 0,1 e 0,4 mIU/L possa ser apenas observado, a paciente tem TSH <0,1 mIU/L (suprimido), idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia). Nesse cenário, as diretrizes recomendam tratamento, não apenas observação. A alternativa ignora o risco aumentado de complicações cardiovasculares e ósseas associado ao TSH suprimido em idosos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Prescrever apenas betabloqueador para controle das palpitações e fibrilação atrial, repetindo TSH em 12 meses, sem iniciar tratamento antitireoideano nem modalidades definitivas, é insuficiente. O betabloqueador controla os sintomas adrenérgicos, mas não trata a causa do hipertireoidismo. A paciente tem TSH persistentemente <0,1 mIU/L, idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia), o que justifica tratamento definitivo da tireoide. Repetir TSH em 12 meses é um intervalo muito longo para uma paciente com risco elevado de complicações.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tratar o hipertireoidismo subclínico para normalizar o TSH é a conduta correta. A paciente tem TSH persistentemente <0,1 mIU/L (confirmado em duas dosagens), idade >65 anos e complicações (fibrilação atrial e osteopenia). A avaliação etiológica (cintilografia e ultrassom) é necessária para diferenciar as causas e guiar o tratamento. Dependendo da causa, pode-se instituir iodo radioativo (para bócio multinodular tóxico) ou metimazol/terapia definitiva. Essa conduta segue as diretrizes da ATA e da SBEM, que recomendam tratamento em pacientes com TSH suprimido e fatores de risco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar levotiroxina em dose baixa para elevar o TSH até a faixa normal é um erro grave. A levotiroxina é o tratamento do hipotireoidismo, não do hipertireoidismo. Em uma paciente com hipertireoidismo subclínico (TSH baixo), administrar levotiroxina agravaria o quadro, aumentando ainda mais os níveis de hormônios tireoidianos e o risco de fibrilação atrial e perda óssea. Essa alternativa inverte completamente o tratamento correto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar eculizumabe imediatamente é totalmente inadequado. O eculizumabe é um anticorpo monoclonal usado no tratamento de hemoglobinúria paroxística noturna e síndrome hemolítico-urêmica atípica, não tendo nenhuma indicação no hipertireoidismo. Além disso, a afirmação de que normalizar o TSH não altera risco cardiovascular em idosos é falsa: o tratamento do hipertireoidismo subclínico em idosos com TSH suprimido reduz o risco de fibrilação atrial e eventos cardiovasculares.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a fronteira entre hipertireoidismo subclínico leve (TSH 0,1–0,4 mIU/L, geralmente apenas observado) e TSH suprimido (<0,1 mIU/L, com indicação de tratamento em idosos com comorbidades). A alternativa A parece razoável para o subclínico leve, mas a paciente tem TSH <0,1 mIU/L, idade >65 anos e complicações — o que a coloca no grupo que se beneficia do tratamento. Fique atento ao valor exato do TSH e à presença de comorbidades.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, memorize os critérios de tratamento do hipertireoidismo subclínico: TSH <0,1 mIU/L + idade >65 anos + comorbidades (fibrilação atrial, osteoporose) = tratar. TSH entre 0,1 e 0,4 mIU/L sem comorbidades = observar. Essa distinção é a chave para acertar questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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