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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg483377
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 58 anos, portador de prótese valvar aórtica mecânica implantada há 14 meses, apresenta febre persistente há 10 dias, fadiga e perda de peso. O exame físico indica PA: 118/70 mmHg e FC: 102 bpm. Apresenta sopros cardíacos múltiplos, inclusive novo sopro regurgitativo, esplenomegalia discreta e lesões de Janeway nas extremidades. Exames de laboratório indicam leucocitose discreta e VHS elevado. Ao ecocardiograma transesofágico, apresentada vegetação de 1,3 cm aderida à prótese valvar. Hemoculturas positivas para Staphylococcus epidermidis em múltiplas amostras. Qual é a conduta inicial mais apropriada, considerado o caso apresentado?
  1. AIniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro apenas após confirmação histopatológica do material valvar removido cirurgicamente.
  2. BIniciar vancomicina associada à rifampicina e gentamicina, ajustando-se a medicação conforme resultado da cultura e sensibilidade.
  3. CTratar apenas com vancomicina isolada por 2 semanas, pois S. epidermidis costuma ser sensível.
  4. DIniciar anticoagulação plena imediata para prevenir trombose valvar, postergando antibioticoterapia para depois do controle do risco tromboembólico.
  5. EOptar por tratamento clínico exclusivo com antibióticos orais, pois a presença de vegetação <2 cm exclui indicação cirúrgica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Iniciar vancomicina associada à rifampicina e gentamicina, ajustando-se a medicação conforme resultado da cultura e sensibilidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endocardite Infecciosa em Prótese Valvar: Conduta Inicial

Gabarito: letra B. O caso é de endocardite infecciosa (EI) tardia sobre prótese valvar mecânica, causada por Staphylococcus epidermidis (estafilococo coagulase-negativo), e a conduta inicial apropriada é iniciar antibioticoterapia empírica com vancomicina associada à rifampicina e gentamicina, ajustando conforme cultura e sensibilidade — exatamente o que a alternativa B descreve. Essa combinação é o esquema padrão para EI por estafilococos coagulase-negativos em prótese valvar, pois esses microrganismos são quase sempre resistentes à meticilina (oxacilina) e formam biofilme, exigindo associação de drogas.

A endocardite infecciosa é uma infecção do endocárdio, geralmente valvar, que pode acometer válvulas nativas ou protéticas. No caso de próteses valvares, a EI é classificada como precoce (até 2 meses do implante) ou tardia (após 2 meses). A EI tardia em prótese mecânica é tipicamente causada por estafilococos coagulase-negativos, como o S. epidermidis, que são menos virulentos e têm evolução mais indolente, mas que formam biofilme na superfície protética, tornando o tratamento antibiótico isolado menos eficaz. O diagnóstico é feito pelos critérios de Duke, que combinam critérios maiores (hemocultura positiva para microrganismo típico, evidência de envolvimento endocárdico por ecocardiograma) e menores (febre, fenômenos vasculares como lesões de Janeway, fenômenos imunológicos, predisposição). No caso apresentado, o paciente tem prótese valvar (predisposição), febre, lesões de Janeway (fenômeno vascular), novo sopro regurgitativo e vegetação ao ecocardiograma transesofágico, além de hemoculturas positivas para S. epidermidis — preenchendo critérios para EI definitiva.

O tratamento da EI por estafilococos coagulase-negativos em prótese valvar segue diretrizes específicas. Como esses microrganismos são quase universalmente resistentes à meticilina, a vancomicina é a base do esquema. A rifampicina é adicionada porque penetra bem no biofilme e tem atividade sinérgica, e a gentamicina é usada nas primeiras 2 semanas por seu efeito bactericida sinérgico. Esse esquema é iniciado empiricamente assim que o diagnóstico é suspeitado, especialmente em pacientes com prótese valvar e quadro clínico compatível, e depois ajustado conforme o resultado da cultura e do antibiograma. A demora para iniciar antibióticos aguardando confirmação histopatológica (alternativa A) é incorreta, pois o tratamento deve ser iniciado precocemente para reduzir morbimortalidade. O uso de vancomicina isolada por 2 semanas (alternativa C) é insuficiente, pois não cobre o biofilme e não é o esquema recomendado. A anticoagulação plena imediata (alternativa D) não é a prioridade e não substitui o antibiótico; além disso, em EI por estafilococos coagulase-negativos, o risco de embolia séptica é maior que o de trombose valvar. O tratamento clínico exclusivo com antibióticos orais (alternativa E) é inadequado, pois a EI por estafilococos coagulase-negativos em prótese requer antibióticos intravenosos em altas doses por tempo prolongado, e a vegetação de 1,3 cm, embora menor que 2 cm, não exclui indicação cirúrgica — a cirurgia é indicada por critérios como insuficiência cardíaca, infecção não controlada, abscesso, ou vegetação grande (>10 mm) com embolia recorrente.

A pegadinha central desta questão é a banca tentar fazer o candidato escolher uma conduta incompleta ou atrasada, quando o princípio é: em EI de prótese valvar por estafilococo coagulase-negativo, o tratamento empírico imediato com vancomicina + rifampicina + gentamicina é a regra. Guarde esse esquema: é o que decide a questão.

Conduta

Antibiótico

Indicação Cirúrgica

Ajuste conforme cultura

A (Aguardar histopatologia)

Iniciar só após cirurgia

Pré-requisito para tratar

Não

B (Vancomicina + rifampicina + gentamicina)

Empírico imediato

Não é pré-requisito

Sim

C (Vancomicina isolada)

Monoterapia por 2 semanas

Não mencionada

Não

D (Anticoagulação plena)

Postergado

Não mencionada

Não

E (Antibióticos orais)

Clínico exclusivo

Excluída (vegetação <2 cm)

Não

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conduta de aguardar confirmação histopatológica do material valvar removido cirurgicamente para só então iniciar antibióticos é completamente equivocada. O tratamento antibiótico empírico deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica e coleta de hemoculturas, sem aguardar cirurgia ou confirmação histopatológica. A cirurgia, quando indicada, é complementar ao tratamento clínico, não um pré-requisito para iniciá-lo. A demora no início da antibioticoterapia aumenta a morbimortalidade da EI.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. Para EI por estafilococos coagulase-negativos (como S. epidermidis) em prótese valvar, o esquema empírico recomendado é vancomicina + rifampicina + gentamicina. A vancomicina cobre a resistência à meticilina; a rifampicina penetra no biofilme e tem ação sinérgica; a gentamicina é adicionada nas primeiras 2 semanas por seu efeito bactericida. O ajuste conforme cultura e sensibilidade é parte essencial do manejo, mas o início empírico é imediato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tratar apenas com vancomicina isolada por 2 semanas é insuficiente e incorreto. O S. epidermidis em prótese valvar forma biofilme, e a vancomicina isolada não erradica a infecção nesse contexto. O esquema recomendado é a associação vancomicina + rifampicina + gentamicina, com duração total de 6 semanas (a gentamicina por 2 semanas). Além disso, a afirmação de que "S. epidermidis costuma ser sensível" à vancomicina é verdadeira, mas isso não justifica monoterapia, pois a resistência à meticilina é a regra e o biofilme exige combinação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar anticoagulação plena imediata para prevenir trombose valvar, postergando antibióticos, é um erro grave. A prioridade absoluta é o tratamento da infecção com antibióticos. A anticoagulação plena em EI por estafilococos coagulase-negativos pode até aumentar o risco de hemorragia intracraniana por embolia séptica. O manejo da anticoagulação em pacientes com prótese mecânica e EI é delicado, mas nunca deve postergar o início da antibioticoterapia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tratamento clínico exclusivo com antibióticos orais é inadequado para EI por estafilococos coagulase-negativos em prótese valvar. Esse cenário exige antibióticos intravenosos em altas doses por tempo prolongado (6 semanas). Além disso, a afirmação de que vegetação <2 cm exclui indicação cirúrgica é falsa: a cirurgia é indicada por critérios clínicos (insuficiência cardíaca, infecção não controlada, abscesso, embolia recorrente) e não apenas pelo tamanho da vegetação. Uma vegetação de 1,3 cm, embora menor que 2 cm, não exclui a possibilidade de cirurgia se houver outras indicações.

Gabarito: letra B

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