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Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2025

MedicinaNefrologia
Código
qg483378
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 64 anos, portador de doença renal crônica estágio V, em hemodiálise, apresenta-se à emergência após faltar à última sessão. Refere fraqueza muscular e palpitações. O exame físico indica PA: 158/92 mmHg, FC: 46 bpm, SatO₂: 95% em ar ambiente, ECG: ondas T apiculadas difusas, alargamento do QRS e bradicardia sinusal. Laboratório indica potássio sérico: 7,4 mEq/L e creatinina: 9,8 mg/dL. Qual é a conduta inicial mais apropriada no caso?
  1. AAdministrar resina de troca catiônica (poliestirenossulfonato de cálcio) VO, como primeira medida isolada para reduzir o potássio.
  2. BIniciar diurético de alça em altas doses para promover excreção urinária de potássio.
  3. CEncaminhar diretamente para hemodiálise sem medidas adicionais, pois é a única terapia definitiva para esse paciente.
  4. DAdministrar bicarbonato de sódio VO, pois corrige rapidamente a hipercalemia grave em pacientes com acidose.
  5. EAdministrar gluconato de cálcio EV, seguido de medidas para deslocar potássio para o intracelular (insulina + glicose, beta-agonista inalatório).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Administrar gluconato de cálcio EV, seguido de medidas para deslocar potássio para o intracelular (insulina + glicose, beta-agonista inalatório).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalemia grave em paciente dialítico: conduta inicial

Gabarito: letra E. Em hipercalemia grave (K⁺ 7,4 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, alargamento do QRS, bradicardia), a conduta inicial é estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio EV e, em seguida, promover a translocação do potássio para o intracelular com insulina + glicose e beta-agonista inalatório. O cálcio antagoniza os efeitos de membrana do potássio (cardioproteção), sem reduzir a calemia, enquanto a insulina e o beta-agonista deslocam o K⁺ para dentro da célula — medidas que ganham tempo até a hemodiálise, que é a terapia definitiva para remover o excesso de potássio.

A hipercalemia é definida como potássio sérico > 5,5 mEq/L e é estratificada em leve (5,5–5,9), moderada (6,0–6,4) e grave (≥ 6,5 mEq/L, ou ≥ 5,5 com alterações no ECG ou sintomas). No paciente com doença renal crônica estágio V em hemodiálise, a excreção renal de potássio está comprometida, o que explica a gravidade do quadro após faltar à sessão. O ECG mostra as alterações clássicas: ondas T apiculadas (primeiro sinal), alargamento do QRS e bradicardia — indicando risco iminente de arritmia fatal, como fibrilação ventricular ou assistolia.

O manejo da hipercalemia grave segue uma sequência lógica de três passos: (1) estabilização da membrana com cálcio EV — protege o coração dos efeitos do potássio, mas não reduz a calemia; (2) translocação intracelular com insulina + glicose e beta-agonista inalatório — desloca o K⁺ para dentro das células, ganhando tempo; (3) remoção do potássio do organismo — com diuréticos de alça (se houver função renal), resinas de troca ou, no paciente dialítico, hemodiálise, que é a terapia definitiva. O cálcio deve ser a primeira medida quando há alterações no ECG, pois age em poucos minutos, enquanto as outras medidas levam de 15 a 30 minutos para começar a agir.

A tabela abaixo resume as medidas e suas características, conforme o manejo padrão da hipercalemia:

Intervenção

Início de ação

Mecanismo

Observação

Gluconato de cálcio 10% EV

Poucos minutos

Antagoniza efeitos de membrana (cardioproteção)

Não reduz [K⁺]; efeito curto (30–60 min)

Insulina + glicose

15 min

Transloca K⁺ para o intracelular

Monitorizar glicemia capilar horária

Beta-agonista inalatório (salbutamol)

30 min

Transloca K⁺ para o intracelular

Dose 4–8x maior que para broncodilatação

Bicarbonato de sódio

5–10 min

Transloca K⁺ para o intracelular

Eficácia limitada; não usar como monoterapia

Diurético de alça (furosemida)

30–60 min

Excreção renal de K⁺

Efeito caliurético questionável no curto prazo

Resina de troca (poliestirenossulfonato)

2–6 horas

Troca intestinal de cátions por K⁺

Pouco útil no manejo agudo; risco de necrose intestinal

Hemodiálise

Imediato

Remoção de K⁺

Terapia definitiva na disfunção renal grave

A pegadinha central desta questão é a ordem das medidas: muitos candidatos escolhem a hemodiálise como primeira conduta (alternativa C), mas ela exige preparo e acesso vascular, e o paciente com alterações no ECG precisa de estabilização imediata com cálcio. Outros optam pela resina de troca (alternativa A), que tem início de ação tardio (2–6 horas) e não é útil no manejo agudo. A alternativa E é a única que combina a cardioproteção imediata com a translocação intracelular, que é o padrão-ouro para hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas.

  1. 1Estabilizar membrana (cálcio EV)
  2. 2Translocar K+ (insulina + glicose)
  3. 3Beta-agonista inalatório
  4. 4Remover K+ (hemodiálise)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A resina de troca catiônica (poliestirenossulfonato de cálcio) tem início de ação em 2–6 horas e é considerada pouco útil no manejo agudo da hipercalemia. Além disso, apresenta risco de necrose intestinal. Não deve ser usada como primeira medida isolada em um paciente com alterações no ECG — ela não estabiliza a membrana cardíaca nem transloca o potássio rapidamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O diurético de alça (furosemida) promove excreção urinária de potássio, mas seu efeito caliurético é questionável no curto prazo e não deve ser usado como medida isolada em emergências. Além disso, o paciente tem doença renal crônica estágio V em hemodiálise — provavelmente oligoanúrico —, o que torna a excreção urinária ineficaz. A furosemida não estabiliza a membrana cardíaca nem transloca o potássio para o intracelular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hemodiálise é a terapia definitiva para remover o excesso de potássio no paciente dialítico, mas não deve ser a única medida inicial. O paciente apresenta alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, QRS alargado, bradicardia) e risco iminente de arritmia fatal — é necessário estabilizar a membrana cardíaca com cálcio EV e translocar o potássio para o intracelular enquanto se prepara a hemodiálise. Encaminhar diretamente sem medidas adicionais expõe o paciente ao risco de morte súbita antes do início da diálise.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O bicarbonato de sódio VO não é a conduta adequada. A via oral tem absorção lenta e imprevisível, e o bicarbonato tem eficácia limitada na hipercalemia — não deve ser usado como monoterapia, especialmente em pacientes não acidóticos ou dialíticos. A via correta seria EV, e mesmo assim apenas como adjuvante, não como primeira medida. O paciente precisa de estabilização de membrana com cálcio, não de bicarbonato oral.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta inicial mais apropriada: gluconato de cálcio EV para estabilizar a membrana cardíaca (antagoniza os efeitos do potássio no coração, protegendo contra arritmias fatais), seguido de insulina + glicose e beta-agonista inalatório para deslocar o potássio para o intracelular. O cálcio age em poucos minutos e não reduz a calemia, mas ganha tempo crítico; a insulina e o beta-agonista começam a agir em 15–30 minutos e translocam o K⁺ para dentro das células. Essas medidas são temporárias — a hemodiálise deve ser realizada em seguida para remover o excesso de potássio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "medida inicial" e "terapia definitiva". A hemodiálise (alternativa C) é a terapia definitiva, mas não a conduta inicial — o paciente com ECG alterado precisa de estabilização imediata com cálcio. Da mesma forma, a resina de troca (alternativa A) tem início tardio e não serve para o manejo agudo. A ordem correta é: cálcio → insulina + glicose/beta-agonista → hemodiálise.

PEGA ESSA DICA!

Na hipercalemia grave, memorize a sequência "Cálcio → Translocação → Remoção". O cálcio estabiliza a membrana (não reduz K⁺), a translocação (insulina + glicose, beta-agonista) desloca o K⁺ para o intracelular, e a remoção (diurético, resina, hemodiálise) elimina o excesso. Se o ECG mostra ondas T apiculadas ou QRS alargado, o cálcio é sempre o primeiro passo.

Gabarito: letra E

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