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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2025

MedicinaPneumologia
Código
qg483379
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica, Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia
Homem, 71 anos, com DPOC GOLD IV (VEF₁ = 28% previsto), chega à emergência com dispneia intensa, uso de musculatura acessória e confusão mental. Histórico de tabagismo pesado, em oxigenoterapia domiciliar contínua. Ao exame físico, apresenta FC: 128 bpm, FR: 34 irpm, PA: 92/58 mmHg, SatO₂: 74% em ar ambiente, estertores difusos + sibilância. Gasometria arterial em O₂ suplementar a 2 L/min por cateter: pH: 7,21, PaCO₂: 82 mmHg, PaO2: 48 mmHg, HCO₃⁻ : 33 mEq/L. Qual é a conduta mais apropriada nesse momento?
  1. AAumentar O₂ suplementar para manter SatO₂ >98%, prevenindo hipóxia tecidual imediata.
  2. BIniciar antibiótico empírico de amplo espectro isoladamente, visto que a exacerbação provavelmente é infecciosa.
  3. CIndicar Ventilação Mecânica Invasiva (VMI) imediata, pois a presença de acidose respiratória grave é contraindicação à Ventilação Não Invasiva (VNI).
  4. DIniciar VNI com máscara facial, além de broncodilatadores de curta ação e corticoide sistêmico
  5. EAdministrar diurético de alça em alta dose, pois o quadro sugere congestão pulmonar como principal fator descompensador.
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GabaritoD — Iniciar VNI com máscara facial, além de broncodilatadores de curta ação e corticoide sistêmico

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exacerbação aguda de DPOC: manejo na emergência

Gabarito: letra D. O paciente apresenta exacerbação grave de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica (pH 7,21, PaCO₂ 82 mmHg) e indicação formal de Ventilação Não Invasiva (VNI), que deve ser iniciada precocemente, associada a broncodilatadores de curta ação e corticoide sistêmico. A acidose respiratória NÃO é contraindicação à VNI — pelo contrário, é uma das principais indicações, conforme as diretrizes de manejo da DPOC exacerbada.

A exacerbação aguda da DPOC é definida como um evento de piora aguda da dispneia, tosse e/ou expectoração, frequentemente desencadeado por infecção ou poluição. A gravidade é classificada em leve, moderada e grave, sendo esta última caracterizada pela presença de insuficiência respiratória, com acidose e hipercapnia (PaCO₂ > 45 mmHg e pH < 7,35). No caso apresentado, o paciente tem DPOC GOLD IV (VEF₁ = 28% do previsto, caracterizando doença muito grave), está em oxigenoterapia domiciliar contínua e chega com dispneia intensa, uso de musculatura acessória, confusão mental e instabilidade hemodinâmica (PA 92/58 mmHg). A gasometria arterial em O₂ suplementar mostra acidose respiratória descompensada (pH 7,21, PaCO₂ 82 mmHg) com bicarbonato elevado (33 mEq/L), indicando acidose respiratória crônica com descompensação aguda.

A conduta inicial na exacerbação grave de DPOC inclui: oxigenoterapia titulada (alvo de SatO₂ 88–92% em pacientes com risco de hipercapnia), broncodilatadores de curta ação (β2-agonistas e anticolinérgicos), corticoide sistêmico e, na presença de insuficiência respiratória, VNI. A VNI é a terapia de primeira linha na exacerbação grave com acidose respiratória, pois reduz a necessidade de intubação, a mortalidade e o tempo de internação. As contraindicações à VNI incluem parada cardiorrespiratória, incapacidade de proteger as vias aéreas, secreções abundantes, rebaixamento do nível de consciência (exceto acidose hipercápnica no DPOC), instabilidade hemodinâmica grave, entre outras. No caso, o paciente tem confusão mental, mas isso não contraindica a VNI, pois a acidose hipercápnica é uma exceção — a confusão mental pode ser consequência da hipercapnia e melhora com a VNI.

A alternativa D é a correta, pois associa VNI com broncodilatadores e corticoide sistêmico, que é a conduta mais apropriada. As demais alternativas apresentam erros: A propõe alvo de SatO₂ >98%, que é inadequado em DPOC (risco de hiperóxia e piora da hipercapnia); B propõe antibiótico isoladamente, sem suporte ventilatório, o que é insuficiente na insuficiência respiratória; C afirma que acidose respiratória é contraindicação à VNI, o que é falso; E propõe diurético de alça, sem indicação clara de congestão pulmonar, e não trata a causa principal (exacerbação de DPOC).

A pegadinha central desta questão é a inversão do papel da acidose respiratória na VNI: muitos candidatos acreditam que acidose grave contraindica VNI, mas é exatamente o oposto — a acidose hipercápnica é uma das principais indicações. Além disso, a confusão mental pode ser interpretada como contraindicação, mas no contexto de DPOC com hipercapnia, é uma exceção à regra.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar o O₂ para manter SatO₂ >98% é inadequado em pacientes com DPOC e risco de hipercapnia. O alvo de SatO₂ deve ser 88–92%, pois a hiperóxia pode suprimir o drive ventilatório e piorar a retenção de CO₂, agravando a acidose. A oxigenoterapia deve ser titulada para evitar hipoxemia sem causar hiperóxia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar antibiótico empírico isoladamente é insuficiente, pois o paciente apresenta insuficiência respiratória aguda com acidose, que exige suporte ventilatório imediato. Antibióticos são indicados em exacerbações com suspeita de infecção, mas não substituem a VNI e as demais medidas de suporte.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a acidose respiratória grave é contraindicação à VNI, o que é falso. A acidose hipercápnica (pH < 7,35) é uma das principais indicações de VNI na exacerbação de DPOC. A VNI reduz a necessidade de intubação e a mortalidade. A VMI é reservada para falha da VNI ou contraindicações absolutas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar VNI com máscara facial, além de broncodilatadores de curta ação e corticoide sistêmico, é a conduta mais apropriada. A VNI é a terapia de primeira linha na exacerbação grave com acidose respiratória, e os broncodilatadores e corticoides são o tratamento farmacológico padrão. A associação dessas medidas aborda tanto a causa quanto o suporte ventilatório.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Administrar diurético de alça em alta dose não é indicado, pois o quadro não sugere congestão pulmonar como principal fator descompensador. O paciente tem DPOC exacerbada com insuficiência respiratória hipercápnica, e o uso de diuréticos pode piorar a hipovolemia e a instabilidade hemodinâmica, sem tratar a causa subjacente.

Gabarito: letra D

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