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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaAngiologia
Código
qg483421
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Paciente de 58 anos, obeso, tabagista, com história de varizes de membros inferiores de longa data, apresenta dor, edema e eritema em face medial da perna esquerda. Ao exame, observa-se cordão endurecido e doloroso, além de úlcera superficial no maléolo medial. Em relação ao quadro descrito, assinale a alternativa correta.
  1. AA úlcera venosa ocorre tipicamente junto ao maléolo medial e está relacionada à hipertensão venosa crônica decorrente de insuficiência valvar ou sequelas de TVP.
  2. BA presença de trombose venosa superficial exclui a possibilidade de complicações tromboembólicas, sendo desnecessária investigação complementar.
  3. CO tratamento das varizes e das úlceras venosas é exclusivamente cirúrgico, sendo contraindicada a compressão elástica.
  4. DA trombose venosa superficial nunca se associa à TVP, pois acomete apenas tributárias superficiais.
  5. EO diagnóstico diferencial principal da úlcera venosa é a úlcera arterial, geralmente localizada no maléolo medial e acompanhada de pulsos diminuídos.
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GabaritoA — A úlcera venosa ocorre tipicamente junto ao maléolo medial e está relacionada à hipertensão venosa crônica decorrente de insuficiência valvar ou sequelas de TVP.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlcera venosa e tromboflebite superficial: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra A. A úlcera venosa é a manifestação mais grave da doença venosa crônica, localiza-se tipicamente na região do maléolo medial e decorre da hipertensão venosa prolongada, causada por insuficiência valvar ou por sequelas de trombose venosa profunda (TVP). As demais alternativas contêm erros conceituais graves: a tromboflebite superficial NÃO exclui complicações tromboembólicas, o tratamento NÃO é exclusivamente cirúrgico (a compressão elástica é a base), e a trombose superficial PODE se associar à TVP.

A doença venosa crônica (DVC) é um espectro de alterações que vão desde telangiectasias e varizes até as alterações tróficas mais graves, como dermatite ocre, lipodermatoesclerose e úlcera. A fisiopatologia central é a hipertensão venosa: quando as válvulas das veias dos membros inferiores se tornam incompetentes (insuficiência valvar primária) ou quando há obstrução por trombose prévia (síndrome pós-trombótica), o sangue não retorna adequadamente ao coração, aumentando a pressão hidrostática nos segmentos distais. Essa pressão elevada, mantida por anos, leva ao extravasamento de hemácias e proteínas para o interstício, causando a pigmentação ocre (hemossiderina), a fibrose (lipodermatoesclerose) e, finalmente, a quebra da integridade da pele — a úlcera venosa.

A úlcera venosa tem características semiológicas bem definidas: localiza-se preferencialmente na região perimaleolar medial (o "maléolo interno"), é rasa, pouco dolorosa, com bordas irregulares e fundo com tecido de granulação, frequentemente circundada por hiperpigmentação. O diagnóstico diferencial mais importante é com a úlcera arterial (isquêmica), que se localiza em áreas de maior pressão e menor irrigação — dedos, calcâneo e terço distal da perna —, é intensamente dolorosa e está associada a pulsos periféricos diminuídos ou ausentes. A palpação dos pulsos e a medida do índice tornozelo-braquial (ITB) são fundamentais para distinguir as duas condições, pois a presença de componente arterial altera completamente a conduta.

O caso clínico apresentado — paciente obeso, tabagista, com varizes de longa data, dor, edema, eritema e cordão endurecido na face medial da perna — descreve uma tromboflebite superficial (trombose e inflamação de veia superficial) complicando varizes. É essencial lembrar que a tromboflebite superficial NÃO é uma doença benigna inofensiva: cerca de 18% dos pacientes têm TVP associada no momento do diagnóstico, e a trombose pode se estender para o sistema profundo, especialmente se localizada próxima à junção safenofemoral. Por isso, a investigação com ultrassom com Doppler é recomendada, e a anticoagulação pode ser necessária em casos selecionados (extensão ≥ 5 cm, proximidade da junção safenofemoral, presença de fatores de risco).

O tratamento da úlcera venosa e da DVC é multimodal, e a compressão elástica (meias ou bandagens) é a pedra angular — ela reduz a hipertensão venosa, melhora o retorno venoso e promove a cicatrização. O tratamento cirúrgico (cirurgia de varizes, ablação endovenosa) é indicado para corrigir o refluxo, mas não é exclusivo nem substitui a compressão. A alternativa C, ao afirmar que o tratamento é "exclusivamente cirúrgico" e que a compressão é "contraindicada", inverte completamente a prática clínica baseada em evidências.

Guarde a fronteira entre úlcera venosa e arterial (localização, dor, pulsos) e entre tromboflebite superficial e TVP (possibilidade de associação e necessidade de investigação): é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Critério

Úlcera Venosa

Úlcera Arterial

Localização típica

Maléolo medial

Dedos, calcâneo, terço distal da perna

Dor

Leve/pouco dolorosa

Intensa

Pulsos periféricos

Presentes

Diminuídos ou ausentes

Bordas

Irregulares

Regulares

Fundo

Tecido de granulação

Pálido

Úlcera venosa
  • 1Localização
    • Maléolo medial
  • 2Dor
    • Leve
  • 3Pulsos
    • Presentes
  • 4Causa
    • Hipertensão venosa crônica
    • Insuficiência valvar
    • Sequelas de TVP
  • 5Úlcera arterial
    • Localização
      • Dedos, calcâneo, terço distal
    • Dor
      • Intensa
    • Pulsos
      • Diminuídos ou ausentes
    • Causa
      • Isquemia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a úlcera venosa ocorre tipicamente junto ao maléolo medial e está relacionada à hipertensão venosa crônica decorrente de insuficiência valvar ou sequelas de TVP. Isso corresponde exatamente à fisiopatologia e à semiologia descritas: a hipertensão venosa prolongada (por incompetência valvar primária ou por obstrução pós-trombótica) leva às alterações tróficas e à úlcera na região perimaleolar medial, área de maior pressão hidrostática no ortostatismo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que a trombose venosa superficial "exclui a possibilidade de complicações tromboembólicas" é falsa. A tromboflebite superficial pode se estender para o sistema venoso profundo (TVP) e, consequentemente, causar embolia pulmonar. Estudos mostram que cerca de 18% dos pacientes com tromboflebite superficial têm TVP associada no momento do diagnóstico. Portanto, a investigação complementar com ultrassom com Doppler é recomendada, e a anticoagulação pode ser indicada em casos selecionados. A banca explora aqui a falsa noção de que trombose superficial é sempre benigna.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o tratamento das varizes e úlceras venosas é "exclusivamente cirúrgico" e que a compressão elástica é "contraindicada". Na verdade, a terapia compressiva é a base do tratamento conservador da doença venosa crônica e da úlcera venosa, pois reduz a hipertensão venosa e promove a cicatrização. O tratamento cirúrgico é uma opção para corrigir o refluxo venoso, mas não é exclusivo — a abordagem é multimodal, incluindo medidas gerais (elevação dos membros, deambulação), compressão elástica, cuidados com a úlcera e, quando indicado, procedimentos cirúrgicos ou endovenosos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que a trombose venosa superficial "nunca se associa à TVP" é falsa. A tromboflebite superficial pode se estender para o sistema venoso profundo, especialmente quando acomete a veia safena magna próximo à junção safenofemoral ou quando há fatores de risco (obesidade, tabagismo, história de TVP, malignidade). A literatura documenta associação em cerca de 18% dos casos. Portanto, a trombose superficial NÃO é uma entidade isolada e benigna — requer avaliação para excluir TVP associada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o diagnóstico diferencial principal da úlcera venosa é a úlcera arterial "geralmente localizada no maléolo medial". Na verdade, a úlcera arterial (isquêmica) localiza-se em áreas distais de maior pressão e menor irrigação — dedos do pé, calcâneo e terço distal da perna —, e não no maléolo medial, que é a localização típica da úlcera venosa. Além disso, a úlcera arterial é intensamente dolorosa e está associada a pulsos periféricos diminuídos ou ausentes, enquanto a úlcera venosa é pouco dolorosa e os pulsos geralmente estão presentes. A alternativa mistura as características das duas entidades, invertendo a localização típica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre úlcera venosa e arterial. Na alternativa E, ela troca a localização: a úlcera arterial NÃO fica no maléolo medial (essa é a sede da venosa), e sim em dedos, calcâneo e terço distal da perna. Além disso, inverte a característica da dor — a arterial é intensamente dolorosa, a venosa é pouco dolorosa. Fique atento a esses pares: localização × tipo de úlcera e dor × tipo de úlcera.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar úlcera venosa de arterial na prova, monte uma tabela mental com os critérios: localização (venosa: maléolo medial; arterial: dedos/calcâneo/terço distal), dor (venosa: leve; arterial: intensa), pulsos (venosa: presentes; arterial: diminuídos/ausentes), bordas (venosa: irregulares; arterial: regulares) e fundo (venosa: granulação; arterial: pálido). Essa comparação resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra A

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