Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Paciente de 32 anos, digitadora, refere dor e parestesias em membro superior direito, que pioram ao elevar o braço. Relata ainda sensação de peso e edema discreto ao final do dia. No exame físico, teste de Adson é positivo. Diante do diagnóstico de síndrome do desfiladeiro cervical neste caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
AIndicação imediata de cirurgia para ressecção da primeira costela.
BTratamento clínico conservador, com fisioterapia postural e analgesia.
CUso contínuo de anticoagulação oral para prevenir trombose subclávia.
DBloqueio anestésico cervical de rotina para alívio dos sintomas.
ERestrição total das atividades físicas e repouso absoluto do membro afetado.
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GabaritoB — Tratamento clínico conservador, com fisioterapia postural e analgesia.
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Síndrome do desfiladeiro torácico: conduta inicial
Gabarito: letra B. Na síndrome do desfiladeiro torácico (SDT) sem sinais de alarme — como sintomas neurológicos progressivos, trombose venosa ou arterial —, a conduta inicial é sempre o tratamento clínico conservador, com fisioterapia postural e analgesia, reservando a cirurgia para os casos refratários ou com complicações vasculares. O teste de Adson positivo apenas confirma a compressão neurovascular no desfiladeiro, mas não define, por si só, a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
A síndrome do desfiladeiro torácico é um conjunto de sintomas causados pela compressão do plexo braquial, da artéria subclávia ou da veia subclávia ao passarem pelo espaço compreendido entre a clavícula, a primeira costela e os músculos escalenos. Essa compressão pode ser desencadeada por posturas inadequadas, hipertrofia muscular, anomalias anatômicas (como costela cervical) ou traumas. No caso descrito, a paciente é digitadora, o que sugere uma postura viciosa de trabalho como fator contribuinte — um componente postural importante, que responde bem à reabilitação.
O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por manobras provocativas, como o teste de Adson, que reproduz a dor ao elevar e rodar a cabeça para o lado afetado durante a inspiração profunda, reduzindo o pulso radial. A presença desse teste positivo, isoladamente, indica apenas a compressão dinâmica do feixe neurovascular, mas não quantifica a gravidade nem define a conduta. A abordagem inicial, na grande maioria dos casos, é conservadora: orientação postural, fisioterapia para fortalecimento e alongamento da musculatura do ombro e pescoço, e analgesia para controle sintomático.
A cirurgia — como a ressecção da primeira costela ou a escalenectomia — fica reservada para os casos em que há falha do tratamento clínico após um período adequado (geralmente 3 a 6 meses), ou quando há complicações vasculares graves, como trombose venosa subclávia (síndrome de Paget-Schroetter) ou aneurisma arterial. A anticoagulação, por sua vez, não é indicada de rotina, mas apenas quando há trombose documentada. O bloqueio anestésico cervical pode ser útil como medida diagnóstica ou paliativa em casos selecionados, mas não é a conduta de primeira linha. A restrição total de atividades e o repouso absoluto são contraproducentes, pois a imobilização prolongada pode agravar a fraqueza muscular e a postura viciosa.
A pegadinha central desta questão é a tentação de associar o teste de Adson positivo a uma indicação cirúrgica imediata. A banca explora exatamente essa confusão: o teste positivo é um dado diagnóstico, não um critério de gravidade. O que define a necessidade de cirurgia é a falha do tratamento conservador ou a presença de complicações vasculares ou neurológicas progressivas. Portanto, a conduta mais adequada para essa paciente, que apresenta apenas dor, parestesias e edema discreto ao final do dia, é o tratamento clínico conservador.
Guarde essa hierarquia: diagnóstico clínico (teste de Adson) → tratamento conservador inicial → cirurgia apenas para casos refratários ou complicados. É exatamente essa sequência que separa a alternativa correta das demais.
1Diagnóstico clínico (Adson)
2Tratamento conservador
3Cirurgia se refratário/complicação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressecção da primeira costela é um procedimento cirúrgico indicado apenas para casos refratários ao tratamento clínico ou com complicações vasculares (trombose, aneurisma) ou neurológicas progressivas. No caso descrito, a paciente não apresenta nenhum desses critérios — apenas sintomas compressivos leves, sem sinais de alarme. A cirurgia imediata seria uma conduta precipitada e não é a primeira linha de tratamento.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento clínico conservador, com fisioterapia postural e analgesia, é a conduta inicial padrão para a síndrome do desfiladeiro torácico sem complicações. A fisioterapia visa corrigir a postura, fortalecer a musculatura do ombro e alongar os músculos escalenos, aliviando a compressão neurovascular. A analgesia controla a dor, e a orientação ergonômica é fundamental, especialmente para uma digitadora, cuja atividade profissional contribui para o quadro. Essa abordagem tem alta taxa de sucesso e deve ser tentada antes de qualquer intervenção invasiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A anticoagulação oral contínua não é indicada de rotina na síndrome do desfiladeiro torácico. Ela só é utilizada quando há trombose venosa subclávia documentada (síndrome de Paget-Schroetter), o que não é o caso da paciente, que apresenta apenas edema discreto ao final do dia, sem sinais de trombose aguda. O uso profilático de anticoagulantes não previne a trombose nesse contexto e expõe a paciente a riscos desnecessários de sangramento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O bloqueio anestésico cervical pode ser utilizado como medida diagnóstica (para confirmar a origem da dor) ou paliativa em casos selecionados, mas não é a conduta de rotina para o tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico. Ele não corrige a causa da compressão e não substitui a fisioterapia postural. Além disso, é um procedimento invasivo com riscos próprios, que não se justifica como primeira linha de tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A restrição total das atividades físicas e o repouso absoluto do membro afetado são contraproducentes. A imobilização prolongada pode levar à fraqueza muscular, atrofia e piora da postura viciosa, agravando a compressão neurovascular. O tratamento conservador adequado envolve a manutenção de atividades moderadas, com orientação postural e fisioterapia ativa, não o repouso absoluto.
A regra de ouro para levar à prova: na síndrome do desfiladeiro torácico sem complicações, o tratamento é sempre conservador em primeiro lugar — cirurgia é exceção, não regra. O teste de Adson positivo é um achado diagnóstico, não uma indicação cirúrgica.