Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Um paciente de 68 anos, tabagista e diabético, será submetido a uma revascularização arterial infrainguinal. Sobre os cuidados no pré e pós-operatório em cirurgia vascular, analise as assertivas a seguir:I. A suspensão de antiagregantes plaquetários deve ser feita sempre sete dias antes da cirurgia para reduzir risco de sangramento.II. O controle glicêmico rigoroso no período perioperatório é fundamental para reduzir complicações infecciosas.III. No pós-operatório imediato, a avaliação do pulso periférico ipsilateral é essencial para monitorar a perviedade da revascularização.IV. A profilaxia para tromboembolismo venoso deve ser considerada de acordo com risco clínico e tipo de procedimento.V. O uso de estatinas deve ser mantido no perioperatório devido ao efeito estabilizador de placa aterosclerótica.Quais estão corretas?
AApenas I e II.
BApenas III e IV.
CApenas I, II e III.
DApenas II, III, IV e V.
EI, II, III, IV e V.
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GabaritoD — Apenas II, III, IV e V.
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Cuidados perioperatórios em revascularização arterial infrainguinal
Gabarito: letra D — estão corretas as assertivas II, III, IV e V. A assertiva I está incorreta porque a suspensão de antiagregantes plaquetários não é "sempre sete dias antes": o manejo é individualizado, ponderando risco trombótico versus risco de sangramento, e o AAS, em regra, deve ser mantido no perioperatório. As demais assertivas refletem condutas consagradas: controle glicêmico rigoroso, monitorização do pulso periférico para avaliar perviedade, profilaxia de tromboembolismo venoso conforme risco e manutenção de estatinas pela estabilização da placa aterosclerótica.
O cuidado perioperatório em cirurgia vascular exige uma abordagem multidisciplinar que equilibra riscos opostos: de um lado, o risco de eventos trombóticos (infarto, oclusão do enxerto, AVC) se a medicação antiagregante for suspensa; de outro, o risco de sangramento se ela for mantida. Essa é a lógica central que rege a assertiva I e que a banca explora como pegadinha. Não existe uma regra fixa de "sempre sete dias" — o tempo de suspensão varia conforme o fármaco (clopidogrel ≥ 5 dias, prasugrel ≥ 7 dias, ticagrelor ≥ 3 dias) e, principalmente, o AAS costuma ser mantido durante todo o perioperatório, pois seus benefícios na prevenção de eventos isquêmicos superam o risco de sangramento na maioria das situações. A suspensão do AAS é exceção, reservada a casos como cirurgia intracraniana, prostatectomia transuretral, procedimentos intraoculares ou cirurgias com risco de sangramento extremamente alto.
O controle glicêmico rigoroso (assertiva II) é um pilar da prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), especialmente em pacientes diabéticos, que têm maior risco de complicações infecciosas e pior cicatrização. O diabetes é citado como fator de risco para ISC, e o cuidado perioperatório foca na prevenção por meio de pacotes de cuidados que incluem controle glicêmico, antibióticos pré-operatórios e prevenção de hipotermia.
No pós-operatório imediato de uma revascularização infrainguinal (assertiva III), a avaliação do pulso periférico ipsilateral é o método clínico mais simples e imediato para monitorar a perviedade do enxerto. A ausência ou diminuição do pulso pode indicar trombose aguda do enxerto, exigindo intervenção urgente. Essa avaliação deve ser feita de forma seriada e complementada por exame Doppler quando necessário.
A profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV) (assertiva IV) não é padronizada para todos os pacientes: deve ser individualizada conforme o risco clínico (idade, obesidade, história prévia de TEV, neoplasia ativa) e o tipo de procedimento (cirurgia vascular é considerada de alto risco para sangramento, o que exige ponderação entre profilaxia farmacológica e mecânica). A decisão é baseada em escores de risco e julgamento clínico.
As estatinas (assertiva V) devem ser mantidas no perioperatório porque sua suspensão abrupta pode promover instabilização da placa aterosclerótica, aumentando o risco de eventos cardiovasculares. Esse é um consenso nas diretrizes de cirurgia não cardíaca e cardíaca: manter em usuários prévios, sem necessidade de iniciar no pré-operatório.
A pegadinha central desta questão está na assertiva I: o candidato que decora "suspender antiagregante 7 dias antes" marca a alternativa E (todas corretas), caindo na armadilha. A banca testa se o aluno sabe que o manejo é individualizado e que o AAS, em regra, é mantido. Guarde a fronteira entre "suspensão individualizada conforme risco" e "suspensão fixa de 7 dias": é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Antiagregantes no perioperatório
1Manejo individualizado
Pondera risco trombótico × sangramento
AAS: em regra, mantido
Suspensão do AAS: exceção (alto risco de sangramento)
2Prazos de suspensão
Clopidogrel: ≥ 5 dias
Prasugrel: ≥ 7 dias
Ticagrelor: ≥ 3 dias
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Item I — ❌ Incorreto
A assertiva afirma que a suspensão de antiagregantes deve ser "sempre sete dias antes". Isso é incorreto por dois motivos: (1) não é "sempre" — o manejo é individualizado, ponderando risco trombótico versus risco de sangramento; (2) o prazo de 7 dias não se aplica a todos os antiagregantes — o AAS, em regra, é mantido no perioperatório, e o clopidogrel é suspenso por ≥ 5 dias, o prasugrel por ≥ 7 dias, o ticagrelor por ≥ 3 dias. A suspensão do AAS é exceção, reservada a procedimentos com risco de sangramento extremamente alto (intracraniano, prostatectomia transuretral, intraocular).
Item II — ✅ Correto
O controle glicêmico rigoroso no perioperatório é fundamental para reduzir complicações infecciosas, especialmente em diabéticos. O diabetes é fator de risco para infecção de sítio cirúrgico, e o cuidado perioperatório inclui controle glicêmico como parte dos pacotes de prevenção de ISC.
Item III — ✅ Correto
A avaliação do pulso periférico ipsilateral no pós-operatório imediato é essencial para monitorar a perviedade da revascularização. A ausência ou diminuição do pulso pode indicar trombose aguda do enxerto, exigindo intervenção imediata.
Item IV — ✅ Correto
A profilaxia para TEV deve ser considerada de acordo com o risco clínico e o tipo de procedimento. Não é padronizada: a decisão é individualizada, equilibrando risco trombótico e risco de sangramento (cirurgia vascular é procedimento de alto risco para sangramento).
Item V — ✅ Correto
As estatinas devem ser mantidas no perioperatório porque sua suspensão abrupta pode promover instabilização da placa aterosclerótica, aumentando o risco de eventos cardiovasculares. É recomendação das diretrizes manter em usuários prévios.
Conclusão: corretas as assertivas II, III, IV e V → gabarito é a letra D.