Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg483427
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Sobre o pé diabético, assinale a alternativa correta.
AO controle glicêmico não interfere no risco de seu desenvolvimento.
BA neuropatia periférica é um dos principais fatores de risco para úlceras nesses casos.
CO exame clínico dos pés deve ser realizado apenas quando houver úlcera ativa.
DA prevenção baseia-se exclusivamente no uso de antibióticos profiláticos.
EOcorre apenas em pacientes com décadas de diagnóstico de diabetes.
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GabaritoB — A neuropatia periférica é um dos principais fatores de risco para úlceras nesses casos.
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Pé diabético: fatores de risco e prevenção
Gabarito: letra B. A neuropatia periférica é, de fato, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de úlceras no pé diabético, pois a perda da sensibilidade protetora predispõe a traumas repetidos e à formação de lesões sem que o paciente perceba. As demais alternativas apresentam afirmações incorretas sobre o controle glicêmico, o exame clínico, a prevenção e a epidemiologia da condição.
O pé diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus que resulta da combinação de neuropatia periférica e doença arterial periférica, levando a ulcerações, infecções e, em casos graves, amputações. A neuropatia periférica é o fator de risco mais importante: a perda da sensibilidade protetora faz com que o paciente não perceba pequenos traumas, calos ou pressões excessivas, permitindo que evoluam para úlceras. A doença arterial periférica, por sua vez, compromete a cicatrização e aumenta o risco de infecção e gangrena.
O controle glicêmico adequado é fundamental na prevenção e no manejo do pé diabético. A hiperglicemia crônica é a causa primária da neuropatia e da vasculopatia, portanto, manter a glicemia controlada reduz o risco de desenvolver essas complicações e de progressão das lesões. O exame clínico dos pés deve ser realizado anualmente em todos os pacientes diabéticos, e com maior frequência naqueles com fatores de risco, como perda de sensibilidade, deformidades ou história prévia de úlcera. A prevenção baseia-se em cuidados com a higiene, hidratação, calçados adequados, inspeção diária dos pés e controle dos fatores de risco — e não no uso de antibióticos profiláticos, que não são recomendados.
O pé diabético não ocorre apenas em pacientes com décadas de diagnóstico. Embora o risco aumente com a duração do diabetes, pacientes com diagnóstico recente, especialmente se já apresentarem neuropatia ou doença vascular, também podem desenvolver úlceras. A avaliação do pé deve começar no diagnóstico e ser repetida periodicamente, conforme o risco individual.
A banca explora a confusão entre os fatores de risco e as medidas de prevenção. A alternativa correta destaca a neuropatia periférica como fator de risco central, enquanto as incorretas negam a importância do controle glicêmico, restringem o exame clínico, propõem prevenção antibiótica e limitam a ocorrência a casos de longa duração.
Pé diabético: Fatores de risco (Neuropatia periférica (principal), Doença arterial periférica, Controle glicêmico inadequado); Prevenção (Controle glicêmico, Inspeção diária dos pés, Calçados adequados, Higiene e hidratação, Antibiótico profilático (não recomendado)); Rastreamento (Anual em todos os diabéticos, Mais frequente com fatores de risco, Inicia no diagnóstico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O controle glicêmico interfere diretamente no risco de desenvolvimento do pé diabético. A hiperglicemia crônica é a causa da neuropatia e da doença arterial periférica, que são os principais mecanismos fisiopatológicos das úlceras. O controle glicêmico adequado é uma das medidas mais importantes na prevenção, conforme destacado no material de apoio: "Controle glicêmico adequado, otimização do estado nutricional, interrupção total do tabagismo e melhora na circulação da extremidade são coadjuvantes importantes no manejo da úlcera."
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A neuropatia periférica é um dos principais fatores de risco para úlceras no pé diabético. A perda da sensibilidade protetora, aferida pelo teste com monofilamento de 10 g, está associada a maior risco de ulceração. O material de apoio confirma: "A perda de sensibilidade protetora aferida pelo teste com monofilamento de 10 g (estesiômetro) está associada a maior risco de ulceração." A neuropatia leva a traumas repetidos sem percepção, favorecendo o surgimento de lesões.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O exame clínico dos pés deve ser realizado anualmente em todos os pacientes diabéticos, e não apenas quando há úlcera ativa. O rastreamento deve ser feito desde o diagnóstico e repetido conforme o risco, como mostra a tabela de estratificação de risco: pacientes sem neuropatia e sem doença arterial periférica devem ser avaliados uma vez ao ano; aqueles com fatores de risco, com maior frequência. O exame precoce permite identificar alterações pré-ulcerativas e prevenir lesões.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A prevenção do pé diabético não se baseia em antibióticos profiláticos. O material de apoio é explícito: "Não é recomendada antibioticoterapia profilática para as úlceras." A prevenção envolve controle glicêmico, cuidados com a pele, calçados adequados, inspeção diária dos pés, tratamento de calos e deformidades, e educação do paciente. Antibióticos são usados apenas quando há infecção estabelecida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O pé diabético não ocorre apenas em pacientes com décadas de diagnóstico. Embora o risco aumente com a duração do diabetes, pacientes com diagnóstico recente podem desenvolver neuropatia e doença arterial periférica, especialmente se houver mau controle glicêmico. A avaliação do pé deve ser feita no diagnóstico e repetida periodicamente, independentemente do tempo de doença.