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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaAngiologia
Código
qg483432
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Um homem de 70 anos, hipertenso e tabagista, foi submetido à endarterectomia carotídea direita por estenose sintomática de 80%. No pós-operatório imediato, apresentou cefaleia intensa, elevação súbita da pressão arterial e crise convulsiva. Com base nesse quadro, qual é a complicação mais provável e a conduta inicial recomendada?
  1. AHematoma cervical com risco de obstrução de via aérea – indicar reoperação imediata com revisão da hemostasia.
  2. BInfarto cerebral tromboembólico – iniciar trombólise sistêmica imediatamente.
  3. CLesão do nervo hipoglosso – observar evolução clínica, pois tende à resolução espontânea.
  4. DDissecção carotídea iatrogênica – indicar anticoagulação plena precoce.
  5. ESíndrome de hiperperfusão cerebral – instituir controle rigoroso da pressão arterial e suporte intensivo.
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GabaritoE — Síndrome de hiperperfusão cerebral – instituir controle rigoroso da pressão arterial e suporte intensivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de hiperperfusão cerebral pós-endarterectomia carotídea

Gabarito: letra E. O quadro descrito — cefaleia intensa, elevação súbita da pressão arterial e crise convulsiva no pós-operatório imediato de endarterectomia carotídea por estenose crítica — é a apresentação clássica da síndrome de hiperperfusão cerebral, cuja conduta inicial é o controle rigoroso da pressão arterial e suporte intensivo. O diagnóstico é eminentemente clínico e o tratamento é de suporte, conforme a fisiopatologia da síndrome.

A síndrome de hiperperfusão cerebral é uma complicação temida da revascularização carotídea (endarterectomia ou angioplastia com stent), que ocorre quando uma estenose crítica é tratada e o território cerebral previamente hipoperfundido recebe, de repente, um fluxo sanguíneo muito maior do que estava acostumado. A autorregulação cerebrovascular — mecanismo que mantém o fluxo cerebral constante frente a variações da pressão arterial — está comprometida nesses pacientes, de modo que o aumento súbito da perfusão leva a edema cerebral, geralmente unilateral, e ao quadro clínico característico.

O quadro clássico se manifesta no pós-operatório imediato (horas a poucos dias) com cefaleia intensa, hipertensão arterial, crises convulsivas e, nos casos mais graves, déficits neurológicos focais ou hemorragia intracraniana. O tratamento é de suporte, com controle estrito da pressão arterial para evitar picos hipertensivos que agravem o edema e o risco de hemorragia. A prevenção, tanto da hiperperfusão quanto da complicação oposta (hipoperfusão por bradicardia/hipotensão), é feita com controle rigoroso da pressão no perioperatório.

A banca explora aqui a confusão entre as complicações do pós-operatório de cirurgia carotídea. É fundamental distinguir a síndrome de hiperperfusão (hipertensão + cefaleia + convulsão) das complicações isquêmicas (déficit neurológico focal) e das complicações mecânicas locais (hematoma, lesão de nervo). O gatilho para o diagnóstico é a tríade sintomática apresentada no enunciado, que aponta diretamente para a hiperperfusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a síndrome de hiperperfusão por complicações isquêmicas (infarto tromboembólico) e mecânicas (hematoma, lesão de nervo). O candidato que decora apenas "complicações da endarterectomia" sem saber diferenciá-las pela apresentação clínica cai na alternativa B, que sugere trombólise — conduta catastrófica e contraindicada na hiperperfusão, pois aumentaria o risco de hemorragia intracraniana. A chave é a tríade: cefaleia + hipertensão + convulsão = hiperperfusão.

Complicações pós-endarterectomia carotídea
  • 1Síndrome de hiperperfusão (gabarito)
    • Cefaleia intensa
    • Hipertensão súbita
    • Crise convulsiva
    • Conduta: controle PA + suporte
  • 2Hematoma cervical
    • Tumefação, disfagia, obstrução de via aérea
    • Conduta: reoperação (não se aplica)
  • 3Infarto tromboembólico
    • Déficit neurológico focal
    • Trombólise contraindicada no pós-op
  • 4Lesão do hipoglosso
    • Desvio da língua, disartria
    • Observação (resolução espontânea)
  • 5Dissecção iatrogênica
    • Dor cervical, sintomas isquêmicos
    • Anticoagulação precoce arriscada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O hematoma cervical é uma complicação mecânica da cirurgia, que se apresenta com tumefação cervical, dor, disfagia e, nos casos graves, desconforto respiratório por obstrução de via aérea. Não cursa com cefaleia intensa, elevação súbita da pressão arterial e crise convulsiva como quadro inicial. A conduta de reoperação imediata seria correta para um hematoma expansivo com comprometimento de via aérea, mas não se aplica ao quadro descrito, que é neurológico e hipertensivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O infarto cerebral tromboembólico é uma complicação isquêmica que se manifesta com déficit neurológico focal (hemiparesia, afasia, etc.), não com a tríade cefaleia + hipertensão + convulsão. Além disso, a trombólise sistêmica está contraindicada no pós-operatório imediato de cirurgia de grande porte, como a endarterectomia carotídea, pelo alto risco de sangramento no sítio cirúrgico. A conduta seria um erro grave e potencialmente fatal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A lesão do nervo hipoglosso (XII par craniano) é uma complicação local da endarterectomia, que se manifesta com desvio da língua para o lado lesado e disartria. Não causa cefaleia, hipertensão ou convulsões. Embora a observação clínica seja a conduta correta para essa lesão (pois tende à resolução espontânea), ela não se aplica ao quadro descrito, que é de hiperperfusão cerebral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dissecção carotídea iatrogênica é uma complicação rara do procedimento, que se manifesta com dor cervical, cefaleia e, eventualmente, sintomas isquêmicos. Não é a complicação mais provável diante da tríade clássica de hiperperfusão. Além disso, a anticoagulação plena no pós-operatório imediato de endarterectomia é arriscada pelo risco de sangramento no sítio cirúrgico e não é a conduta inicial para o quadro descrito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de hiperperfusão cerebral é a complicação mais provável, pois o quadro clínico é exatamente o descrito: cefaleia intensa, elevação súbita da pressão arterial e crise convulsiva no pós-operatório imediato de revascularização carotídea por estenose crítica. A conduta inicial é o controle rigoroso da pressão arterial e suporte intensivo, para evitar a progressão para edema cerebral grave e hemorragia intracraniana. O tratamento é de suporte, como descrito na literatura.

Gabarito: letra E

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