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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaAngiologia
Código
qg483433
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Homem, 34 anos, vítima de acidente automobilístico, apresenta fratura exposta de tíbia direita, submetido à fixação externa. Após 8 horas do procedimento, evoluiu com dor intensa, desproporcional ao exame físico, refratária à analgesia convencional, associada a parestesias em região podálica. Ao exame, observou-se aumento da tensão muscular na perna e dor significativa à dorsiflexão passiva do hálux. Qual é a conduta mais adequada?
  1. AAumentar analgesia opioide e observar evolução clínica nas próximas horas.
  2. BSolicitar Doppler venoso de urgência para afastar trombose venosa profunda.
  3. CIndicar fasciotomia descompressiva imediata, pois há sinais de síndrome compartimental aguda.
  4. DElevar o membro e observar resposta por até 6 horas antes de qualquer conduta invasiva.
  5. EIniciar anticoagulação plena para prevenir complicações tromboembólicas.
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GabaritoC — Indicar fasciotomia descompressiva imediata, pois há sinais de síndrome compartimental aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Compartimental Aguda: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor intensa e desproporcional, refratária à analgesia, parestesias e dor à dorsiflexão passiva do hálux, após fratura exposta de tíbia tratada com fixador externo — é clássico de síndrome compartimental aguda (SCA), uma emergência ortopédica cujo tratamento é a fasciotomia descompressiva imediata. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a demora na descompressão leva a dano muscular e neurológico irreversível.

A síndrome compartimental aguda é uma condição em que o aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado compromete a perfusão tecidual, levando à isquemia e, se não tratada, à necrose muscular e nervosa. O mecanismo fisiopatológico começa com um evento lesional (fratura, esmagamento, queimadura) que causa hemorragia e edema, elevando a pressão intracompartimental. Esse aumento comprime vênulas e linfáticos, reduzindo a drenagem e piorando o edema, num ciclo vicioso que, em determinado momento, impede a perfusão capilar e arterial. Um ponto crucial: o pulso distal pode estar presente, pois a obstrução arterial é tardia e incomum — a ausência de pulso indica gravidade ou lesão vascular associada, mas não é necessária para o diagnóstico.

Os sinais e sintomas clássicos são conhecidos como os "5 Ps": dor (pain), parestesia, palidez, poiquilotermia e paralisia. A dor é o sintoma mais precoce e fidedigno, sendo desproporcional ao exame físico, de início abrupto e refratária à analgesia convencional. A dor ao estiramento passivo dos músculos do compartimento acometido é o sinal mais confiável do exame físico. No caso de acometimento do compartimento anterior da perna, a manobra é a dorsiflexão passiva do hálux (ou flexão plantar passiva do tornozelo, conforme a literatura). A palpação pode revelar tensão excessiva do compartimento. Parestesias e paresia indicam comprometimento neurológico, que pode ser irreversível se a descompressão não for realizada precocemente.

O diagnóstico é clínico. Exames de imagem (ultrassonografia, cintilografia) e a medição da pressão intracompartimental (método de Whitesides, cateteres) são desnecessários na maioria dos casos e só são reservados para pacientes em coma, não cooperativos ou com dificuldade de comunicação. A fasciotomia deve ser indicada imediatamente após o diagnóstico clínico, sem esperar exames complementares. O tratamento é cirúrgico: dermatofasciotomia, com incisão ampla da pele e da fáscia, explorando todos os compartimentos. O uso de garrote pneumático é contraindicado, pois piora a isquemia, exceto se houver lesão vascular associada. O tempo é crítico: músculos toleram até 4 horas de isquemia; por volta de 6 horas o resultado é incerto; após 8 horas, o dano é irreversível.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de o paciente ter sido submetido a uma fixação externa (que é o tratamento inicial da fratura exposta), a síndrome compartimental pode se desenvolver no pós-operatório imediato. O quadro de dor desproporcional, parestesia e dor à dorsiflexão passiva do hálux é patognomônico, e a conduta não pode ser expectante. As alternativas que sugerem apenas analgesia, elevação do membro, Doppler venoso ou anticoagulação demonstram desconhecimento da urgência do quadro. A fasciotomia é a única medida que interrompe o ciclo vicioso e previne sequelas permanentes.

Guarde o critério decisivo: dor desproporcional + dor ao estiramento passivo = síndrome compartimental até que se prove o contrário, e a conduta é fasciotomia imediata. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Evento lesional (fratura, esmagamento)
  2. 2Hemorragia e edema
  3. 3↑ Pressão intracompartimental
  4. 4Compressão venular e linfática
  5. 5Ciclo vicioso (piora do edema)
  6. 6Isquemia muscular e nervosa
  7. 7Necrose irreversível (>8h)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar a analgesia opioide e observar é conduta inadequada. A dor refratária à analgesia convencional é um sinal de alerta, não um sintoma a ser mascarado. A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica; aguardar a evolução clínica com apenas analgesia permite a progressão da isquemia, levando a dano muscular e neurológico irreversível. O tratamento definitivo é a descompressão cirúrgica, não o controle sintomático.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar Doppler venoso de urgência para afastar trombose venosa profunda (TVP) é um erro de diagnóstico. O quadro clínico é de síndrome compartimental, não de TVP. A TVP geralmente apresenta dor, edema e eritema, mas não costuma causar dor desproporcional ao exame, parestesias ou dor à dorsiflexão passiva do hálux. Além disso, o Doppler venoso não é o exame para avaliar a pressão compartimental, e o diagnóstico da SCA é clínico, não devendo ser retardado por exames de imagem.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Indicar fasciotomia descompressiva imediata é a conduta correta. O paciente apresenta todos os sinais clássicos de síndrome compartimental aguda: dor intensa e desproporcional, refratária à analgesia, parestesias e dor à dorsiflexão passiva do hálux (sinal de estiramento passivo dos músculos do compartimento anterior da perna). O diagnóstico é clínico e a fasciotomia deve ser realizada imediatamente, pois o atraso leva a dano irreversível. A literatura é clara: "Uma vez instalada, somente a fasciotomia pode tratar a SC" e "A fasciotomia é o tratamento da SC e deve ser feita imediatamente após diagnóstico".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elevar o membro e observar por até 6 horas é conduta inadequada e perigosa. A elevação do membro pode até piorar a isquemia ao reduzir a pressão de perfusão arterial. A síndrome compartimental é uma emergência que exige descompressão imediata; aguardar 6 horas pode resultar em dano muscular e neurológico irreversível, já que após 8 horas de isquemia o dano é completo. Não há espaço para conduta expectante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar anticoagulação plena para prevenir complicações tromboembólicas é um erro grave. Não há indicação de anticoagulação no quadro descrito, que é de síndrome compartimental, não de tromboembolismo. A anticoagulação não trata a SCA e pode até aumentar o risco de sangramento, agravando o edema e a pressão compartimental. A conduta correta é a descompressão cirúrgica imediata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre síndrome compartimental e outras complicações do trauma, como trombose venosa profunda (alternativa B) e complicações tromboembólicas (alternativa E). O candidato pode ser levado a pensar em TVP pela presença de dor e edema, mas a dor desproporcional, a parestesia e, principalmente, a dor à dorsiflexão passiva do hálux são sinais patognomônicos de SCA. Outra armadilha é a alternativa D, que sugere elevação do membro e observação — uma conduta que parece razoável, mas é contraindicada na SCA, pois pode reduzir a perfusão e retardar o tratamento definitivo. Fique atento: na SCA, o pulso distal pode estar presente, então a ausência de sinais vasculares não exclui o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os sinais da síndrome compartimental, use o mnemônico dos "5 Ps": Dor (pain), Parestesia, Palidez, Poquilotermia e Paralisia. O sinal mais fidedigno é a dor ao estiramento passivo. Na dúvida, lembre-se: dor desproporcional + estiramento passivo doloroso = fasciotomia imediata. Não espere exames de imagem ou medição de pressão para agir.

Gabarito: letra C

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