Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Sobre tipos de acesso vascular na hemodiálise, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.I. A fístula arteriovenosa (FAV) autóloga é utilizada como padrão para hemodiálise por apresentar maior durabilidade, embora possua uma taxa mais elevada de complicações infecciosas.II. Os enxertos arteriovenosos sintéticos possuem um tempo de maturação inferior ao das FAVs nativas, mas apresentam risco aumentado de infecção e trombose.III. Cateteres venosos centrais tunelizados são preferencialmente recomendados em comparação às fístulas arteriovenosas para pacientes que requerem acesso vascular de longa duração.IV. A veia jugular interna direita é a preferida para o uso de cateter venoso central, pois sua anatomia é considerada favorável e está associada a menor risco de complicações.
ATodas as assertivas estão corretas.
BTodas as assertivas estão incorretas.
CApenas as assertivas I e II estão corretas.
DApenas as assertivas II e IV estão corretas.
EApenas as assertivas I, III e IV estão corretas.
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GabaritoD — Apenas as assertivas II e IV estão corretas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Acesso vascular para hemodiálise: tipos e indicações
Gabarito: letra D. Estão corretas apenas as assertivas II e IV: os enxertos arteriovenosos sintéticos realmente têm maturação mais rápida que as FAVs nativas, porém com maior risco de infecção e trombose; e a veia jugular interna direita é o sítio preferencial para cateter venoso central por sua anatomia favorável e menor risco de complicações. As assertivas I e III estão incorretas: a FAV autóloga tem MENOR taxa de complicações infecciosas (não maior), e cateteres tunelizados NÃO são preferíveis às fístulas para acesso de longa duração — a FAV é o padrão-ouro.
O acesso vascular é o "calcanhar de Aquiles" da hemodiálise: sem um acesso funcionante, não há diálise adequada. Existem três grandes tipos: a fístula arteriovenosa (FAV) autóloga (nativa, feita com veia do próprio paciente), o enxerto arteriovenoso (EAV) sintético (prótese de PTFE ou politetrafluoretileno) e os cateteres venosos centrais (CVC), que podem ser temporários (não tunelizados) ou de longa permanência (tunelizados). A escolha entre eles segue uma hierarquia bem definida, baseada em durabilidade, risco de complicações e tempo de maturação.
A FAV autóloga é o padrão-ouro: apresenta maior durabilidade, menor taxa de complicações (especialmente infecciosas) e menor necessidade de reintervenções. Sua principal desvantagem é o tempo de maturação prolongado (semanas a meses), o que exige planejamento antecipado — idealmente, confeccionada quando a TFG cai abaixo de 20 mL/min/1,73 m², antecipando a necessidade de diálise em 4 a 6 meses. O EAV sintético, por sua vez, tem maturação mais rápida (pode ser usado em 2 a 4 semanas), mas por ser corpo estranho, apresenta maior risco de infecção e trombose — exatamente o que a assertiva II afirma.
Os cateteres venosos centrais são a última opção para acesso de longa duração. Embora sejam úteis para início imediato da diálise (quando não há tempo de maturar uma FAV) ou quando não há vasos disponíveis para confecção de fístula, eles têm as maiores taxas de infecção e mortalidade entre todos os acessos. Por isso, a recomendação é clara: FAV > EAV > cateter tunelizado > cateter temporário. Cateteres temporários não tunelizados devem ser usados apenas em urgência e idealmente por no máximo 2 semanas. Quanto ao sítio de inserção do CVC, a veia jugular interna direita é a preferida: seu trajeto é mais retilíneo até a veia cava superior, tem menor risco de estenose (comparada à subclávia) e menor risco de mau posicionamento, além de ser um sítio compressível em caso de punção arterial inadvertida.
A pegadinha central desta questão é a inversão de características: a banca troca o perfil de complicações da FAV (diz que tem mais infecção, quando tem menos) e inverte a hierarquia de preferência (coloca cateter acima da fístula). Guarde o mapa: FAV = mais durável, menos infecção, maturação lenta; EAV = maturação rápida, mais infecção/trombose; CVC = mais infecção, usado quando não há alternativa. É exatamente esse contraste que separa as assertivas corretas das incorretas.
Tipo de Acesso
Maturação
Risco de Infecção
Risco de Trombose
Indicação Principal
FAV autóloga
Lenta (semanas a meses)
Menor
Menor
Padrão-ouro para longa duração
Enxerto arteriovenoso sintético
Rápida (2 a 4 semanas)
Aumentado
Aumentado
Quando não há veia para FAV
Cateter venoso central tunelizado
Imediata
Maior
Variável
Início imediato ou sem vasos para FAV/EAV
Acesso vascular em hemodiálise: FAV autóloga (padrão-ouro) (Maior durabilidade, Menor taxa de infecção, Maturação lenta (meses)); Enxerto sintético (PTFE) (Maturação rápida (semanas), Maior risco de infecção, Maior risco de trombose); Cateter venoso central (Uso imediato, Maior taxa de infecção, Última opção p/ longa duração); Sítio preferencial (Veia jugular interna direita)
Assertiva I — ❌ Incorreta
A assertiva erra ao afirmar que a FAV autóloga possui "taxa mais elevada de complicações infecciosas". Na verdade, é exatamente o oposto: a FAV nativa é o acesso com menor taxa de infecção entre todos os tipos, justamente por ser tecido autólogo, sem corpo estranho. A primeira parte está correta (maior durabilidade), mas a segunda inverte a realidade — o que torna a assertiva falsa como um todo.
Assertiva II — ✅ Correta
Esta assertiva está correta. Os enxertos arteriovenosos sintéticos (PTFE) têm tempo de maturação inferior ao das FAVs nativas — podem ser usados em semanas, enquanto a FAV leva meses. Porém, por serem material sintético, apresentam risco aumentado de infecção e trombose em comparação com a fístula nativa. É exatamente esse trade-off (rapidez × complicações) que a assertiva descreve com precisão.
Assertiva III — ❌ Incorreta
A assertiva inverte a hierarquia de preferência. Cateteres venosos centrais tunelizados não são preferencialmente recomendados para acesso de longa duração — a FAV autóloga é o padrão-ouro. Os cateteres têm as maiores taxas de infecção e mortalidade entre todos os acessos. Eles são reservados para situações específicas: início imediato de diálise sem acesso maduro, impossibilidade de confecção de FAV/EAV, ou como ponte até a maturação de uma fístula. A recomendação é: FAV > EAV > cateter tunelizado.
Assertiva IV — ✅ Correta
A assertiva está correta. A veia jugular interna direita é o sítio preferencial para inserção de cateter venoso central. Sua anatomia é favorável porque oferece um trajeto mais direto e curto até a veia cava superior, com menor risco de estenose (diferente da subclávia) e menor risco de mau posicionamento. Além disso, é um sítio compressível em caso de punção arterial inadvertida da carótida, o que reduz o risco de complicações hemorrágicas graves.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características dos acessos vasculares. Aqui, ela trocou o perfil de infecção da FAV (disse que tem mais, quando tem menos) e inverteu a hierarquia de preferência (colocou cateter acima da fístula). Na prova, desconfie sempre que uma assertiva atribuir à FAV uma desvantagem que na verdade pertence ao cateter ou ao enxerto — é a inversão clássica deste tema.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte a hierarquia mental: FAV > EAV > cateter tunelizado > cateter temporário. Associe cada acesso à sua principal característica: FAV = durável e menos infecciosa; EAV = rápido, porém mais trombose/infecção; cateter = mais infecção, só quando não há alternativa. E lembre: jugular interna direita é sempre o sítio de escolha para CVC.
Gabarito: letra D — corretas apenas as assertivas II e IV.