Área de Atuação: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Sobre o exame clínico do sistema venoso periférico, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) O teste de Trendelenburg é indicado para avaliar a competência valvar na junção safeno-femoral e/ou em veias perfurantes, sendo considerado positivo quando se observa enchimento rápido das varizes após o paciente adotar a posição ortostática.( ) O teste de Perthes tem como objetivo analisar a perviedade do sistema venoso profundo, verificando-se o esvaziamento das varizes durante a deambulação com a aplicação de garrote proximal na coxa.( ) A identificação de edema mole, depressível e com piora vespertina constitui sinal típico de insuficiência venosa crônica.( ) A palpação de cordões venosos endurecidos, dolorosos e superficiais sugere a presença de trombose venosa profunda.( ) A observação de um paciente com hiperpigmentação cutânea, lipodermatoesclerose e úlceras maleolares indica a presença de doença venosa crônica avançada, descrita na classificação Clínica, Etiologia, Anatomia e Patofisiologia (CEAP) como categoria 4.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – F – V – V – V.
BF – V – V – F – V.
CF – F – F – V – F.
DV – V – V – F – F.
EV – V – F – F – V.
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GabaritoD — V – V – V – F – F.
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Exame clínico do sistema venoso periférico: testes e sinais
Gabarito: letra D (V – V – V – F – F). A sequência correta é: teste de Trendelenburg verdadeiro (avalia incompetência valvar na junção safeno-femoral e perfurantes, com enchimento rápido das varizes na posição ortostática), teste de Perthes verdadeiro (avalia perviedade do sistema venoso profundo, com esvaziamento das varizes durante a deambulação com garrote proximal), edema mole/depressível com piora vespertina verdadeiro (sinal típico de insuficiência venosa crônica), cordões venosos endurecidos/dolorosos/superficiais falso (sugere trombose venosa superficial, não profunda) e hiperpigmentação/lipodermatoesclerose/úlceras maleolares falso (indica doença venosa crônica avançada, mas na classificação CEAP corresponde à categoria 5 ou 6, não à 4).
O exame clínico do sistema venoso periférico é a base do diagnóstico das doenças venosas dos membros inferiores. O sistema venoso é composto por três sistemas que funcionam em sinergia: o profundo, o superficial (safenas magna e parva e tributárias) e o perfurante (ou comunicante), que os interliga. O sistema profundo é responsável por 85 a 90% da drenagem sanguínea, e o superficial pelos 10 a 15% restantes. As válvulas venosas, no ortostatismo, fecham-se e impedem, em parte, o aumento da pressão hidrostática nos segmentos distais, e a musculatura da panturrilha propele o sangue para o átrio direito a cada contração — esses são os dois mecanismos que o exame clínico explora.
Os testes de Trendelenburg e Perthes são manobras qualitativas que avaliam a competência valvar e a perviedade do sistema venoso profundo, respectivamente. No teste de Trendelenburg, o paciente em decúbito dorsal tem o membro elevado para esvaziar o sistema venoso superficial; aplicam-se garrotes na raiz da coxa e junto aos maléolos; ao assumir a posição ortostática, o enchimento rápido das varizes indica insuficiência valvar na junção safeno-femoral ou em perfurantes. No teste de Perthes, com garrote proximal na coxa, o paciente deambula; o esvaziamento das varizes indica perviedade do sistema profundo, enquanto a persistência ou o aumento sugere obstrução. Esses testes são qualitativos e, atualmente, o eco-Doppler é mais fidedigno para caracterizar pontos de refluxo.
A insuficiência venosa crônica (IVC) manifesta-se clinicamente com edema mole, depressível e com piora vespertina, além de hiperpigmentação, lipodermatoesclerose e úlceras maleolares. A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia e Patofisiologia) gradua a doença: categoria 4 corresponde a alterações de pele (hiperpigmentação, lipodermatoesclerose), categoria 5 a úlcera cicatrizada e categoria 6 a úlcera ativa. A trombose venosa superficial (TVS) apresenta cordões venosos endurecidos, dolorosos e superficiais, enquanto a trombose venosa profunda (TVP) cursa com edema, dor e aumento da temperatura, sem cordão superficial palpável.
A pegadinha da questão está na troca entre trombose venosa superficial e profunda, e na categorização CEAP: a banca apresenta a categoria 4 como se incluísse úlceras, quando na verdade elas pertencem às categorias 5 e 6. Guarde a fronteira entre TVS e TVP, e entre as categorias CEAP 4, 5 e 6 — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
O teste de Trendelenburg é indicado para avaliar a competência valvar na junção safeno-femoral e/ou em veias perfurantes. O enchimento rápido das varizes após o paciente adotar a posição ortostática (com garrotes aplicados) caracteriza insuficiência valvar. O texto de apoio descreve: "Caso seja observado enchimento das varizes, sugere-se insuficiência de veia perfurante e retira-se o garrote da coxa. Caso os novelos varicosos tornem-se mais túrgidos, caracteriza-se a insuficiência ostial da safena magna e de perfurantes." A assertiva está correta.
Assertiva 2 — ✅ Verdadeira
O teste de Perthes tem como objetivo analisar a perviedade do sistema venoso profundo. Com a aplicação de garrote proximal na coxa, o paciente deambula; o esvaziamento das varizes indica que o sistema profundo está pérvio, permitindo o retorno venoso. Se as varizes permanecem ou aumentam, há obstrução do sistema profundo. A assertiva está correta.
Assertiva 3 — ✅ Verdadeira
A identificação de edema mole, depressível e com piora vespertina constitui sinal típico de insuficiência venosa crônica. O edema da IVC é decorrente da hipertensão venosa crônica, que aumenta a pressão hidrostática nos capilares, levando ao extravasamento de líquido para o interstício. A piora vespertina ocorre porque o ortostatismo prolongado ao longo do dia agrava a estase venosa. A assertiva está correta.
Assertiva 4 — ❌ Falsa
A palpação de cordões venosos endurecidos, dolorosos e superficiais sugere a presença de trombose venosa superficial (TVS), não profunda (TVP). Na TVS, o cordão é palpável, superficial, endurecido e doloroso, seguindo o trajeto de uma veia superficial. Na TVP, o membro apresenta edema, dor e aumento da temperatura, mas não há cordão superficial palpável, pois a trombose ocorre no sistema profundo. A assertiva troca o sistema venoso acometido.
Assertiva 5 — ❌ Falsa
A observação de hiperpigmentação cutânea, lipodermatoesclerose e úlceras maleolares indica doença venosa crônica avançada, mas na classificação CEAP corresponde às categorias 5 ou 6, não à categoria 4. A categoria 4 inclui alterações de pele (hiperpigmentação, lipodermatoesclerose, eczema), mas sem úlcera. A categoria 5 é úlcera cicatrizada e a categoria 6 é úlcera ativa. A assertiva erra ao classificar a presença de úlceras como categoria 4.