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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg483452
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Ecocardiografia, Eletrofisiologia Clínica Invasiva, Ergometria e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
De acordo com a “Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Complicações Associadas à Obesidade: Uma Declaração de Posicionamento de Cinco Sociedades Médicas” (Saraiva et al., 2025), são consideradas situações de alto risco cardiovascular (>20% em 10 anos) em pessoas com sobrepeso e obesidade:I. Diabetes tipo II há mais de 10 anos. II. Doença coronariana crônica confirmada (IAM prévio, por exemplo). III. Escore de cálcio >100 Ag em não diabéticos. Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratificação de risco cardiovascular na obesidade: situações de alto risco

Gabarito: letra E — os itens I, II e III estão corretos. A Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares (Saraiva et al., 2025) considera como situações de alto risco cardiovascular (>20% em 10 anos) em pessoas com sobrepeso e obesidade: diabetes tipo II há mais de 10 anos, doença coronariana crônica confirmada (como IAM prévio) e escore de cálcio >100 Ag em não diabéticos.

A estratificação de risco cardiovascular é o processo de estimar a probabilidade de um indivíduo sofrer um evento cardiovascular (como infarto, AVC ou morte cardiovascular) em um determinado período, geralmente 10 anos. Essa estimativa é fundamental para guiar decisões terapêuticas, como a intensidade do tratamento farmacológico e a necessidade de intervenções mais agressivas. A diretriz de 2025, que é uma declaração de posicionamento de cinco sociedades médicas, estabelece critérios específicos para classificar pacientes com sobrepeso e obesidade em diferentes categorias de risco, incluindo a categoria de alto risco (>20% em 10 anos).

A lógica por trás desses critérios é identificar pacientes que, apesar de não terem doença cardiovascular estabelecida, apresentam uma carga de fatores de risco ou doença subclínica tão significativa que seu risco de eventos é comparável ao de alguém que já teve um evento. O diabetes tipo II de longa duração (>10 anos) é um poderoso preditor de risco, pois a exposição prolongada à hiperglicemia causa danos vasculares cumulativos. A doença coronariana crônica confirmada, como um infarto prévio, é uma manifestação clínica de aterosclerose estabelecida, o que por si só coloca o paciente em uma categoria de risco elevado. O escore de cálcio coronariano (CAC) >100 Ag em não diabéticos é um marcador de aterosclerose subclínica significativa, indicando a presença de placa calcificada nas artérias coronárias, o que aumenta substancialmente o risco de eventos futuros.

Na prática clínica, esses critérios são aplicados para decidir, por exemplo, se um paciente com obesidade e diabetes tipo II de longa data deve receber estatinas de alta intensidade ou se um paciente com escore de cálcio elevado precisa de investigação adicional para doença coronariana. A diretriz também enfatiza que a precisão da predição não é perfeita e que os números devem ser interpretados no contexto de cada paciente, considerando outros fatores como idade, sexo, tabagismo e pressão arterial.

A distinção crucial que a banca explora é entre os diferentes níveis de risco e os critérios que definem cada um. É importante não confundir as situações de alto risco (>20%) com as de risco muito alto ou extremo, que envolvem critérios ainda mais graves, como CAC >300 Ag ou múltiplos eventos cardiovasculares. A pegadinha desta questão é que todos os três itens apresentados são, de fato, critérios de alto risco, e o candidato pode ser tentado a marcar apenas um ou dois deles, subestimando a abrangência da definição.

Guarde a fronteira entre os critérios de alto risco e os de risco muito alto/extremo: é exatamente nela que as alternativas se dividem, e é o que você precisa dominar para acertar questões como esta.

Item I — ✅ Correto

O diabetes tipo II há mais de 10 anos é, de fato, uma situação de alto risco cardiovascular (>20% em 10 anos) em pessoas com sobrepeso e obesidade, conforme a diretriz de 2025. A longa duração do diabetes é um fator de risco independente e potente, refletindo o dano vascular cumulativo causado pela hiperglicemia crônica.

Item II — ✅ Correto

A doença coronariana crônica confirmada, como um infarto agudo do miocárdio (IAM) prévio, é uma situação de alto risco cardiovascular. A presença de doença aterosclerótica estabelecida é um dos mais fortes preditores de novos eventos, e a diretriz a classifica como critério de alto risco.

Item III — ✅ Correto

O escore de cálcio >100 Ag em não diabéticos é considerado uma situação de alto risco cardiovascular. O escore de cálcio coronariano é um marcador de aterosclerose subclínica, e valores >100 Ag indicam carga aterosclerótica significativa, justificando a classificação como alto risco.

Conclusão: Todos os itens (I, II e III) estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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