Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg483462
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Ecocardiografia, Eletrofisiologia Clínica Invasiva, Ergometria e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Sobre as principais novidades no manejo da dislipidemia, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.I. A avaliação de dislipidemia inclui não apenas os fatores clássicos, mas também biomarcadores, como Lp(a), ApoB e PCR-u.II. Metas terapêuticas tornaram-se mais intensivas: níveis de LDL-c <50 mg/d para pacientes de muito alto risco e <40 mg/dL para aqueles em risco extremo.III. A terapia combinada passa a ser recomendada como primeira linha de tratamento em pacientes de alto, muito alto ou extremo risco, com o uso de estatinas associadas à ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico.
ATodas as assertivas estão corretas.
BTodas as assertivas estão incorretas.
CApenas a assertiva III está correta.
DApenas as assertivas I e II estão corretas.
EApenas as assertivas II e III estão corretas.
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GabaritoA — Todas as assertivas estão corretas.
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SE LIGUE NESSA!
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Manejo da dislipidemia: biomarcadores, metas e terapia combinada
Gabarito: letra A. As três assertivas estão corretas: a avaliação da dislipidemia incorpora biomarcadores como Lp(a), ApoB e PCR-u; as metas de LDL-c tornaram-se mais intensivas (inferiores a 50 mg/dL para muito alto risco e inferiores a 40 mg/dL para risco extremo); e a terapia combinada com estatina + ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico é recomendada como primeira linha em pacientes de alto, muito alto ou extremo risco. A fundamentação está na Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025.
A dislipidemia é um distúrbio do metabolismo lipídico que eleva o risco cardiovascular, e seu manejo evoluiu significativamente nos últimos anos. A avaliação tradicional, baseada no perfil lipídico clássico (LDL-c, HDL-c, triglicerídeos), foi ampliada com a incorporação de biomarcadores que refinam a estratificação de risco. A lipoproteína(a) — Lp(a) — é um fator de risco genético e independente para doença cardiovascular aterosclerótica; a apolipoproteína B (ApoB) reflete o número total de partículas aterogênicas, sendo um marcador mais fiel do risco do que o LDL-c isolado; e a proteína C reativa de alta sensibilidade (PCR-us) é um marcador de inflamação que se associa a maior risco cardiovascular. A diretriz brasileira mais recente reconhece esses biomarcadores como ferramentas complementares na avaliação do paciente dislipidêmico.
As metas terapêuticas também se tornaram mais agressivas. Para pacientes de muito alto risco cardiovascular, a meta de LDL-c é inferior a 50 mg/dL; para aqueles em risco extremo, a meta é ainda mais rigorosa, inferior a 40 mg/dL. Essa intensificação reflete a evidência de que não há um limiar abaixo do qual a redução do LDL-c deixa de trazer benefício cardiovascular — quanto maior a redução, maior a proteção contra eventos. A diretriz de 2025 mantém as metas absolutas de LDL-c como meta primária e de não-HDL-c como meta secundária, mas reforça a importância de alcançar reduções percentuais significativas, especialmente em populações de alto risco.
A terapia combinada emergiu como estratégia de primeira linha para pacientes de alto, muito alto ou extremo risco. A lógica é sinérgica: a estatina de alta intensidade reduz o LDL-c em cerca de 50%, mas muitos pacientes não atingem as metas com monoterapia. A associação com ezetimiba potencializa a redução para aproximadamente 65%. As terapias anti-PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe) e o ácido bempedoico são opções adicionais para intensificação, especialmente em pacientes que não toleram estatinas ou que não atingem as metas com a terapia convencional. A diretriz de 2025 recomenda explicitamente a terapia inicial combinada para essas populações de risco elevado, priorizando intervenções farmacológicas sinérgicas desde o início.
A pegadinha desta questão está na precisão dos valores e na abrangência das recomendações. O candidato pode confundir as metas de LDL-c entre as categorias de risco (por exemplo, trocar <50 mg/dL por <70 mg/dL, que é a meta do alto risco) ou pode achar que a terapia combinada é reservada apenas para casos de falha terapêutica, quando na verdade a diretriz a recomenda como primeira linha para alto, muito alto e extremo risco. A assertiva III, em particular, exige conhecimento atualizado: a combinação de estatina com ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico é de fato recomendada como estratégia inicial para essas populações.
Guarde a fronteira entre as categorias de risco e as respectivas metas de LDL-c, e a recomendação de terapia combinada como primeira linha: é exatamente nesses pontos que as assertivas se dividem.
A assertiva está correta. A avaliação da dislipidemia não se limita aos fatores clássicos (LDL-c, HDL-c, triglicerídeos); incorpora biomarcadores como Lp(a), ApoB e PCR-us, que refinam a estratificação de risco cardiovascular. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 reconhece esses marcadores como ferramentas complementares na avaliação do paciente dislipidêmico.
Item II — ✅ Correto
A assertiva está correta. As metas terapêuticas tornaram-se mais intensivas: para pacientes de muito alto risco, a meta de LDL-c é inferior a 50 mg/dL; para aqueles em risco extremo, a meta é inferior a 40 mg/dL. Essa intensificação reflete a evidência de que não há limiar abaixo do qual a redução do LDL-c deixa de trazer benefício cardiovascular.
Item III — ✅ Correto
A assertiva está correta. A terapia combinada é recomendada como primeira linha de tratamento em pacientes de alto, muito alto ou extremo risco, com o uso de estatinas associadas à ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico. A diretriz de 2025 recomenda explicitamente a terapia inicial combinada para essas populações de risco elevado, priorizando intervenções farmacológicas sinérgicas desde o início.
Conclusão: Corretos: I, II e III → portanto a alternativa é a letra A.