Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg483463
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Ecocardiografia, Eletrofisiologia Clínica Invasiva, Ergometria e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
O LDL colesterol elevado e a hipertensão arterial são dois dos principais fatores de risco responsáveis por mais mortes cardiovasculares no Brasil. Diante dessa relevância, a Diretriz adotou um modelo de ação baseado em três fases do curso de vida, com intervenções específicas e graduadas, quais sejam:I. Fase precoce – infância e adolescência: prevenção primordial, com foco na promoção de hábitos saudáveis e na prevenção do surgimento de fatores de risco.II. Fase intermediária – adultos jovens à meia-idade: presença frequente de aterosclerose subclínica, detectável por métodos de imagem (por exemplo, ultrassonografia de carótidas, escore de cálcio coronariano).III. Fase tardia – idosos e pacientes com doença clínica estabelecida: presença de doença aterosclerótica manifesta, como infarto agudo do miocárdio, AVC ou doença arterial periférica; nessa fase, não se inicia medicações, apenas se prioriza o conforto do paciente.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas I e II.
DApenas II e III.
EI, II e III.
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GabaritoC — Apenas I e II.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
SE LIGUE NESSA!
Esta questão depende de um texto-base da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, que não está disponível integralmente. O raciocínio abaixo é o método de resolução; confira os dados e a redação exata das fases no enunciado original.
Prevenção da aterosclerose ao longo do curso de vida
Gabarito: letra C — corretos os itens I e II. A diretriz adota um modelo de ação em três fases do curso de vida, com intervenções específicas e graduadas: na fase precoce (infância e adolescência) atua-se com prevenção primordial; na fase intermediária (adultos jovens à meia-idade) há aterosclerose subclínica detectável por imagem; na fase tardia (idosos e doença estabelecida) há doença manifesta, mas não é correto afirmar que não se iniciam medicações — pelo contrário, é nessa fase que o tratamento farmacológico intensivo é fundamental.
A aterosclerose é uma doença crônica, silenciosa e progressiva, que se inicia ainda na infância, com o surgimento de estrias gordurosas já na primeira década de vida. Por isso, as diretrizes atuais compreendem a doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) não como uma doença exclusiva do adulto ou do idoso, mas como um processo contínuo, com múltiplas oportunidades de intervenção e prevenção ao longo da vida. O modelo de três fases do curso de vida organiza exatamente essas oportunidades: cada fase tem um objetivo preventivo distinto, que acompanha a progressão natural da placa aterosclerótica.
Na fase precoce, que abrange infância e adolescência, o foco é a prevenção primordial: impedir o surgimento dos fatores de risco (como dislipidemia, hipertensão, obesidade e tabagismo) por meio da promoção de hábitos saudáveis — dieta equilibrada, atividade física regular e controle de peso. Essa fase é crucial porque as alterações iniciais na parede arterial, como as estrias gordurosas, podem surgir já na primeira década de vida, e a prevenção nesse período tem o maior potencial de impacto a longo prazo.
Na fase intermediária, que abrange adultos jovens até a meia-idade, já é frequente a presença de aterosclerose subclínica, ou seja, placas ateroscleróticas que ainda não causaram sintomas, mas que podem ser detectadas por métodos de imagem. O escore de cálcio coronariano (CAC), obtido por tomografia computadorizada, é um método simples, de baixo risco e validado nesse cenário, capaz de reclassificar o risco cardiovascular de forma clinicamente significativa. A ultrassonografia de carótidas também é utilizada para detectar aterosclerose subclínica. A identificação dessa fase permite intervenções mais agressivas, incluindo o uso de estatinas, para prevenir a progressão para doença clínica.
Na fase tardia, que abrange idosos e pacientes com doença clínica estabelecida, há doença aterosclerótica manifesta, como infarto agudo do miocárdio, AVC ou doença arterial periférica. Nessa fase, o tratamento farmacológico é essencial e deve ser intensificado, não omitido. A diretriz enfatiza a necessidade de terapia combinada intensiva desde o início, com estatinas potentes em doses eficazes, para reduzir o risco de novos eventos. A afirmação de que "não se inicia medicações, apenas se prioriza o conforto do paciente" é um erro grave, pois contraria toda a lógica da prevenção secundária, que é justamente a fase em que o benefício do tratamento é maior.
A pegadinha da banca está exatamente na inversão do papel da fase tardia: em vez de ser a fase em que se abandona o tratamento, é a fase em que o tratamento farmacológico é mais intensivo e mais benéfico. O aluno que não conhece a diretriz pode ser induzido a aceitar a afirmação III como correta, pois ela contém elementos verdadeiros (doença manifesta, como IAM, AVC e DAP), mas o erro está na conclusão de que não se iniciam medicações.
Guarde a fronteira entre as fases: precoce = prevenção primordial (hábitos saudáveis); intermediária = aterosclerose subclínica (imagem); tardia = doença manifesta (tratamento intensivo). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Fase do curso de vida
Faixa etária
Característica principal
Intervenção
Precoce
Infância e adolescência
Prevenção primordial (surgimento de fatores de risco)
Promoção de hábitos saudáveis
Intermediária
Adultos jovens à meia-idade
Aterosclerose subclínica (detectável por imagem)
Ex.: escore de cálcio coronariano, US de carótidas
Tardia
Idosos e doença clínica estabelecida
Doença aterosclerótica manifesta (IAM, AVC, DAP)
Tratamento farmacológico intensivo (não omitido)
Fases do curso de vida (DCVA)
1Precoce (infância/adolescência)
Prevenção primordial
Hábitos saudáveis
2Intermediária (adultos jovens/meia-idade)
Aterosclerose subclínica
Detectável por imagem (CAC, carótidas)
3Tardia (idosos/doença estabelecida)
Doença manifesta (IAM, AVC, DAP)
Tratamento intensivo é essencial
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Item I — ✅ Correto
A fase precoce, que abrange infância e adolescência, tem como foco a prevenção primordial, com promoção de hábitos saudáveis e prevenção do surgimento de fatores de risco. Isso está alinhado com a diretriz, que reconhece que a aterosclerose se inicia na infância e que a prevenção deve começar cedo. A afirmação está correta.
Item II — ✅ Correto
A fase intermediária, que abrange adultos jovens à meia-idade, é caracterizada pela presença frequente de aterosclerose subclínica, detectável por métodos de imagem como ultrassonografia de carótidas e escore de cálcio coronariano. O escore de cálcio é um método validado para reclassificar o risco cardiovascular nessa população. A afirmação está correta.
Item III — ❌ Incorreto
A fase tardia, que abrange idosos e pacientes com doença clínica estabelecida, é caracterizada pela presença de doença aterosclerótica manifesta (IAM, AVC, DAP). No entanto, a afirmação de que "não se inicia medicações, apenas se prioriza o conforto do paciente" é incorreta. Nessa fase, o tratamento farmacológico é essencial e deve ser intensificado, com terapia combinada de estatinas potentes, para prevenir novos eventos cardiovasculares. A prevenção secundária é justamente a fase em que o benefício do tratamento é maior.
Conclusão: corretos os itens I e II → portanto, a alternativa é a letra C.