Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FUNDATEC 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg483474
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
O diagnóstico da doença de Kawasaki é baseado nos critérios estabelecidos pela American Heart Association (AHA) e pela European League Against Rheumatism/Pediatric Rheumatology European Society (EULAR/PRES). São características que fazem parte dos critérios diagnósticos da doença de Kawasaki, EXCETO:
AFebre persistente por pelo menos 5 dias.
BEdema no dorso de mãos e pés, eritema palmar ou plantar na fase aguda.
CDescamação periungueal ou da área perineal na fase subaguda.
DEritema, fissuras labiais, hiperemia difusa de orofaringe.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença de Kawasaki: critérios diagnósticos
Gabarito: letra E. A hiperemia conjuntival da doença de Kawasaki é bilateral e não purulenta — a alternativa E inverte os dois atributos (unilateral e purulenta), o que a torna a única que não integra os critérios diagnósticos da AHA/EULAR/PRES. As demais alternativas (A, B, C e D) reproduzem corretamente manifestações clínicas clássicas da doença.
A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, autolimitada, que acomete predominantemente crianças entre 6 meses e 5 anos de idade — em cerca de 80% dos casos. É a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos, e sua importância clínica reside justamente na complicação mais temida: os aneurismas de artérias coronárias, que podem surgir nas primeiras 4 semanas da doença e deixar sequelas permanentes, como isquemia miocárdica mesmo na vida adulta. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial, e ele é essencialmente clínico, baseado nos critérios estabelecidos pela American Heart Association (AHA) e pela European League Against Rheumatism/Pediatric Rheumatology European Society (EULAR/PRES).
O diagnóstico clássico exige febre persistente por pelo menos 5 dias (habitualmente alta, > 38,5 °C, e pouco responsiva a antipiréticos) associada a pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais: (1) alterações de extremidades — eritema e edema de mãos e pés na fase aguda, com descamação periungueal na fase subaguda; (2) exantema polimorfo; (3) hiperemia conjuntival bilateral, não purulenta; (4) alterações de lábios e cavidade oral — eritema e fissuras labiais, língua em framboesa (morango), hiperemia difusa de orofaringe; e (5) linfadenopatia cervical, geralmente unilateral e anterior, com diâmetro > 1,5 cm. Vale destacar que a doença é trifásica: fase aguda febril (até 14 dias), fase subaguda (2 a 4 semanas, quando ocorre a descamação e há maior risco de aneurismas coronarianos) e fase convalescente (que pode durar meses).
A banca explora exatamente a literalidade dos critérios: a conjuntivite da Kawasaki é bilateral e não purulenta (característica que ajuda a diferenciá-la de conjuntivites infecciosas bacterianas, que costumam ser unilaterais e com secreção purulenta). A alternativa E inverte esses dois atributos, transformando um critério verdadeiro em um falso — e é justamente por isso que ela é a resposta da questão, que pede a exceção.
Guarde a fronteira que decide esta questão: na doença de Kawasaki, a hiperemia conjuntival é bilateral e não purulenta; qualquer alternativa que traga "unilateral" ou "purulenta" está errada. É exatamente nesse detalhe que as alternativas se separam.
Critério
Doença de Kawasaki (correto)
Alternativa E (incorreto)
Lateralidade da hiperemia conjuntival
Bilateral
Unilateral
Secreção
Não purulenta
Purulenta
Fase da doença
Fase aguda
— (não corresponde a nenhuma fase)
Alternativa A — ✅ Correta
A febre persistente por pelo menos 5 dias é o critério obrigatório para o diagnóstico da doença de Kawasaki. Sem febre ≥ 5 dias, não se faz o diagnóstico clássico — ela é a porta de entrada para a suspeita clínica. A alternativa reproduz corretamente esse requisito.
Alternativa B — ✅ Correta
O edema no dorso de mãos e pés e o eritema palmar ou plantar são manifestações clássicas da fase aguda da doença, compondo o critério de "alterações de extremidades". A alternativa está correta ao descrever essas alterações na fase aguda.
Alternativa C — ✅ Correta
A descamação periungueal (ao redor das unhas) ou da área perineal é característica da fase subaguda da doença de Kawasaki, ocorrendo tipicamente entre a 2ª e a 4ª semana. A alternativa descreve corretamente essa manifestação, que faz parte do mesmo critério de alterações de extremidades, porém em fase mais tardia.
Alternativa D — ✅ Correta
Eritema e fissuras labiais, além de hiperemia difusa de orofaringe, são manifestações do critério de "alterações de mucosa oral e lábios". A língua em framboesa (ou morango) é outra manifestação clássica desse mesmo grupo. A alternativa está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A hiperemia conjuntival da doença de Kawasaki é bilateral e não purulenta. A alternativa inverte os dois atributos ao afirmar que é "unilateral purulenta" — características típicas de conjuntivites bacterianas, não da vasculite. Como a questão pede a exceção (o que não faz parte dos critérios), esta é a resposta correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os dois atributos da conjuntivite da Kawasaki de uma só vez: o correto é bilateral e não purulenta; a alternativa E diz "unilateral purulenta". Essa inversão dupla é a armadilha clássica — o candidato que decora apenas "conjuntivite" sem os detalhes cai direto. Lembre-se: na Kawasaki, a conjuntivite é bilateral e sem secreção purulenta, o que a distingue das conjuntivites infecciosas comuns.
Gabarito: letra E — a única alternativa que não integra os critérios diagnósticos da doença de Kawasaki.